sábado, 29 de setembro de 2012

Caraleo, de novo



Assim, este post é em vermelho, malgrado as retinas vossas.

Quando a gente ama uma amiga, ama muito e de verdade, não faz diferença estar longe ou perto, certo? Errado. Faz uma diferença enorme não poder dar um abraço, ouvir-lhe o silêncio, deixar o riso correr caminho de ida e volta.

Este é um post de aniversário. É para dizer para a Bárbara: imensamente te amo. Te amo para caraleo. 

Em vermelhas saudades. Saudade é fio que, quem ama estrada, como eu, não consegue deixar de tecer. Só espero que seja ele, sempre, a me levar para fora do labirinto que, por vezes, tantas vezes, torno-me. E, quem sabe, a saída seja ali, juntinho a ela, num madadayo desses que se sabem prontos para encontros de amigos. 



A primeira vez que vi Bárbara, miúda e decidida, na porta do apartamento. A levar-me, em silencioso afeto, por todos os lados. Eu, inquieta, querendo tanto que ela gostasse de mim porque, bom, eu já gostava tanto dela!  Do quê? Do pensamento arguto, do discurso inteligente, sagaz e generoso, da delicadeza. Já gostava da forma serena e pertinente, do humor rápido e da incrível memória. Andamos, bebemos, rimos.

E outra e outra e outra vez, rimos, andamos e bebemos (não nessa ordem, necessariamente). E, entre uma coisa e outra, essa amizade, esse amor. Como já disse, um ano antes: é mulher de sorriso fácil, mas sorriso de Monalisa. É menina. E velha. Sabe tanto que sabe fazer silêncio e só ficar por perto. É lúcida, olha que palavra tão densa pra quem sabe ser em sardas e histórias de só sei que foi assim. Há tanto a aprender com ela: o humor rápido, o enquadramento pertinente, a interpretação ponderada, a sensibilidade para o belo, a inclinação para o ético. Há tanto a aprender com ela: não ensinar, ser. Livre, a Bárbara é livre. E generosa. Ela se dá e há nisso tanta verdade que é uma dupla alegria cada momento com ela: porque é bom e porque se sabe que é de sua livre escolha estar ali.

Seria, hoje, o dia de desejar-lhe coisas boas: que a comida seja farta, que os risos sejam sempre, que haja amor e vinho. Que a vida lhe embriague e serene, conforme as estações e as vontades. E desejo. Mas não é apenas. É também. Porque há o que ela me dá, só por ser, e isso eu quero dizer, porque há distâncias e silêncios que não podemos evitar, mas insisto:

Quando o muito fica cinza e há angústias vadiando em mim, entre tudo que penso, penso em você, amiga. Entre as minhas coisas favoritas, entre as chaleiras de cobre, os bigodes de gatos e os laços azuis. E, assim, meus desejos de aniversário são os que listei aí em cima, mas não só. Há uma cena e uma música que, juntos, já há muito representam o que de melhor sinto. Não tenho a pretensão de que lhe faça o mesmo, e nem é por isso que a dedico, mas porque, assim, é uma forma de dar-te um pouquinho de mim e, nisso, devolver-te a ti mesma, já que estás, irreversivelmente, em mim.


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