sexta-feira, 8 de junho de 2012

Ao Vento


Talvez alguém tenha reparado que estou mais calada... é que estou ali, mudando o mundo. Por uns dez dias, sou a delegada da minha seção sindical no Comando Nacional de Greve.

Preciso aprender a arrumar mala, dez dias de viagem e trouxe 08 livros. Dos grandes. E comprei outro... mas não tive culpa, putz, tem uma Saraiva na esquina e o Umberto Eco ficou me paquerando que nem as duas almas no portão do cemitério...

Às vezes acho que a minha coragem, a minha alegria, as minhas virtuais virtudes são como o comportamento heróico de Stoddard: em algum lugar tem um Tom Doniphon me sustentando (não entendeu? Pergunte-me porquê)

Sabem uma coisinha que sempre me dá vontade de rir? O lance “seja você mesma”. Olha, quando eu crescer, eu não quero que meu apartamento seja a minha cara. Eu quero que meu apartamento seja a cara do Lemuel.

Cheguei em Brasília e já tive a mais linda recepção: Lia e Caê me esperando no aeroporto. Depois, foi mais alegria: Bete Davis Eyes, Pri, Dandi, Camilla Diva Magalhães, Fabiano Master Plus Fofo Camillo, Carol delícia. Ganhei uma casa só pra mim, sou rycah! Não satisfeita em me agradar assim, Lia se mudou comigo pra um apartamento quase vizinho ao meu local de trabalho em Brasília. Conversa boa. Gente linda. Existe amor em Brasília, viu.

Ela, que nada sabia de relógios, agora marca o desejo em minúcias. E se as mãos se entrelaçassem, ela se pergunta e ruboriza de saber, assim, íntima, a felicidade. Em sonhos percorre serras, montanhas e dorme em um peito que é mar, com peixes a seu redor.

Confesso, em luas como essa, sinto falta que alguém me escreva em guardanapos: eu preciso é te provar que ainda sou o mesmo menino, que não dorme a planejar travessuras e fez do som da tua risada um hino...

Sempre estrangeira: sou à esquerda demais, revolucionária de menos, mais baderneira do que deveria, menos dura do que deveria, gentil demais, criteriosa de menos, muito incomodada, pouco preocupada, apressada demais, planejo rápido... Meu lugar é outro.

"Você não entende! Eu poderia ter classe! Eu poderia ser um lutador. Eu poderia ter sido alguém, ao invés de um vagabundo, que é o que eu sou."

6 comentários:

caso.me.esqueçam disse...

em algum lugar tem um Tom Doniphon me sustentando (não entendeu? Pergunte-me porquê)

por que?

::

nao sei se existe amor em brasilia, mas é certo que ele pode ser encontrado no ceara. eu senti!

Palavras Vagabundas disse...

Bom saber por onde andas!
bjs
Jussara

Juliana disse...

Por quê?

Adoro mesmo posts assim e tô me oferecendo pra me infiltrar nas suas malas. Se cabem tantos livros, pode ser que eu caiba tb! =) Borboleta anda batendo muito essas asinhas! Oba!

Tina Lopes disse...

Amei esse post e vc é bem assim mesmo, ufa. ;)

Renata de Oliveira disse...

À esquerda demais, revolucionária de menos.
Estrangeira, vc? Vc é a pessoa mais confortável na própria pele, que ja conheci. Quando eu crescer, eu quero ser vc.
Vc é daquelas que é como o Dickon, do Jardim Secreto: estaria confortável na câmara da rainha ou numa mina de carvão. Ou numa vila de pescadores, acho que é mais vc, ainda, né?
Revoluciona tudo aí, do seu jeito!
bjs!!!

liapadilha disse...

Ela já está revolucionando, Renata! E concordo plenamente com o que disse sobre a Lu.

<3

Lu, se esse desejo se tornar um futuro, linda madrinha vc seria. :)

Escreve, escreve, escreve mais! Para embelezar o mundo, revirá-lo, e continuar nos encantando ;)

beijocas

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