segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Diário de Bordo #03

 Primeiro e antes do mais importante: comida nepalesa e indiana, que gostoso. De entrada um pão que mais parece uma panqueca e, daí pra frente, só gostosuras. E novas gentes, que bom que é ouvir o sotaque em bocas tantas, cada uma em ritmo, graça e meneios próprios.

Já não foi como no sushi, não eram as pessoas mesmas, não eram os mesmos jeitos. Era um restaurante estrangeiro que os fazia ficar tão em casa. É instrutivo observar as mesas vizinhas: como pedem, quando conversam, como partilham a comida – ou não, todas aquelas coisas a que nos acostumamos em nós e no que nos cerca. A forma de pedir a conta, esse universal gesto com a mão que é particular em cada lugar, em cada pessoa.

As ruas, tão, tão estreitas. Eu sei, sou óbvia. É que me pulam ao colo tais notícias. Carrinhos minúsculos, pequenos amassados por todo o lado e ninguém se importa. Um meio de transporte, ou quase. E só. Acostumada a enormes espaços, garagens em todos os prédios e a uma certa idolatria dos automóveis, é divertido – e um tanto tenso – esse novo trânsito. Que já não será questão quando o metrô tornar-se métro, pra mim. Manguem, manguem, mas há uma diferença enorme entre andar de metrô e de métro, entre pegar um ônibus ou um comboio. Ou me acostumar a pegar um elétrico. É menos a coisa, que até é bem interessante, e mais o dito.

E aulas. Turma pequena. Não, minúscula. Oito pessoas. Regras, calendário (muito mais que uma noite inteirinha por semana, viu, irmãos galhofeiros?), atividades, conferências, apresentações e já uma tarefinha para a semana: sem power points nem qualquer tipo de suporte assim, apresentar o projeto para discussão da turma. É muito, é árduo. É um pouco como ter Tomas do outro lado da sala, suave e direto: tire a roupa. Lá Sabina e as outras tantas ficam excitadas, mas há, também, um certo temor, uma embaraço. Pois é assim: uma semana e já nos desnudamos frente a todos. Rápido e intenso, quando a luz e o clima pedem uma certa contemplação, uma vagarosidade, um langor. Mas não, bem sei, é só minha preguiça e vontade de ficar vendo o rio virar mar.

Há água em Lisboa. O Tejo é um desvario de beleza. Vejo-a da janela de onde agora estou. Vejo-a no caminho pra Universidade. Respiro-a, sinto-a. “Perto de muita água tudo é feliz”. 

10 comentários:

Renata Lins disse...

<3 Tomas e Sabina e Teresa e garrafas que me fazem viajar. Meu pai, cujo aniversário seria hoje, tinha a arte e o dom de fazer isso: postais, cartas, e por fim emails. Assim mesmo como os seus: detalhes, dia-a-dia, lindezas virginianas que pelo miúdo nos fazem chegar no miolo. Muitos beijos.

Juliana disse...

quanta lindeza!

Juliana disse...

quanta lindeza!

Turmalina disse...

Tudo bom demais!!!

Lica disse...

Que lindo, irmã! Vai contando tudinho, que saio doutora nisso aí também...

Caminhante disse...

Amando cada descoberta!

DanDi disse...

Ai, que gostoso, Lu! quero pra mim também ;-)

Beijos

p.s.: adorando o diário de bordo

Rita disse...

Hum, tá bom isso.

Bluedog disse...

É bom ler a minha Lisboa contada (com a sensibilidade e os pequenos detalhes que fazem a vida) por Luciana. Continue sempre, estou a gostar muito( preferia "estou gostando" não é ? Em Lisboa, lisboeta...).

Rafa disse...

Acho que ia precisar de um ano pra "chegar" depois eu estudava... sorte aí

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...