domingo, 17 de fevereiro de 2013

Do querer bem ou Fal e Inês, além das letras


De tudo que até agora aprendi do português do lado de cá do mar, foi a expressão “o Natal é quando um homem quiser” que mais me cativou. Acho que é pela potência e liberdade que ela indica. «Natal é quando um homem quiser», cantava Paulo de Carvalho, com letra de Ary dos Santos e música de Tordo. Natal é quando um homem quiser, recito eu – e generalizo: a vida toda é quando um homem quiser, ou puder.

Assim é o aniversário da Fal. O aniversário da Fal é quando um homem – no sentido geral, ou seja, eu, no sentido estrito – quiser. Ou puder. Como hoje. Então é hoje que conto histórias, faço brindes e planejo lembrancinhas que nunca sei se irão. Porque no ontem eu não estava.

Eu lia o Drops da Fal desde que eu aprendi o que é internet. Como sou lentinha, quando lá cheguei, ela já era o ícone que é. Então, eu espiava pela fresta da janela. Tinha muita vontade de levantar a mão e dizer: eu também, eu também, mas o decoro não permitia. Achava tudo aquilo meio mágico, como o segredo de Mitras, só para iniciados. Depois, no reader, esbarrava aqui e ali. Curtia quando estávamos na mesma caixa de comentários. Era uma vizinha que não me sabia, mas, ainda assim, ligadas nem que seja pela geografia. Até que, um dia, a Rita disse: Fal. E foi um tempo de skypes e descobertas e risos, muito, muito riso. E, agora, é o tempo do conforto e do amor. Agora já levanto a mão, bandeiras, levanto as notas no desfile de Miss, levanto a saia, levanto a bola.

Ainda é a Fal que admiro. Ainda é a Fal que me encanta. Ainda é a Fal que me ensina. Mas é, principalmente, a Fal que eu amo. Amiga.




Pausa pro café. E voltar pro ontem, ontem, que não foi quando eu quis, mas quando ele mesmo aconteceu. Eu estava passeando/ciceroneando no Chiado e em uma das ruas, os alfarrabistas. Estou comprometida a não trocar comida por livros, então resisti o quanto pude. Mas encontrei um livro da Inês Pedrosa por 3 euros e comprei. Depois sentei por ali pra esperar ciceroneado espiar disco por disco na loja de vinis usados e já comecei a ler o tal livro.

Eu achava que gostava da Inês Pedrosa, mas é claro que eu estava enganada. Eu apenas admirava sua escrita, a forma como ela encadeava personagens e situações, fruía o prazer de ler seus textos. Nada me preparou pra onda de empatia que me acometeu ao começar a ler Crônica Feminina. Textos tão pequenos, algumas construções fraquinhas, até mesmo umas frases bobas, mas que provocaram a vontade de encontrar, abraçar, tomar uma cerveja no boteco e colocar as histórias em dia, como se íntimas fôssemos ou pudéssemos ser. Ter pequenas discussões, concordar em grande parte, marcar um novo encontro. A sensação gostosa de reconhecer não um espelho, mas uma possibilidade de interlocução. Uma crônica, duas, três e lá estava eu, chorando sei lá direito porque, talvez pela Maria do Céu, talvez por saber que não serei amiga da Inês Pedrosa, talvez por ser amiga da Fal e não estar lá, ontem ou agora – pra celebrar isso: o a mais. Que bonito que é. 

2 comentários:

Juliana disse...

qual é o livro da Inês?

Inês é o meu atual amor maior.

Cristina Lopes Cassiano disse...

E vc sabe que fui eu quem dei a ideia pra Rita? hohohoho

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