segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mais Uma de Olimpíadas...

Vivendo e aprendendo a jogar... ou, pelo menos, a torcer. Tenho um bocado de chateação com a forma como os Jogos Olímpicos são transmitidos. Parece que cada brasileiro que entra em quadra (ou na piscina, ou no tatame, etc) tem chance e a obrigação de vencer. Ignora-se, nas narrações e comentários, dois lances primários:

1) esporte é treinamento e imprevisto. Especialmente em competições de alto nível, onde as diferenças de desempenho são pequenas, minúsculos deslizes, circunstâncias incontroláveis e triviais, podem ser o diferencial para a vitória.  

2) uma competição não é um evento isolado de todo um conjunto de marcas anteriores. Não adianta esperar que a moça bonita que (hipoteticamente) tem como melhor marca 2’32’’ e, como média de desempenho nos últimos dois anos, 2’44’’, ganhe uma prova em que as principais concorrentes tenham um tempo médio de 2’13’’, por exemplo. É irreal e irresponsável.

Eu só espero dos atletas olímpicos que eles tentem fazer o que estão treinando pra fazer. Nada mais. 

I have a dream: que a cobertura esportiva seja informativa e não (ou pelo menos não exclusivamente) torcedora. Custa, ao começar uma partida qualquer, seja de esgrima, tiro, vela, vôlei, natação, tudo, tudo, sermos informados da posição do nosso atleta no ranking mundial, sua última marca e a marca esperada como vencedora? Porque, olha, se um atleta brasileiro costuma ser o 21º em uma categoria e nas Olimpíadas vai lá e chega em 18º, por exemplo, eu vou vibrar e me emocionar. Todo esse furor-vibrador-torcedor-cego contribui para banalizar certas críticas que seriam pertinentes. É claro que – como torcedor consciente que Fabiana Murer já foi campeã mundial – alguém possa achar frustrante o desempenho dela nas Olimpíadas. Mas junta-se isso ao fato de que “putz, perdemos mais uma na esgrima” como se fosse tudo do mesmo balaio. Não é.

Informar sobre políticas de investimento, sobre tipos de formação, técnicas, práticas de treinamento específicas, competições que o atleta participou recentemente, desempenho usual, tudo isso enriquece a transmissão e proporciona a formação de um torcedor melhor capacitado para vibrar, comemorar, lamentar e xingar o que ele quiser.

6 comentários:

Pandora disse...

Onde eu assino para dizer que concordo amplamente???

Lia Drumond disse...

E dá vontade de perguntar pra quem acha que 'fulano perdeu medalha' - Vc já participou de qual competição olímpica?

Assino embaixo do seu texto também. Bjjs

Juliana disse...

nesse sentido, gosto da luiza parente comentando a ginástica. Ela é sempre bem realista, explica os movimentos, elogia os atletas de outra nacionalidade.

Palavras Vagabundas disse...

Perfeito esse post. O cara se lasca quatro anos ou mais, somente para chegar lá, em geral sem grandes investimentos a não ser sua força de vontade e narradores ficam se lamentando a perda da medalha, quando o mais provável é que só ouviram falar do atleta naquele momento! Afff...
bjs
Jussara

Misturação - Ana Karla disse...

Bem observado e apoiada, totalmente.
Xeros

margaret disse...

Menina, vc escreve DEMAIS!
Vc escreve muito bem!
Aqui estou abordando todos os seus blogs.
Li em algum dos seus posts que vc fica um pouco triste por não haver lido mais, visto mais filmes...fica não, pois aí me sentirei derrotada. Estou com 56 anos, amo literatura e cinema e nem atingi a metade de vc. Meu curso de graduação é Sociologia e pós em Políticas Públicas. Sugiro a vc q compile seus textos e os publique em livros, pois fico até com labirintite seguindo tudo aquilo que escreve.

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