domingo, 2 de setembro de 2012

Dos Enganos




Tem dias que me sinto uma farsa, você não? Não costumo me preocupar muito porque sei (ou penso que sei) que um dos motivos da gente não se sentir verdadeiramente a gente mesma é que a gente não é mesmo a gente mesma. Ou, pelo menos, a gente não é só essa gente mesma que a gente sabe e reconhece. Tem uma suruba de “a gente mesma” que a gente nem faz ideia. Além do eu, esse pândego deslizante, ainda tem o id e o superego aperriando  nosso juízo.

Mas, o que interessa: uma farsante. Não que eu saiba em quê exatamente eu engano. Ou a quem. Se for pensar bem – mas não quero, não quero – talvez a mim mesma. Mas lá vem esse “mesma” outra vez bagunçar tudo.

Não é isso. É um bilhete em uma garrafa. Ou aqueles troços enterrados no quintal. Para abrir daqui a X anos. Como se a memória não fosse esse antigo projetor dos slides preferidos. Ou como se o futuro não parecesse o Godzila. Porque é isso, olhando pra frente, só tememos o que já adivinhamos. Ou: eu temo. Mania de colocar na primeira pessoa do plural pra ver se fica mais fácil de lidar. Mas não. A solidão é minha. Os sonhos. Os passos. A estrada. As letras na garrafa. A ilha. Eu sou a ilha, essa metáfora tão banal. Só que com tecnologias avançadas. Pega sky, sabe. E tem GVT. E um bondinho, pode vir. 



"Se eu fosse um peixinho e soubesse nadar"

"Se essa rua fosse minha"

"Se eu pudesse por um dia, esse amor, essa alegria"

Não fosse o querer humano esse jogo de esconde-esconde sem final feliz. Mas há o banquinho e o violão. O mar. O peito largo e o abraço estreito. Há pipas coloridas contra o céu e apitos de trem. Há quartos de hotel. E uma estrada que me leva, por onde corra, pra tão dentro de mim.

8 comentários:

Liliane disse...

Eita, vc, vc, voce mesma, qualquer uma dessas que voce pensa ou não sabe ser, sendo. Amei essa doçura desnorteada.

Renata Lins disse...

Ei, Lulu... melancolia, beibe? Nada que não se resolva... vamos tomar um vinho no Chiado, visitar o Castelo de Belém, lanchar numa pastelaria linda de morrer ... vamos andar pelas ruas, pegar o bonde, vamos até, quem sabe? Dar uma chegadinha no Estoril... Beijo grandão, até lá. Vai ser logo.

Dona Lô disse...

Lu, a quanto tempo não te leio, menina! Que saudades dessa delícia toda que você pinta aqui!
Amei o visual do blog, nem vi a mudança, tamanha minha ausência.

Minha garrafa foi lançada, mas ninguém conseguiu interpretar a mensagem. Eu e meus anseios continuamos à deriva, sabe? Legal mesmo é ver as luzes dos faróis ao longe. Melhor que bússola prá orientar.

Beijo, minha linda!

Rita disse...

Ai ai...

Das coisas que vejo e gosto. disse...

O blog tá lindo !

Mas esse post , viu? Descreveu os dias que ultimamente estou vivendo...

Beijos


Selma

Anônimo disse...

Aquele castelo ainda é so a Torre ;-)

E o vinho podia ser do Porto...

Espero que volte este domingo: tenho notícias ressuscitadoras (creio)

Anônimo disse...

aqui já é domingo 00:51

Pcesar disse...

você pode ser tudo isso e muito, muito mais ainda. Mas, se quiser se lembrar, os minutos, os segundos, as hors, estão aí pra te darem a chance de rodar a baiana , cometer um crime, assaltar um banco, beijar um cara legal, arrumar umemprego no governo americano, nadar no mar do caribe, ficar sentada em gibraltar um dia inteiro, comer moqueca de siri doido em aracaju ou não fazer nada e ficar olhando vitrines nos shoppings, do lado de fora, porque dentro anda perigoso . Também pode comprar uma arma e matar pessoas, do alto de um prédio, depois rezar uma oração pela alma dos mortos, essas coisas assim bacaninhas.

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