domingo, 29 de abril de 2012

Das Festas

07 é o número do infinito?

Andar de mãos dadas
Ficar uma tarde morna de domingo vendo Bergman
Acordar no teu peito
Comer açaí
Passar a noite em um boteco rindo do tempo
Dançar um bolero
Fazer listas das pequenas diferenças
(caso seja o 8): arrumar a estante de livros com método



Feliz Aniversário!

Hoje é dia de festa. Ou de festas. Aniversários. Mulheres lindas. Especiais. Aniversário da Deborah Leão, amiga que ainda será, mulher inteligente, de palavra ágil e humor sempre a postos. Aniversário da mamys, eu não sei dizer esse amor em palavras, nunca consegui alinhar letras que fossem em força, ternura, cuidado, pequenos medos, grandes coragens. Minha mãe é. Aniversário da Hertenha. Amiga. Amiga de ontens partilhados. Amiga de hojes perguntados. Amiga de sempre. Não sei ser sem ela. Ou ainda, não quero. Hertenha Glauce: Nome difícil. Peculiar. E charmosérrimo. Pronto. Falava do nome mas podia estar falando dela. Assim é minha linda. Nossa amizade tinha tudo pra não dar certo, mas deu. Porque ela tem um coração enorme. E eu, muita cara de pau. Enfim, os homens ficam e as amigas seguem. Artista, porque assim decidiu. Mãe. Esposa. Filha. Irmã. Em decisões e belezas, foi fazendo seu caminho. Ela pode ser o que quiser. Ela é forte. E, ao mesmo tempo, sempre que a vejo, tenho vontade de pôr no colo. Hertenha é movimento. Vento. Tem coisa mais linda que ela sambando? Tem não. Nem passista da minha Mangueira. Ela é emoção. Chora. Ri. Se entrega. Uma das maiores dores que já senti foi uma enxaqueca que ela teve. Ai, eu só queria entrar naquele quarto e acabar com tudo. Mas não podia nem perguntar se ela estava melhor. Hertenha se preocupa. E advinha. Quando a grande dor está pra chegar, ela sempre chega um tantinho antes pra segurar a mão da gente. Quando é pra dar carão, dá. Quando é pra acolher, abraça. E quando é dia de festa, ah, não tem graça sem ela. Eu podia dizer que é magra de ruim. Mas faltaria com a verdade: ela é boa. Amiga amada, que sabe fazer encontros. Parabéns pra você.


Desarmada



Deixa eu morrer só um pouquinho? No teu colo, na tua mão, no teu olho? Como se fosse possível isso de gostar. Como se fosse razoável querer tanto, em frases incompletas, perguntas sempre por fazer e essa curiosidade no corpo que espanta o dormir. Em um espanto, eu sei: aqui, vive-se. Vive-se e se espera em azul. O que? Estradas, voz, saber-me em um abraço. Como se viver fosse um flash back. Como se fosse o tempo errado, como se devêssemos estar em outro lugar. Um no outro, provavelmente. Tenho essa saudade, do que ainda será bom. Planejo tolices: uma mão, uma palavra, um abraço. O primeiro. Como quem chega do nada, confundo a canção e sei: se instalou feito um posseiro, dentro do meu coração. Sobram-me as janelas e um mundo imenso que percorro como se fosse uma rua sem saída. Ainda não sabe escolher caminhos, essa dona que nunca deixou de andar com o coração.


Naquele preciso momento o homem disse:
“O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruto.”
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia.

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