segunda-feira, 28 de maio de 2012

Namorando a Lua


Quando eu namorava a lua, uma dos mais constantes rituais de amor era dormir em seu colo. Mãos juntas, conversa ritmada e o peito feito travesseiro, eu dormia. Passou o tempo, já não era lua, e um dia, um ele, disse: gosto tanto de observar você dormindo! E foi em gelo o meu peito. Um susto. Por muito tempo não pensei nisso. Mas, hoje, ônibus na estada, veio-me tudo. Eu durmo fácil em qualquer viagem. Porém, em toda parada, em qualquer parada, acordo. O ônibus diminui a velocidade e eu já me arrumo na cadeira, desperta. Por quê? Tinha uma moça na cadeira atrás da minha. O ônibus parou e ela continuou dormindo. Durante toda a parada, pessoas subindo e descendo no ônibus, luzes acesas e ela dormia. Fiquei fascinada. Dormir é estar entregue. Despida de toda tentativa de ser quem se quer ser. Despida, apenas. Se isso pode ser um apenas. Eu, que me orgulho de me jogar em abismos de olhos bem abertos, inquieto-me de já não saber dormir a não ser sozinha. Porque eu já. Antes. No tempo da lua. Sabe? Não ter medo. Esperar o bom. Saber o riso. Quero. Exatamente assim: poder ser vista, mais do que ver ou mostrar. Quero. Exatamente assim: estar entregue. Dormir, no seu braço, no seu olho, no tempo incerto. Então, que seja você. Seu abraço, cafuné, chamego. Que eu ainda possa. Olhos fechados, coração aberto. 

2 comentários:

Rita disse...

<3

Dária disse...

Que coisa mais linda! Você não me conhece e eu não costuma comentar aqui, mas vivo linkando trechos deste blog pelo mundo. Esse vai ser mais um.