domingo, 4 de novembro de 2012

Chic X Catrevagem


Vou confessar: eu achava chic tudo que se relacionava ao frio. Criada no Nordeste, cuja variação térmica vai de 28 a 32 graus, ver aquelas mulheres, nos filmes, com seus casacos e echarpes, me encantava. Cresci e, com sorte, meu senso crítico também – ou, pelo menos, aprendi a disfarçar os pícaros de admiração - mas a impressão de elegância no frio permanecia: luvas, botas, os acessórios, as pequenas coisas que prendem o olhar. Até chegar aqui. Porque as mulheres nos filmes tem pouco a fazer além de dizer boas frases e serem a) bonitas, b) divertidas, c) sagazes. Não precisam levar os filhos à escola, fazer supermercado, ir ao trabalho em dia de chuva. Gente, frio é catrevagem. Nunca pensei. E haja gorro, echarpe, casaco, outro casaco, uma bolsa, um guarda-chuva, uma sacola, tudo amontoado em cima da pessoa que tem que entrar no ônibus ou, pior, no elétrico cheio de turistas. Entra no lugar climatizado, tira tudo, sai, coloca tudo de novo. Chove, não chove, chove de novo, carrega-se tudo pra cima e pra baixo. Tenha dó, a elegância passa longe. Talvez apenas Audrey conseguisse ficar incólume, mas, olha, pelo que tenho visto, nem ponho minha mão no fogo.

Só me resta perceber: elegância é vestido estampado, de alcinha, sandália de tiras, bolsa leve pendurada no canto do ombro. Pronto. Passos amplos, riso fácil. Sol, sol, sol.

Mas não ser elegante não é abrir mão da beleza, ainda fico espiando, deslumbrada, as pedrinhas molhadas das calçadas aqui que brincam de espelhar as luzes delicadas das “minhas belas lamparinas”. E os passos, alegres, das meninas em riso. Que não pensam em elegância, mas no gajo giro que vai mais a frente e apontam e riem e falam. Talvez nem saibam quem foi Audrey, mas são, nesse momento, tão livres, que eu podia dizer: felizes.


9 comentários:

Tina Lopes disse...

Sempre achei isso: elegância é vestidinho solto e riso frouxo. E agora você entende o que a gente sofre em Curitiba, é esse trampo a vida toda.

Juliana disse...

kkkkk
eu nunca passei frio de verdade e ainda nunca achei chique.

o máximo de frio que senti foi em são paulo, uns 10 graus, acho, e não vi graça em não poder tirar o cachecol. E o diabo do vento machucando a cara?

tô com a tina, chiqueza é vestidinho, riso frouxo e , acrescento, um chinelinho.

Juliana disse...

ah, e eu sonho com o dia em que elegante for andar pelada! =p

Juliana disse...

só mais um comentário, juro: essa foto me dá uma saudade dessa cidade que nunca conheci. ai!

Rafa disse...

Eu sou um aque acho o frio Tãããoo Chique! rs E "gajo giro"? Portugal na veia... rs Bj

Deise Luz disse...

Entendi essa sua desmistificação do frio como sinônimo de elegância, mas, por outro lado, estou bem longe de achar o "sol, sol, sol" agradável, viu? Porque, poxa, suor demais, abafamento demais... Eu sofro aqui na Bahia.

Juliana disse...

pois, Deise, eu sofro com muito gosto no RJ. Reclamo do suor porque é de praxe, mas amo calor, sol, muito sol.

Rita disse...

Ca-tre-va-gem. Uns trinta anos, por baixo.

Fotinha linda. Amo lamparinas. Sabia?

bj
rita

Lica disse...

Você tá muito culta, fia... CatrevaGI.

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