domingo, 24 de junho de 2012

O Bom da Vida

Corre e vá dizer pro meu benzinho,
um dizer assim: o amor é azulzinho...

Um daqueles dias em que eu lembro: o bom. As panelas e temperos. O banho de espuma. Os livros, sim, os livros. E as letrinhas que chegam como abraços.

E tem o futebol. Que anda mal das pernas. Que importa? Há as cores. Os sonhos. Os ahhs e uhhs. E os amanhãs prenhes de ontem. Amar é um delírio.

Arrumar a estante. Empilhar a alegria. Nunca consigo terminar, claro. Folheio a memória. Quem eu era quando li isso a primeira vez? E a segunda? E sempre e mais? O que procuro, quando releio? A mim mesma, talvez.

Em dias como hoje, eu entendo que você precisa de espaço. De silêncio. E que você não precisa de mim. Em dias como esse, eu entendo que todo amor acaba, mesmo o que chamamos de amizade.

Pelas persianas, vejo: céu em azul e aquela nuvem, brincalhona, imitando o gato de Alice.

Porque há um abraço que me espera, eu sei, por entre serras, longe do mar. Ficarei sem fôlego, suspeito.

E eu não sei se você lê o Drops da Fal. Devia, viu. É como uma casa de espelhos, daquelas que só vemos em filmes, em que ficamos com nariz enorme e chapéu pequenininho (e só mesmo em filmes se anda de chapéu. Eu queria, mesmo, um daqueles pequenos, com véu, que se coloca inclinado na cabeça. E um outro, de abas enormes, meio Ingrid Bergman, fazendo um viver misterioso). O universo da Fal é fantasia, esse jeito delicado e mágico de dizer: a vida real.


Eu gosto de ler. Mas, suspeito, é só um passo pro que realmente me exalta: reler. Hoje, reli Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite (compre aqui). O que todo mundo sabe: um livro elegante, beleza com senso de humor, onde o riso e a lágrima nem se alternam, mas se sobrepõem. O que eu digo: o livro em que eu reaprendi a respirar. Claro, antes a Fal me tirou a pele e deixou todos os nervos expostos. É um livro cheio de silêncios. De coisas a se adivinhar. As entrelinhas comovem. Gosto especialmente dos bilhetes, cartas, telegramas espalhados no texto. Fico com a sensação que ela abriu minhas gavetas e encontrou o que vivi e o que não, tudo arrumado em um lindo pacote amarrado com fita vermelha desbotada. Papel de carta, lembram? Daqueles bonitos, meio durinhos, quase transparentes e que faziam flop-flop quando nos preparávamos pra ler. Claro, claro, não é do meu tempo. Mas é como se. O livro da Fal é desses que faz o “como se” ser-nos tão íntimo que sentimos sem saber o quê. Isso: ser gente.

E o Manuel fez um post delicioso sobre Sete Noivas para Sete Irmãos. Disse: Donen sabia filmar a felicidade. E me fez ter vontade de aninhar-me no seu ombro e ver, em íntima alegria, Astaire fazendo dançar o cabide e os sonhos, Audrey descendo a escadaria com tanta beleza e promessa, ver Cantando na Chuva e sentir o coração pisotear poças d’água. Eu lembro a primeira vez que vi Sete Noivas...foi em uma madrugada na Globo e não havia espaço suficiente em mim pro que era, na falta de uma palavra mais precisa, bom. Leve, forte, saudável, pleno, bom. Como o dia de hoje.

Já é escuro. Noite. Tem estrela e tudo. Abro a porta da varanda, abro os olhos, abro o peito. Viver é uma coragem. 

5 comentários:

Alice disse...

"Porque há um abraço que me espera, eu sei, por entre serras, longe do mar. Ficarei sem fôlego, suspeito."

Eu fiquei mesmo foi com vontade desse livro. Super indica?

Beijos.

Luciana Nepomuceno disse...

Alice, indico demais. Indico todos os livros da Fal, ela é ótima.

Juliana disse...

o layout do blog da fal me deixa nervosa. hihihi

Palavras Vagabundas disse...

Vou ler o livro da Fal, confio na sua indicação.
Sete noivas para sete irmmãos é um dos melhores musicais que conheço!
bjs
Jussara

letyleal disse...

Simplesmente perfeito!!!

Saudades e beijos!!