segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vertigem




Há aqueles que sentem que amam pela demanda de entrega que sentem. Sabem-se enamorados pelos impulsos generosos e altruístas, pela vontade de levantar cedo e preparar o café, arrumar a gaveta de meias do outro, fazer cafuné, levar encomendas ao correio. Acho bonito. Não é que eu não goste de dar, cuidar, entregar(-me). Eu gosto, sério. E até faço um bocado. Mas não é esse meu termômetro ou bússola. É ficar dengosa. Quando a pele fica morna, baixo os olhos falando e o gemer lembra um miar, já se sabe: estou apaixonada.

Uso sempre uma palavra pra dizer de mim: facinha. É assim o meu desejo: fácil. O passo pra eu gostar de alguém é sentir-me gostada. Se em seu olho sou bonita, é assim que me sinto. Se você me pega, é na sua mão que vou caber. Faço mimetismos de amor. 

Amo em vertigens. De olhos bem abertos, um salto no abismo. Não sei voar, mas a queda me faz pensar que sim. Caindo, caindo, o corpo em aceleração, o vento em abraços, eu penso: até agora, tudo bem.

Sou cética. Desiludida. Sou cínica. E digo, todos os dias: play again, Sam.

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