terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Tempo do Amor




Nós sempre soubemos que só há um tempo certo para o amor: o pretérito imperfeito - e nele inscrevemos o desejo. Já não procuramos enganar o tempo fechando janelas e ignorando as horas, o agora é, ele mesmo, uma lembrança. Temos saudades do que estamos vivendo: beijava, tocava, falava, gozava. Pretérito. Eu, imperfeita. Acordava, abraçava, aceitava. Viver em rimas pobres. Também. E conjugo: mordia, ardia, queria. É que havia teus olhos enevoados, a covinha no canto da boca, as mãos enormes e o jeito certo do teu peito me servir de travesseiro, eu descubro e invento teu corpo fazendo passado com o meu. Eu digo: lembra que nós enroscávamos as pernas pra dormir? E você lembra em pernas que se misturam às minhas. Você lembra como andávamos sempre nus? E banimos as roupas. Você lembra? Lembra? Lembra? Vamos forjando retratos e desvendando o segredo: a verdade é uma narrativa. Aceitamos o enquanto, chamando-o de memória. Sem amanhãs, não conhecemos nenhum adeus. 

5 comentários:

Rita disse...

A definição do Charlie Brown. :-D

DanDi disse...

que lindeza, Lu.
;*

Juju Balangandan disse...

Coração grande no pretérito, ficou hoje ainda menor lendo o seu texto. Por que dar adeus não devia doer mais que extrair um dente.

Lindo.

Fred Caju disse...

Sem ponto de discordâncias.

Alessandra disse...

Olá como vai, estou dando uma passadinha por aqui
me parece que esta tudo maravilhoso , aproveito
para convidar vc para o sorteio no meu blog da uma
passadinha por lá para participar ,fico esperando por vc

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