quinta-feira, 11 de outubro de 2012

God Save The Queen


"Viver é cumprir sonhos, esperar notícias". Disse Mia Couto, digo eu, a espreitar um avião de desenho a refletir um que é, a trazer os dois pro lado de cá do mar. Eles dois, a cumprir sonhos. Eu, a esperar notícias.

Eu nem sei que coragem e delicadeza são demandadas pra lançar-se assim, numa vida tão absolutamente outra. Só sei que vejo-lhes as mãos dadas e parece ser exatamente isso: tão bom. Certo. Pensava eu, depois de ler as cartas de Simone a Algren, ter encontrado a definição de amor: amar é sempre um vôo sobre o oceano em um teco-teco. Instável, belo, imprevisível. Uma audácia. E é. Mas é mais, o depois da viagem: acender o fogo, dobrar toalhas, arrumar estantes.

Eu os amo. Eles vêm chegando e só de pensa-los do lado de cá do oceano já me sinto tão, mas tão mais feliz. É que eles são desses que fazem a vida melhor, sabe.



Eu já disse e escrevi e disse de novo e não me canso de repetir: a Iara na minha vida é uma alegria e uma honra. Porque ela me inspira, me educa, me impressiona. E me ama. E não há um jeito certo nem abraços suficientes para dizer da alegria que é saber esse sentir. Olho no espelho e sorrio e me sinto especial, porque sei: ela e seu sentir generoso. Ela me chegou em letras, primeiro. Depois no riso fácil. E na presença certa, divertida, sagaz. Da admiração ao afeto, ao amor, ela foi sentando-se à janela, ganhando os drinks mais coloridos e elaborados, o cobertor mais macio. Porque ela me dá essas vontades: de agradar. Deu-me muito, dá-me sempre: conforto, companhia serena, um olhar arguto, um humor inteligente, força e ternura. Trouxe-me tanto pra vida, inclusive o Daniel.

Por um tempo, preciso dizer, o Daniel foi o marido da Iara. Não como se diz a xícara da Iara, a roupa da Iara, o livro da Iara. Essas coisas existem para além da Iara, são materiais, por mais que em um mundo de propriedades, lhe pertençam. Não era assim. Era mais como: o gosto musical da Iara, os conhecimentos da Iara, os sonhos da Iara, o marido da Iara. Algo que só existia por ela, através dela e por causa dela. Não se pense que é um jeito ruim de existir, ela tem muito bom senso. Mas, então, o Daniel foi tomando materialidade, no seu jeito atencioso e impertinente. Foi se fazendo presença. Foi se fazendo carinho. É meu amigo. Eu sei. Eu sinto. Sou sua amiga, espero que ele saiba. Que sinta.

E são lindos e queridos assim, um a um. E juntos. Porque para além do que são em sua individualidade, são divertidos, atraentes e receptivos como par. Amáveis e amorosos.

E é por isso e por tanto mais que eu sei que, mais do que estar felizes lá onde estarão, eles farão felizes aos sortudos que estiverem por perto. Então, o que lhes desejo, de forma sintética, é que as pessoas por lá sejam sagazes pra perceber, rapidinho, o quão especiais eles são. De forma menos concisa, desejo-lhes o bem que eles me fazem O morno no peito. A coceira no juízo. A leveza, o afeto, a beleza. Que seja doce. Mas também amargo, ácido, salgado, todos e tantos sabores. Que seja pleno.

Então viver é cumprir sonhos, esperar notícias. Que, muitas vezes, chegam temperadas com o sal da saudade, da coragem, do amor que fica. Choremos juntos, também.



6 comentários:

Daniel Nascimento disse...

Às vezes perguntam-me sobre a "tranquilidade" com que me despeço, vou, me atiro, dou tchau. Vou indicar esse texto a quem o fizer de agora em diante.

Com um amor assim, dos amigos, e também o da família, essa "tranquilidade" vem mais fácil. Pois sei que nunca estou só. Claro que presença física, abraço, toque, olhar, audição de risos e lágrimas, cheiro, fazem diferença pra mais. Mas há um grande conforto em saber que há essas pessoas tão especiais em nossas vidas e que me deixam seguro de que estou cumprindo o maior desejo de minha vida. Que é, simplesmente, ao fim, olhar pra trás e sorrir, leve, pensando "tudo valeu a pena".

Beijão minha amiga. Até breve ;)

Iara disse...

Coisa mais linda você, esse post, esse carinho todo. Coisa mais linda essa minha vida. É doído partir. Fico pensando que é o preço de amar e ser amada, essa dor, essa saudade. Daí penso melhor e acho que triste mesmo é quem não conhece tanto amor. Quem vai embora e não leva nem deixa saudades. Eu levo, eu deixo, que bom!

Tô doida pra ir pra Lisboa. Já queria conhecer, mas com você estando aí, virou quase minha pasárgada!

Beijo, lindona! E obrigada por tudo!

Cecilia disse...

Tá fueda botar em palavras. Só vou dizer que amo vocês 3. Amo, admiro, sinto saudades. Já estou aqui morrendo de vontade de atravessar o oceano também.
Fiquem bem, viu? Aproveitem bastante!

Sardenta disse...

Ah, você me fez chorar no meio do trabalho.
Vocês vão fazem muita falta. Daqui a pouco vou embora pra Zoropa também, porque o negócio tá ficando bom pro lado de lá!

Amo tudim!

Rita disse...

Óin, que amor... lagriminhas aqui, meus amores. Sejam felizes, Iara e Daniel, em qualquer país. E você, dona Lu, não atrai gente tão especial à toa, você sabe.

Love,
Rita

Renata Lins disse...

E o Daniel encontrou as palavras certas no comentário. porque é isso, a gente pula sem rede porque a rede é essa, é forte e invisível. A rede se tece de carinhos e afetos e risos e lágrimas e abraços e saudades. E saudades. E às vezes os fios se estabelecem tão fortes e tão rápido, que é como se fora um reencontro.
Viva vocês, Iara e Daniel.
Se joguem, a rede tá aqui.

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