quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cair de Boca



Fatias de pão duro, leite, ovos, açúcar, canela. O chiado da frigideira. Fiz ontem. Tudo igual. Igual? Ultimamente tenho tentado reencontrar sabores: feijão, rabanada, bolinho de chuva, farofa e por aí vai. Nada sai com o sabor de casa, nada. O bacon não torra direito, não acho linguiça calabresa, o pão pra rabanada não tem a mesma consistência, os cortes de carne são todos diferentes. Vou ao supermercado e não vejo ingredientes iguais aos da minha memória. Vou ao mercado e não tem nada parecido com o que me lembro. Procuro e não encontro. Cozinho e não (me) encontro. Não é. Não parece. Não lembra. Nada fica com o sabor das coisas lá de casa.

Cataploft. Eu não estou em casa. Estou em Outro lugar. Um lugar que me acolhe. Que me encanta. Diferente. Outro. Outro lugar, outros sabores. Igual, o mesmo, semelhante são amarras de infelicidade. Procurar o idêntico é me privar de tudo que pode ser pela única coisa que não é. Burrice e eu não me incomodo de ser acusada de várias coisas, mas de burra dói um pouquinho.

Posso (poderia) colocar a culpa desse lapso de inteligência no Carnaval. É em dia de festa que mais sinto saudade de quem eu era e da minha vida lá. Sinto falta dos pequenos hábitos e rituais dessas ocasiões. Poderia, mas não vou. Porque é preciso estar atento e forte e a felicidade também se faz da vontade de ser, embora não dependa apenas disso. Escolher o riso e o bom é compromisso de todo (o) dia.

Então, abandono os espelhos e abro as janelas. Deixo a minha língua tocar para além da língua de Luís de Camões. Deixo sentir o diverso. Mergulho o pão no azeite, por assim dizer.




Diário de Bordo - Pequenos Bilhetes na Garrafa

Tenho novo(s) vizinho(s). É engraçado porque se estou na cozinha ou banheiro e lá entram ou saem de casa parece que estão abrindo a minha porta da frente. Ontem foi um dia todo de pequenos sustos.

O pinguelo da banheira soltou. Uma luta pra mudar da torneira pro chuveirinho.

Finalmente recebi meu cartão de identidade ou cartão de residência, não sei ao certo o nome do documento. Sei que me permite ficar por aqui, tranquila, e que tem a mais terrível foto 3X4 que eu já tirei na vida e olha que eu não sou exatamente fotogênica nesse tipo de fotinha.

Falta um mês pro meu aniversário, quem estiver pensando em mandar cartinhas e cartões, é só pedir o endereço e enviar logo ;-)

Cheguei naquela fase da escrita de um trabalho científico em que você termina o dia com menos páginas do que começou. Meu coração fica apertado.

Visitei a C&A pra saber o que vou vestir nos próximos meses, já que a temperatura aqui não faz o favor pro meu orçamento de ser sempre a mesma... roupas horrorosas. Nunca vi tal combinação de cores esquisitas, cortes estranhos, acabamentos terríveis. Ainda bem que tenho mais ou menos um mês pra aprender a fazer cara de paisagem e usar mesmo assim.

Já que é pra cair de boca, hoje vou comprar um disco de fado.




2 comentários:

Renata Lins disse...

sabe aqueles que tocam direto em você naquele lugar molinho, dolorido, se infiltando pelas frestas da armadura? Pois. Foi começar a ler e começar a chorar.
Porque eu também, né. Eu também. Saudade. Procura. Substitutos. Mas não exatamente. Nunca exatamente. Porque o exatamente é lá.
"E na rede nas noites de frio meu bem se aninhava pra me agasalhar."

Fred Caju disse...

Lendo a primeira estrofe já estava com o pensamento da segunda.
Beijo pra você.

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