segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Papeando

Língua

A linguagem é esse lance poderoso. Nos forma ao mesmo tempo em que a utilizamos. Ou ainda, me utiliza ao mesmo tempo em que a (de)formo. Falar, escrever, usar a língua é bem mais do que comunicar, é tornar-me. O conteúdo, claro, mas também a forma. Sei que ando falando muito sobre isso. Mas é que era um ponto pacífico pra mim e, de repente, se tornou tão evidente que não é tão pacífico assim entre e para todas as pessoas e, como sou em relações, tornou-se um turbilhão. Tomou-me no turbilhão.

Dizem que conversando é que a gente se entende. Eu não tenho essa certeza. Acho que é próprio da linguagem criar abismos. Falamos e nos afastamos. As palavras não esclarecem, criam um mundo de possibilidades onde nossos medos e desejos transitam com habilidade. Porque o sentido que há em cada palavra, na forma como montamos as frases, as escolhas que fazemos do que dizer e como dizer, isso tudo é incomunicável. Inexplicável. E lindo.

Por outro lado, devo fazer uma ode às hastags. Tem sido muito mais divertido escrever nas redes sociais depois que me liberei não só para usá-las como para desvirtuá-las loucamente (pra saber o que é hastag clique aqui ou aqui). Uma hastag é usada, normalmente, pra incluir. Parei pra pensar e não é assim que faço, geralmente nem sei quais as tags que estão sendo usadas, crio-as como condensação de um sentimento. Como uma imagem que ilustra. Uma forma mais simples e subjetiva de exprimir. Gosto.

 Fez-se a Luz

A vida me mima com amigos maravilhosos. São tão gentis comigo que eu às vezes nem sei agradecer da forma e na quantidade devida. Ontem o Manuel me levou ao futebol. Que bom que foi. Quem anda por aqui sabe que eu sou louca por uma bola. Mas não vamos direto ao jogo, tenho uma e ouras pequenas observações antes. O estádio é uma lindeza. Chama-se O Estádio da Luz, mas os benfiquistas o apelidaram “A Catedral”. Adorei o túnel de entrada, cheio de imagens de um vermelho intenso. O estádio é muito funcional, confortável e bonitão com todas aquelas cadeiras vermelhas (#FlamengoFeelings). Durante o espetáculo acontecem uma porção de coisas que não costumo associar ao futebol: o telão marca o tempo de jogo, um animador de torcida, um intervalo com líderes de torcia em uma coreografia esquisita. E o mais legal fora o jogo: uma águia. De verdade, gente, antes de começar o jogo eles colocam no meio do estádio um escudo do Benfica, aí lá em cima soltam uma águia, a águia Vitória, ela voa o campo inteiro (linda,linda) e aí pousa sobre o escudo, completando-o. Vocês não imaginam como é intenso e emocionante. Acho que o Flamengo devia treinar uns urubus. 

A torcida é animada e seu refrão SLB, SLB, glorioso SLB é facinho de pegar. Mas é claro que senti muita falta dos cantos do Mengo no Maracanã. Ou dos cantos de Meeenngggooo em qualquer parte. E o jogo? Não vou cansá-los com detalhes que vocês encontram aos montes. Resumindo: os primeiros dezesseis minutos foram de louco com 4 gols, dois pra cada. Depois o Porto dominou o meio de campo – e o jogo, mas sem vontade de vencer, sem nenhuma jogada significativa de ameaça ao Benfica que, pra mim, parecia um time brincando, sem disputa efetiva de bola, sem muita vontade, sem muito ânimo. Ainda assim o Benfica podia ter vencido, dois lances de quase gol fizeram o uuhhh dos jogos de videogame correrem a torcida: Cardoso chutou só ele e o goleiro e o Pablo Aymar cabeceou muito rente à trave. Enfim.

Um PS sobre o jogo para o mulherio hetero. Eu não sei o que você moça casadoira, namoradoira, pegadoira está fazendo aí que não está indo aos jogos no Estádio da Luz. É a maior concentração de homens bonitos que eu já registrei na retina – incluindo eventos de atores e tal. Obviamente eles não vão te paquerar durante o jogo, por isso chegue antes, aprecie a vista e divirta-se.

Das Dores

Eu não sei como acontece com vocês, mas eu tenho uma porção de coisas que me fazem sempre, sempre bem, não importa quantas vezes se repitam. E tem aquelas coisas que doem sempre. E sempre mais. Uma pequena lista das dores de sempre:

"não é ninguém, é o padeiro"
"embaixo assinado Alfredo, mas ninguém sabe de quê"
“de me deixar assim sozinho, sentado à máquina de escrever, com a sua morte enorme dentro de mim.

5 comentários:

Renata Lins disse...

"Não é ninguém, é o padeiro". Fernando Sabino, pois não?
Falava disso outro dia no tuinto c Eliane Brum, a respeito de texto dela lindo lindo s Rosângela e seu livro enterrado. http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/01/rosangela-e-o-livro-enterrado.html
Beijos. Adorei a idéia do urubu. Vou passar adiante.

Palavras Vagabundas disse...

kkkkk... treinar urubus, muito bom!
beijão
Jussara

Luciana Nepomuceno disse...

Não é ninguém, é o padeiro, acho que é rubem braga, rê.

Unknown disse...

Obviamente eles não vão te paquerar durante o jogo. Eu ri muito. E o lance de treinar os urubus. Super apoio!

Ana Paula disse...

Aaaahhh, não era pra ter saído como anônimo! Fui eu que escrevi!

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