quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Diário de Bordo #10


Eu sempre tive a sensação que, ao chegar a um lugar novo – especialmente se for um país novo – o mais enrolado na adaptação não são as grandes coisas, as diferenças gritantes. É no miudinho que o negócio complica. Por exemplo, os centavos. Ou cêntimos. Quer coisinha mais miúda? Aqui se valoriza o centavo, nos trocos. Não os 25, os 50. O centavo. Um centavo. No caixa do supermercado o moço simpático diz: Dez euros e catorze cêntimos. Eu entrego dez euros e quinze centavos e me preparo pra sair e ele me devolve: um centavo.

Outra coisa sobre dinheiro: aqui não se cobra dez por cento. Aí eu ficava encafifada, devia deixar gorjeta? E de quanto? Como não tinha outro parâmetro, deixava dez por cento (mentira, deixava mais, receosa de ser outro padrão). Se pegasse um táxi, arredondava pra cinco, dez, quinze euros. Descobri que estava bagunçando o lance todo. Pelo que me explicaram, as gorjetas não são, assim, “generosas”. Se comeu num tipo “menu” (vulgo prato feito, moçada), não se costuma deixar nada. Se foi em restaurante com pedido na ementa (cardápio) deixa-se o arredondamento de moedas, ou um euro por pessoa, mais ou menos. No taxi, arredonda-se pro euro imediatamente superior.

Depois do momento informativo-pedagógico sobre peculiares hábitos financeiros, deixa eu contar pra vocês que estava na rua, perto de casa, quando fui abordada por uma senhora gentil pra participar de uma pesquisa/prova de uma cerveja nova pra ser lançada. Provar cerveja? Lógico. Acontece que é uma cerveja sabor limão. Vou repetir: cerveja-sabor-limão. Ninguém merece, né? Não é que seja ruim, só não parece nada nada nada com o que eu espero pôr na boca quando penso em cerveja.  E a vontade de rir? Mas me controlei, fui legal e ganhei até brinde.

O que não ganho é dia de sol quando lavo roupa. Se quando eu morava em Mossoró chovia sempre que eu estendia uma roupinha no varal, imagine aqui que o clima é propício. Pois é, anda chovendo. Lisboa não deixa de ser linda por isso. Só que agora é linda com trilha sonora: chompt, chompt, chompt (barulho dos pezinhos nas pocinhas). Bom, aproveitei uma brecha entre uma chuva e outra e comprei meu guarda-chuva. Ou ainda, uma sombrinha. Como nunca precisei desse tipo de objeto, não sei se fiz um bom negócio. Pelo menos é roxa. 

Mas chova ou faça sol amanhã eu vou à Casa Fernando Pessoa ver a Elisa Lucinda. E no final de semana, se tudo correr bem, vou, enfim, conhecer a Fundação Calouste Gulbenkian, que, sozinha, já é motivo da pessoa amar Lisboa forever. Além dos Jardins e do Museu, a Fundação tem uma Agenda/Programação Musical com apresentação de Orquestra, Solistas, Quartetos de Cordas, Transmissão de Óperas e sei lá eu que mais coisas emocionantes. Há espetáculos caros, claro. A estes não vou. Mas há apresentações empolgantes a preços razoáveis e, até, apresentações com entrada livre. E no que é que a pessoa pensa ao ver esse deslumbre todo? Rá: com que roupa eu vou, pro samba que você me convidou. 

PS. Esses dias conheci o Campo Pequeno da foto aí embaixo. É um campo de touradas. Não está em temporada mas, quando estiver, vou juntar dinheiro e coragem e vou ver uma vezinha. Ah, vou.





6 comentários:

Lud disse...

Eu adoro cerveja sabor limão. Na Alemanha tem a Radler, que é ótima (cerveja+limonada). Mas eu sou fraca pra cerveja, né, deu pra perceber.

Rita disse...

Que bom que é roxa. Né?

Rafa disse...

Gosto de cerveja sabor "cerveja" e de você. Bj

Tina Lopes disse...

Ué, achei que não tinha mais tourada. =P quando fui pra Lisboa fiquei num hotel pertinho do parque da Fundação. Os ônibus de turismo saem daí, se você quiser fazer um roteiro como o que eu fiz por Óbidos, Alcobaça e Fátima (onde só comi doces enquanto o povo rezava...). Bjk!

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Oi Flor!

Passando pra dizer que seus post são ótimas! Adoro ler sobre a experiência de se morar em outro país.

Muita paz na semana que inicia!

Beijos

Selma

Allan Robert P. J. disse...

Viver fora é uma surpresa por dia, mesmo depois de muito tempo.

Ontem assisti a uma tourada angolana (sim, Angola). Felizmente o touro cabia no meu prato.

:)

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