sexta-feira, 6 de julho de 2012

Visita

Minha conexão – que já é ruim, andou péssima por uns dias e o Borboletas ficou em rubra espera. De letras. Que chegaram, inesperadas, belas e comoventes. Da querida Mademoiselle C. 

Gosto quando o meu vermelho encontra a intensidade de outras pessoas. Gosto de visitas. De recebê-las, de lê-las. Gosto, ainda mais, quando me dizem tanto. É um prazer ter Mademoiselle hoje - e sempre que ela quiser - por aqui. 




De Mim, por Mademoiselle C.

Me ame. Me eleja, me veja, me adore, me cultive. Me mostre, se gabe, me privilegie, me escolha. Definitivamente. Me espere, me leve, me conduza. Me preserve, me gaste, me provoque, mas não me ameace, não mais. Me ganhe, se perca em mim, mas não me perca, não se perca por aí, não se esqueça de mim, não se esqueça de mim, não desapareça. Me conheça, me reconheça, me pesquise, se aprofunde. Me apazigue, me acalme, me nine, me adormeça, me explore, me suje, me revire, me salve, me resolva (solve me), me decida, me desordene, me acerte. Me segure, me assegure, me prenda, me amarre, se amarre. Me busque, me cante, me escreva, me fale, me ouça, me trague, me prove, me deguste. Me embriague, se embebede. De mim.



Das Pequenas Confissões

Gosto de viajar, gosto muito, amo mesmo, mas não curto me mudar. Isso tem relação com minhas incompetências: sou péssima em aspectos práticos e operacionais. Mudar tem uma série de tarefinhas que me escapam totalmente: fechar conta de luz, vender ou doar móveis, encaixotar coisas, lembrar onde está documento X ou Y, alugar caminhão pra transporte... no meu mundo encantado eu alugaria lugares mobiliados e levaria apenas roupas e livros. Mas, Luciana, seu estilo? A decoração? Sei-quê-lá seu jeito? Gente, momento confissão: eu não tenho estilo. Faz um ano e meio que moro aqui e não coloquei um quadro na parede. Não encomendei um móvel projetado, não coloquei um box no banheiro, não comprei um abajur fofinho, n-a-d-a. Espalhei meus livros. Foi isso que fiz e só. Ah, claro, eu não tive dinheiro, foi um período de liseira. Mas não justifica, porque, olha, eu tenho até os quadros – lindos – guardados em alguma caixa que não abri desde a mudança. Eu gosto de lugares bonitos, confortáveis e acolhedores? Sim. Muito. Já disse por aqui que amo o apartamento de Lemuel. A casa da minha amiga Bete. A casa da minha mãe. São exemplos dessas características e eu vivo socada lá. Também gosto de ambientes alternativos, com estilo inovador e criativo. Whatever, não tenho habilidade, jeito, memória, energia pra isso. Não estou me mudando agora. Mas tenho que, em breve. Essa casa está à venda é grande demais pra mim. Provavelmente antes de um novo lugar pra chamar de meu eu carregarei essa falta de habilidade por um tempo pra outro lugar. Um lugar de livros – isso me faz feliz. 

5 comentários:

Danielle Martins disse...

Lindamente desajeitada com os móveis não com as palavras... você mora e habita corações e o restante... não importa.
Beijos!!!

Rita disse...

Você mora no mundo.

::::FER:::: disse...

lindo o poema, sobre mudanças eu gosto de mudar de casa, de bairro de ares, mas quando penso que vou ter que insistir para que alguém monte minhas coisas ponhas os parafusos na parede, eu desanimo, pois hj em dia mesmo pagando ninguem quer fazer esse trabalho...

Mlle. C. disse...

Ah, que orgulho, que privilégio estar aqui!

Beijos, borbolinda!

Menina no Sotão disse...

Tanto tempo sem vir aqui deitar palavras. Faz falta. Enfim, estava lendo suas linhas no reader e cá estou a pensar em mim mesma a partir de ti. Eu gosto de mudar. Adoro na verdade. Queria ser Fernando Pessoa e ter apenas uma malinha a fim de tudo facilitar, mas não e o meu caso e seria muito difícil. Fato.
Eu gosto de comprar coisas para a casa. Cozinha pra mim precisa de elementos meus. E nunca sei quais sao até vê-los e doma-los. rs

Bacio

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