sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Caçada


Eu não tenho jeito pra matadora de leões, quando muito me saio bem como estapeadora de muriçocas. E, entretanto. Nesses dias, acorda-se cedo, afia-se a lança e parte-se pro corpo a corpo. Ou mata o leão ou ele te come (e nem liga no dia seguinte, não importa quantas dicas de nova você siga).



São meus dias de caça. Não sei ao certo se caçadora ou caça, mas classificação nunca foi meu forte mesmo. Só espero chegar ao fim do dia com o sorriso de sempre. Tem funcionado. Não me importo com as cicatrizes, vão fazendo rima com as ruguinhas da alegria.

Mas eu quero falar mesmo de outra coisa. De amor. A gente chega da floresta (é na floresta que tem leão, né), cansada, o sorriso esmaecendo, com fome e sede, escorrendo suor nas costas (nas florestas o clima é tropical, eu vi no filme do Bogart)... e aí: amor. E todo o mundo ganha sentido. E a gente sabe a beleza e o encantamento. E fica o coração quente. E o sorriso volta, fácil.

Por exemplo? Um sapatinho vermelho. Mais exatamente, uma sapatilha. Presente da Renata Lima. Foi assim: eu, meio ansiosa, meio excitada, completamente amedrontada com a vida nova que vem aí, mesmo que por poucos anos, outros lugares, pessoas, jeitos. Outras roupas. E ela ali, presente, disponível: essa não, essa sim, ficou linda. E quando eu dizia ah, esse não vai dar, lá estava na sacola, é presente. Não é a coisa em si (embora a coisa, nesse caso, ou as coisas, mais exatamente, sejam lindas, úteis e incríveis). É a delicadeza, o desprendimento e o olhar certeiro. Ela me vê, me sabe, me ama. Entende que o sapatinho vermelho me indica: um passo depois do outro. E um rodopio. Pronto, já sei dançar. E viajar.

Por onde? Mais amor. Sabe timing? A Iara e o Daniel sabem. Sabem fazer de páginas, abraços. Que chegam no dia certo, na hora certa, mesmo quando os Correios inventam de trocar os Ceps. Todo mundo sabe, e eu sei mais que todo mundo, o quanto sou inapta pra estar no mundo. Estou de teimosa. Desorientada (mas feliz, nem precisam me consolar). E o olhar amoroso me encontra e faz ninho lá onde vou pousar. Um livro. Tão lindo. Feito colo. Feito abismo. Vai, ele – livro - me diz. Eles – amigos -  me dizem. Se joga. Tem beleza, tem riso, tem amor, lá, aqui, é só olhar. E me mostram, porque são delicados. E aquele peso no peito ainda está lá, mas já não é angústia, é afeto. É certeza de que se não sou certinha pro mundo, tem gente no mundo que é certinho pra mim. Encaixa ali, entre uma vértebra e outra, segura o coração com as mãos e o ajuda a bater.

Tum, tum. Tem que ter ritmo. E constância. A Camilla sabe como. Desde que a caçada começou, ela sempre esteve aqui. O que ela me deu tem um nome: presença. Foram respostas, esperanças, suporte, tempo. Tanto. Saber esquecer-se para me fazer lembrar. A Camilla é farol. A gente vê ao longe e sabe o rumo. E mesmo quando não o conseguimos alcançar de uma vez só, aquela luz é companhia. Assim, a noite e seus temores são atravessados. Por causa do farol. Por causa da Camilla.

Minha mãe me diz: eu te amo sempre que vamos desligar o fone, sempre que escreve um cartão, sempre que dá boa noite. Minha mãe me diz eu te amo o tempo todo. E é sempre tão bom. “Despudorou” o amar. Eu aprendi que isso que sinto no peito, esse morno, essa vontade abraçar, de cuidar, de xamegar, de estar perto, esse pensar, esse esquecer, esse surpreender, esse já saber, esse conforto, esse encontro, tem nome: amor. Mais que nome, tem tempo e conjugação verbal: eu amo. Aprendi que sentir é bom, mas ainda melhor é dizer. Sempre. Todo dia. É isso, esse post inteiro pra dizer: Eu amo vocês, Renata, Iara, Daniel, Camilla e sou muito, muito, muito grata por vocês estarem no meu viver.

3 comentários:

Daniel Nascimento disse...

Não caberiam todos os "ó"s necessários para o "Nhóim" que este post representa!

Grato queridona, sou eu e, tomando a liberdade de falar por tod@s @s envolvid@s, todos nós de teu carinho, sorriso, amizade e amor. Grato sou, particularmente, à vida por trazer tantas pessoas assim, pra perto - mesmo que a distância. Isso apenas me faz ter a certeza de que: a) estou no caminho certo e b) meu objetivo de vida já está mais que cumprido. O que vem agora só pode ser lucro.

E só pra terminar, sendo chato (caso contrário não seria eu): leões vivem nas savanas, não nas florestas ;)

Beijão. Nos vemos além-mar \o/

Renata Lins disse...

Hahaha finalmente uma vantagem em ser Renata... aproveitar das declarações de amor feitas pra outras!!! Beijos, flor. Renata (outra...)

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Coisa boa na vida é esse amor e esse demonstrar de amor...

Beijos
Selma

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