sábado, 15 de setembro de 2012

Diário de Bordo

Então, tanto mar. O mesmo. Outro. Outra luz. Tudo um pouco assustador. Não é só outra cidade, como Mossoró. É outro mundo, não tendo, porém, a gentileza de ser absolutamente estranho e liberar o medo. Pois, porque? São quase os mesmos nomes. Quase as mesmas marcas nos supermercados. Quase as mesmas piadas. Quase os mesmos problemas. Quase a mesma comida. Quase o mesmo mar. Só que outro. Aprender a lidar com o quase, tarefa um.

E mudar o olho, claro. Não mais a entrega deslumbrada do turismo, mas o costume do todo dia. Ainda não é, mas fazer de conta que sim. Até que a ideia seja a verdade. Descobrir onde subir, onde descer, a forma certa de dizer o obrigada. Quando cumprimentar e quando não. Os ritos. As miudezas. Todas aquelas coisas que marcam como letra escarlate quem não é. 

O certo é que já tenho chave. Sei a padaria e o supermercado. Parece-me bem para o primeiro dia. 

PS. Aninha, como acha que me saí trazendo voluntariamente o encosto Amália para o post hoje?


Ou, sendo mais didática: foi um vôo tranquilo, mesmo gripada. As comissárias eram bonitos aeromoços, mas bem pouco simpáticos. Fazer o quê? Fiquei olhando, claro. Dormi e dormi e ainda arrumei tempo pra ver um filme insuportavelmente previsível, mas valia pelo bonito ator. Rende um post só sobre ele, que virá. Fila enorme para apresentar o passaporte. Depois, tudo rápido: malas, Teresa no aeroporto com um abraço generoso, café da manhã quase almoço. Abrir malas, conversar, conversar, conversar. Dormir, que sono, que sono. Mais comida, um chip novo para o celular, um chip novo de net precária pra cá. Um passeio pela cidade, espiando o prédio das minhas aulas. Mais sono. Hoje: fazer chave, compras no mercantil e, agora, estes breves sinais de fumaça. Com vontade de ainda ser ontem. Ou de ser muito depois de amanhã. E que já tenha se ido a inadequação, como se fosse possível. 

Um amor imenso por todos que recebem as mensagens nas garrafas e mandam umas outras pro lado de cá. Não cessem. Não sei se digo o bastante, mas são as letrinhas que mitigam a sede. Prometo post melhor quando tiver conexão no notebook.

PS2. Parece que o post ficou com cara de #mimimi. Não era pra ser. Estou feliz. Empolgada. Curiosa. E bem cuidada. É que ando sempre com tantos dentes à mostra que, quando posso escrever algo que não seja apenas pollyanice, me apetece. 

13 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

É o outro lado do mar. Já está baixando o banzo? Logo saberá tudo e será local.
bjs
Jussara

Palavras Vagabundas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Palavras Vagabundas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Palavras Vagabundas disse...

Foi duas vezes, exclui

Lica disse...

Pois é, foi. Agora,que o leite já eatá derramado, aproveita!
Beijos

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Coisa boa é esse " chegar" que vc mostra no texto. Pelo menos pra mim. Já parti algumas vezes e tantas já cheguei. É coisa boa ...

E logo logo tudo se acerta.

Adorei o texto.

Beijos

Selma

Renata Lins disse...

Meu amor, você não tá nem vendo, mas ando por aí pelo teu lado... observo você descobrindo novidades, descobrindo antiguidades. Reencontrando. Vendo que, afinal, nada é tão diferente. Miudezas, talvez. Mas sei que você saberá, pois gostar das gentes é o que importa, não importando se de lá ou de cá. E, quem sabe, dia desses, quando em uma de suas idas o amigo Ondjaki aportar por aí, eu não te mando uma garrafa mais substanciosa? Beijo enorme. De uma sua admiradora.

Rita disse...

Tô aqui, aí, toda hora. Feliz, feliz.

Beijo, amiga.
Rita

Caminhante disse...

Essas primeiras horas são tão intensas, tão bonitas, até dói. Estamos felizes por você e de dedinhos cruzados. A padaria daí deve ser uma perdição. Beijos enormes e bem brasileiros!

'Anjos Sujismundos' disse...

Tudo isso não são barreiras pra uma borboleta, muito pelo contrário... são incentivos pra se bater as asas com mais frenesí.Há que apenas mudar a cor das asas !

Karla Avanço disse...

Um abraço muito apertado e que você encontre aí no outro mar muito aconchego, mesmo que seja outro.

Ana Vieira disse...

Luciana querida, Amalia lhe serviu maravilhosamente nesse post. Cante-a e acenda-lhe uma vela.
Sou conscia sim, mais do que voce imagina, de ser parte do desabrochar doloroso que foi sua descoberta de que o mundo eh o seu quintal. Alias, esse foi exatamente o objetivo no longinquo ano de Taranto-Roma-Paris. Quero ver voce ir mais longe, Luciana. Quero ver sua lucidez e seu brilhantismo no mundo inteiro. Merde, ma cherie, merde!!

Rafa disse...

Te alcançando agora... Tua imagem misturada com as cores e cheiros de lisboa ainda rondando minha cabeça... acho que vai dar música sim: esse teu sorriso, o tejo, azulejos e teus negros cabelos soltos nesses ares lusitanos.
P.S. Sobre a msg desesperada (e não respondida... humpf) deixa pra lá, acho que foi TPM

Bj

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...