segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Avalanche


E tem dia que o céu mais azul nos parece cinza, cinza. A soma de todos os medos. Ou quase todos. A incerteza. Não saber ao certo o que dizer, como fazer, por onde seguir. Não ter ninguém que decida por nós. Olhar o espelho e saber: eu. E ter uma angustiante percepção que eu não sou o bastante. O suficiente. Chorar seria bom, mas não há tempo pra isso. Em filmes, as avalanches, inesperadamente ruidosas, tem sua beleza. Aprisionam o olhar. Mas o belo é o véu que esconde o horror, sabemos isso com mais precisão quando estamos lá embaixo, vendo pedras e neve, implacáveis e amorais, em nossa direção. Daqui a pouco passa, eu sei, um passo em qualquer direção e a vida segue. Mas nada apaga aquele minuto de morte em que ficamos sem respirar.


6 comentários:

Renata Lins disse...

Eu não entendo de avalanches, mas de ondas. Aquela hora em que você olha pro mar e vê o paredão crescendo, e não tem mais volta, e não dá mais tempo de recuar: é abaixar o máximo, prender a respiração e torcer pra dar certo.
Bora. Bora mergulhar.

Das coisas que vejo e gosto. disse...

Uma hora o azul do céu cinza volta a aparecer.
Beijos,
Selma

Palavras Vagabundas disse...

Concord com a Renata, não é avalanche é onda. Mergulha!
bjs
Jussara

Rafa disse...

Rolling stones.... por aqui tb. Cuidemo-nos.

Bj

Misturação - Ana Karla disse...

Que todo esse cinza fique azul logo, loguinho e assim a avalanche acalma.

Joakim Antonio disse...

O cinza se dissipará, isso é fato, mas sempre precisamos parar e respirar fundo, para podermos ver para onde andamos olhando.

As vezes passamos dias sem luz do sol pela janela, mas só olhando lá fora, vemos que haviam construído uma parede e não tapado o céu.

Beijo e uma linda vida!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...