Tenho uma sombrinha vermelha na alma. Ela protege o que é preciso quando saudades choram em meu peito.
Então eu fico pequenina no meu desassossego. Espiando as esquinas, decodificando sinais imaginários: se uma nuvem esconder a lua, se apagarem a luz na casa vizinha, se houver vazios. Sentindo falta. Imaginando. Vou fazendo silêncios, calando vontades. Lembrando: sou em descompassos. É que. Sim, a gente acredita. Um dia. Uma pessoa. Você? Mas não. Eu sei. Um dia de cada vez, uma solidão depois da outra. Ainda tenho a varanda, carrego meus anseios pra lá e deixo-os respirar. Sufoca tanto futuro que não é. Descobri o medo: é soletrar amor. Posso chorar um pouquinho? É melhor não, o sal já fez árido meu coração. Espio pelas janelas. O grande salão preparado. Cubro os móveis com os tristes panos cinzas. Calo o piano. Não haverá música, dança, festa. Não haverá. Não seremos. Vejo uma estrela cadente e quase faço um pedido. Quase. Desaprendi a esperança.
E aí eu me encolho no cantinho da cama e faço bem-me-quer imaginário com brancas margaridas tristes. De manhã terei olheiras e novos sorrisos. Sei zombar com carinho das minhas ilusões.
Acho que vou ver um Capra. Só pra garantir a sombrinha vermelha.

3 comentários:
Tb tenho uma sombrinha vermelhe - a real e a imaginária. E cada vez que leio estes teus posts me dá aquela vontade de te dar um colo. Sinta-se abaraçada. Bjo
Nossa... Seus escritos parecem letras de músicas!
Os acordes certos numa boa melodia, e já posso até sentir soar a harmonia de uma bela canção.Bjs
Bem-aventurados os que tem essa sombrinha vermelha ou de outras cores. Estão secos, áridos, porém, vivos enquanto há tanta gente morta andando por aí.
Bj
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