domingo, 14 de outubro de 2012

Um Amor e Os Estranhamentos


Ontem fui ver “Para Roma, com amor”. A primeira impressão que me vem é: eu amo Woody Allen. Sabe amor? Pois é. Quando ele aparece no filme, tudo ganha energia. É ele debochando dele mesmo de uma forma concisa, sem precisar piscar o olho pra nós pra alertar sobre a brincadeira. Nota-se que ele está se divertindo ao encarnar ele mesmo, ao dirigir o filme, ao passear por Roma (e quem não?). O filme tem 04 núcleos. O melhor de todos é o que o próprio Woody participa, é hilário, sensível e bem desenrolado. A história dos italianos “do interior” também é divertido e tem a Penélope Cruz exuberante num vestidinho vermelho. A melhor história é a do Alec Baldwin e ele não compromete nadinha, mas escalar aquela menininha de Juno como mulher arrebatadora não funciona nem comigo que tento, dia após dia, evitar os estereótipos. Mas-ela-não-dá. Não mesmo. E isso faz a narrativa perder consistência. Mas o mote é empolgante e é bem dirigido. De resot, preciso engolir em seco quando lembro que o Roberto Begnini estava no filme. Porque - - pergunto-me eu – insistem que esse cara tem talento? Ou porque eu não consigo considera-lo melhor que um mau mímico? Mas o melhor do filme é Roma e Woody Allen sabe disso e nos oferece, alternadamente, o exuberante óbvio e o simples. Não é um filme intenso? Não, não é. Não é um filme genial? Não, não é. Não é um filme que resgata a grande escola italiana de fazer o cotidiano singelo impregnar-se de drama e arroubo? Não, não é. É um filme divertido, inteligente, com alguns diálogos excelentes e com um diretor/ator que está se divertindo. E nos divertindo. A gente sente a ironia no personagem que ele interpreta e, ainda mais, no personagem da mocinha de Juno – que recebe, do –e no filme – críticas de como seria pseudo-ntelectual com frases de efeito e algum conhecimento superficial de arte. Quem não leu isso sobre o cinema de Woody Allen, pode levantar a mão. É um filme menor de Woody Allen? Provavelmente. Mas filmes do Woody Allen são como sexo consentido, pra mim: quando é ruim, é bom e quando é bom, é ótimo. Woody Allen faz um cinema livre, só não dele mesmo. Por isto, saí do cinema bem assim: amando Woody Allen.

E, bom, tem Roma, né? Como eu não cansei de escrever na série de posts que se intitulam “Ha qualcosa ha dichiarare?”, Roma é deslumbrante. Como uma cortesã de fartos seios, reclinada em um divã de veludo, com negligè de seda em um quarto barrocamente decorado. Roma é em excessos. Não há como esquecer a sensação de se estar no umbigo do mundo. Não há. É uma beleza que arrebata, seduz, demanda. A sonoridade! A musicalidade da fala, ah, as vozes em Roma.



Ver o filme me fez pensar: estou tão pertinho! E deu-me uma enorme vontade de arrumar sacola e ir me perder por lá. Só me segurei porque, bom, era isso mesmo que eu ia fazer, perder-me, sem falar inglês, italiano, nadinha. Deixa estar, eu arrumo um jeito de aprender, uma companhia ou perco a vergonha. E volto a usar os aumentativos onde é de direito.

Rascunhos da Garrafa

Por aqui, fui a passeio e depois conto como é estar no Miradouro de São Pedro de Alcântara vendo as luzes de Lisboa acenderem-se. A paz. A melancolia. A ternura. Deu uma coceirinha na garganta e uma indefinível gratidão por estar viva e ali.



Claro, os estranhamentos continuam, aqui e ali, Por exemplo, na sessão de cinema de ontem tinha intervalo. Isso mesmo, amiguinhos, bem no meio do filme, pluft, tela preta e luzes acesas, dez minutos de intervalo. Quase chorei. Outra coisa que me deixa meio doidinha: traduzir freak out e afins por: “estar a passar-se”, “estou me passando”...o tico e o teco entram em parafuso. E o xingamento ser "cabra" e referir-se à mulher? Não consigo. Cabra pra mim, se não for o animal, é cabra da peste. Não me causa tanta estranheza, mas é digno de nota, que usem “pronto” de uma forma tão diferente da nossa (nossa = maior parte dos brasileiros). Pronto é, pra nós, uma proposição final. “Fiz isso, aquilo, tal e pronto”. Com o pronto indicamos não só o encerramento do processo narrado como também o fim da frase. O interlocutor já pode interagir. Aqui não, aqui “pronto” é, no máximo, uma vírgula. Diz-se “blá, blá, blá, pronto” e quando o interlocutor (no caso eu) respira e se prepara para retrucar, ainda tem mais da metade do pensamento e um montão de outras palavras por dizer. É um pronto que não é, asssiiimmm, um prooonto. Muito menos um ponto. E, por fim, uma coisa diferente que eu acho fofa. É que falam com você sem chamar de você, mas chamando pelo nome. Por exemplo, se alguém vai me oferecer uma água, não é: “você quer água” e sim: “a Luciana quer água?”. É fixe. 

3 comentários:

Ana Vieira disse...

A menina Luciana quer água? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA... Ai, que fofo...

Lud disse...

Também achei fofo!
Luciana, você está pegando sotaque português? E aí fica mais fácil te entenderem? Porque eu pego o jeito que as pessoas falam, não tem jeito. Mas fico com medo de chegar aí e o povo achar que eu estou fazendo hora com a cara deles, sabe?
Beijos!

Rita disse...

Intervalo no cinema????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

Meu deus.... que horror. Fala com eles, Lu, tenta resolver isso aí. :-)

Roberto Bllerggnini, eca!

Roma, <3

Beijos
Rita

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