sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Diário de Bordo #09


Adoro que a Liberdade tá com os peitos à mostra

Quando penso assim: liberdade, chegam-me tantas coisas à cabeça... um samba-enredo, uma canção infantil, um filme e outro, sonhos adolescentes, dúvidas teóricas. Suspeita que tenho: é nas pequenas coisas que se esconde. E na morte, claro está.

Substantivo abstrato depende de outros para existir. A liberdade depende. De nós. Da materialidade do dia vivido. Do sentido que lhe damos.

Estar livre. Uma prática. Uma relação. Um desejo. Uma luta.

As que aspiro: sobre o meu corpo e não ter medo do ridículo. A que invejo: do Mandela. Livre de dentro pra fora.

Lindamente escreveuThiago de Mello (obrigada, Deborah): Fica proibido o uso da palavra liberdade, /a qual será suprimida dos dicionários /e do pântano enganoso das bocas. /A partir deste instante /a liberdade será algo vivo e transparente / como um fogo ou um rio, / e a sua morada será sempre / o coração do homem. E é uma tentação assinar a proposição. Mas só se houver a ressalva: fica permitida a Liberdade nas ruas de Lisboa.

Hoje foi o dia de inéditos por aqui. Um monte de coisas novas. Fiz a Marilyn, andei de ônibus, comi alheira, fui abordada por baianas. Mas vamos devagar. Tudo aconteceu porque decidi que não era banana a amadurecer pra ficar só no abafado. Ontem saí de casa apenas pra fazer compras no mercado, não ia repetir um segundo dia assim. Decidi percorrer a Avenida da Liberdade. Primeiro, o almoço, saí andando rua acima até encontrar um lugar simples e simpático e daí escolhi no cardápio o que eu tinha absoluta convicção que nunca tinha provado. Alheira. É uma espécie de linguiça. Devo confessar que vou comer em outros lugares pra ter uma opinião definitiva. Essa não me agradou de todo. 

Bom, saí do restaurante e fui em direção à parada. No caminho, cataploft, me senti em Salvador. Sabe quando você chega no pelourinho e trocentas mulheres vestidas de baiana querem jogar búzio, cozinhar pra você e mil outras coisas que você não faz ideia? Bom, aqui não estavam paramentadas e não iam jogar búzios, mas me vender bolsas. Serião, gente, eu andando e elas debulhando as incríveis características e vantagens de comprar a bolsa junto com as tristezas do desemprego, filhos em casa, falta de perspectiva, etc. Mas eu sou acostumada, anos de praia, com aquela dorzinha de sempre, segui. 

Rumo à Liberdade. Pra lá chegar, peguei o 28, desci no Chiado e nesse sítio, que nem cena ensaiada, estou calmamente esperando pra atravessar a rua e zás! um bafo quente sobe debaixo das grades na calçada e já está meu vestido, estilo Hollywood, mostrando-me as pernas. Não se desesperem, fui rápida e posei pra qualquer foto eventual. Ops, quis dizer que estava com as mãos desocupadas e segurei a saia direitinho. 




Enfim, peguei o metro e desci na estação Marquês de Pombal. Linda. Realmente linda aquela avenida tão larga, tão arborizada, com os belos prédios a circundá-la. Fui arregalando os olhos, apreciando de lá até a Praça dos Restauradores. No caminho, um café. Escapulir para as ruas paralelas e voltar. Encanto. Podia ter voltado de metro. Mas na entrada do metro também tinha as paradas de ônibus (ops, autocarros) e decidi seguir por cima da terra. Foi divertido.



Um comentário:

Palavras Vagabundas disse...

Ótimo passeio! Passiei junto.
Eu adoro alheira, aqui no Rio (uma cidade muito portuguesa em seus hábitos) há umas ótimas.
bjs
Jussara

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