terça-feira, 18 de setembro de 2012

Diário de Bordo #04


Pois, a burocracia. Hoje foi o dia de descobrir que estou, em bom cearensês, lascadinha. Porque eu sou absurdamente inepta para arranjos pragmáticos e dissolução de nós burocráticos e são essas duas coisas que me esperam na esquina. Mas, como eu nasci de bunda pra lua, agradeço ao Augusto que me cedeu sua prima e à Maíra que faz o pobre marido me aturar. Sem eles, esse labirinto burocrático seria uma avalanche e eu estaria que nem aqueles personagens de desenho, com os pés balançando do lado de fora e completamente soterrada. Agora estou apenas confusa, perdida e preocupada, ou seja, muito bem, obrigada.

Eu achava que era só chegar. Pronto, cheguei. Vamos às aulas. Mas não, claro que não. Eu preciso de um NIF. Tipo um CPF. Para isso, preciso ir à Loja do Cidadão. Vamos nessa. Amanhã de manhã, num métro perto de você, Luciana embaralhada tentando descobrir a Loja do Cidadão mais próxima (sério, me considerarei ambientada no dia que escutar métro e não tiver vontade de rir). Como já estarei na rua, descobri que devo tirar um Viva Lisboa, uma espécie de passe livre em todos os transportes coletivos. Bom. Pra isso, preciso de uma foto. Not bom. Mas na estação do métro tem maquininhas automóveis. Bom, again (tô treinando inserir palavras estrangeiras na conversa porque aqui fazem isso o tempo todo). Mas é 5 euros, 4 fotinhas. Not bom. Como diria o João Grilo: tô pobre, tô rico, tô pobre, tô rico. Ou, mais dramaticamente, como é do meu estilo:



E isso é a parte fácil. Depois vem o complicado, que é ir ao SEF (quem desvendar o site ganha um doce) transformar o meu visto em uma espécie de cruza entre carteira de identidade e comprovante de residência. Tem que ser visita agendada e já fui informada que são prestativos “mas não me chegue com papéis trocados que lhe dou uma bela bifa”. #Tenso. O ideal é ir ao SEF com o endereço de residência definitivo (escutam a musiquinha de suspense ao longe? pois é, estou à procura de morada). Todo mundo na torcida por um apartamento perto da Universidade – a região é interessante mas mal servida de transporte, então o ideal é um lugarzinho que dê pra ir a pé – todo mobiliado e equipado (especialmente máquina de lavar roupa) e não caro demais. Eu sei, sou gulosa. Mas travesseiro é barato, patatipatatá.

Como é preciso alguma graça na vida, à tarde vou visitar minha nova prima para ver o apartamento dela e poder analisar o meu com elementos concretos de análise e não um simples: uffa, eu quero. Visitas serão bem vindas quando eu tiver um muquifo pra chamar de meu.

Sei que sentirei falta de estar sempre com a Teresa. Como é sabida e que conversa deliciosa. Sabe tudo. Sabe tanto e conta com tanta graça. Faz-me reconhecer o tanto que preciso aprender - e não falo de conhecimentos técnicos, mas de filmes, arquitetura, belezas. Pior que minha memória é uma gelatina e muitas vezes digo que não vi ou não sei e, quase no fim da história, ops, mas vi/sei. Enfim. 

Sentirei falta também dessa vista. Uma parede inteira feito janela e o Tejo se espalhando por todo lado. É lindo esse rio. Diz um dos Pessoas que o rio da sua aldeia é mais belo que o Tejo. Entendo-lhe a poesia, mas desconfio do sentimento. Estou completamente arrebatada. Conheço tão pouco, mas já o quero tanto! A cor que fica quando o sol lhe penetra, manso. As margens animadas em azulejos e risos. As pontes, galhardas, a ligar-me com o imponderável. Gosto tudo no Tejo, especialmente o mergulhar-me que é contemplá-lo.

Mas o Tejo já é, em mim, deixemo-lo sossegado, o que preciso mesmo é de fotinhas, documentos e aprender a andar feito tatu por baixo da terra. Mas, se calhar, vou viver é no elétrico.

2 comentários:

Cristiane Rangel disse...

Torcendo pra que aconteça, seja, faça, ouse, abuse, aja e haja sempre o melhor do melhor, pra essa melhor que é vc, mesmo com meória de gelatina (que, convenhamos, partilho contigo).

Rafa disse...

È prático o métro, mas Lisboa é elétrico. Pra sentí-la, sempre por cima, né não? Sorte com essas coisas práticas que, para mim, são também as mais confusas do mundo.

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