terça-feira, 19 de junho de 2012

Final de Temporada



Status: brincando de tiro ao alvo com meus sonhos.

Então é assim: morrer um pouco.

Eu não sabia que doía. Não sabia o vento correndo no oco do peito e assoviando vazios.

E eu não tenho nenhum lenço branco pra acenar na estação.

Era uma vez. E não mais. O tempo zomba da minha imaginação. Eu pensei que. Mas não, nenhum peito, nenhum pouso, nenhum porto.

Eu não estou chorando, é só o amor se tornando água e sal. Saindo de mim.

Não há amanhãs pra quem está presa deste lado do espelho.

Qual a borracha adequada pra apagar da memória as letras azuis?

Um dia Zenóbia acordou sem olhos. Não havia mais futuros para ver.

Todos os dias como uma prece: não querer. Destemida, percorro os dias tão cheios de você. Como uma pontada: você nunca esteve aqui. Nunca esteve no café cedo da manhã, eu encolhida no sofá, nunca esteve no percurso do trabalho, reclamações do trânsito, do sol, do tempo. Nunca esteve no almoço corrido, nas tardes lentas, nos domingos chuvosos. Você nunca esteve na cerveja na varanda, nas intrigas amorosas, no chafurdar nos livros. Nunca esteve no ocre de Canoa, no azul do mar tão dentro de mim. Nunca, nunca, na estrada, nas perguntas, nas fronteiras, nas conversas noturnas que se tornam sol. Nunca esteve no sertão que construí pra você, letra a letra, terra e calor. Todos os dias, como uma prece: não pensar. Escrevo uma bula com meu método secreto para voltar a sorrir: o luto. Pra esquecer, procurar lembrar-se. Porque há um dia em que você não se lembra de lembrar. Só aí você esqueceu. 


4 Comments:

Fernando Amaral said...

Eita! Foi gol.

Danielle Martins said...

Só pra você ter certeza... Aqui, sempre!

Rafa said...

Aiai... Que venha Julho.

MoiselleMad said...

adorei flanar pelo blog!