sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Diário de Bordo #08


Ontem almocei com um querido amigo. Além do delicioso robalo e da instigante conversa, ainda tive outros ganhos: o mercado, não o sabia tão perto da minha casa, e o cemitério. Como? Não foste ainda ao Cemitério dos Prazeres? Pois hoje fui.

O cemitério é encantador. Os cemitérios assim costumam me parecer. Ensinam-me, a um só tempo, a finitude dos eventos e a permanência do sentir. Sabem a saudade. Os cemitérios guardam o tempo e nós o rebatizamos assim: lembrança e esquecimento. O vazio dos cemitérios são registros de que permanece a vida. Lá não estamos a chorar porque cá estamos a viver. Acho bonito. E necessário. E, por vezes, as visitamos, dores nossas, dores alheias, perdas nossas ou desconhecidas, um pouco a antecipar os vazios que também seremos em outrem. A morte é uma herança igualmente distribuída.

Pois, o Cemitério dos Prazeres é belíssimo e peculiar. Várias lápides e inscrições em estilos diferentes, alguns contando a história da família, outras enaltecendo a pessoa e seus feitos ou quem mandou construir o mausoléu. Como é, além de belo, bem grande, já tenho garantia de voltar muitas vezes. O Cemitério dos Prazeres tem muitos escritores/artistas portugueses lá enterrados. Já estiveram (mas foram translados) Amália Rodrigues e Fernando Pessoa. Não há nada de aterrorizador ou triste no cemitério dos prazeres, só aquela sensação tranquila de que as inscrições, tais como a memória, tornam-se, cada vez mais tênues e, por isso mesmo, mais incorporadas ao que permanece: a pedra. 




Falando em Pessoa, somos vizinhos, sabiam? A Casa Fernando Pessoa fica a 350 metros (pouco mais de cinco minutos andando) da minha casa. Tô podendo? É um Centro Cultural com exposição permanente e uma programação dinâmica. No dia 19/10, vou lá ver um Recital com Elisa Lucinda. Bom. Bom mesmo.



 Mas como não se vive só de cultura, tratemos do mercado. Será minha perdição. Peixes e peixes e peixes, absolutamente frescos e convidativos. E uvas deliciosas. E queijo de azeitão. Pode-se pedir muito pouco a mais da vida, garanto-lhes.


O primeiro almoço depois do mercado: carapau assado até a crocância, tomate e cheiro verde, pão no azeite. Ainda acostumo mal a mim mesma.


Há outras e diversas sugestões a seguir e comidinhas e lugares a descobrir. E uma lista de dicas de vinhos, rá.

3 comentários:

Juliana disse...

um amigo meu iria adorar saber da sua visita. ele já acha o São João Batista, aqui do rio, nem bonito; imagina o dos Prazeres. eu sou mais bobinha e prefiro pular qualquer tipo de visita a cemitérios.

seus diários de bordo me parecem tão felizes.que bom! eles são daquele tipo de post que eu gosto, né? A rotina que pode ser entrevista.

( olhei a foto aí e fiquei procurando o peixe.kkkk só depois me dei conta que os peixinhos são esses " galhinhos". Pra vc ver o quão íntima sou dos frutos do mar.)

Palavras Vagabundas disse...

aiai, peixes, queijos e azeites, acostumaria fácil com isso,rs
Gosto de cemitérios a Ju falou no São João Batista , não gosto muito, acho o do Caju mais interessante. O Cemitério São Paulo, é lindo e cheio de obras de arte Brecheret, Bruno Giorgio e outros, vale a visita! O de Bagé (sim, ninguém mora 6 meses numa cidade sem conhecer o cemitério) é bem singelo e bucólico com um mausoléo da Guerra Farroupilha bem imponente, enfim...gosto de cemitérios, pensar sobre a finitude e imaginar histórias passadas.
bjs
Jussara

Rita disse...

O tanto que eu adoro a palavras crocância.

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