terça-feira, 10 de abril de 2012

Das Dores e Alguma Alegria

 Doendo




Tinha um lugar. Eu visitava sempre que podia. Alheio, mas de tanto lá estar, tornou- se um pouco meu. E, assim, um pouco eu. Descobri, hoje, que já não existe. Apagaram. Sumiu. Tudo, tudo. Fiquei sem chão. Sem ar. Doeu. Apagaram-me junto, sabe. Um tanto de mim que lá estava, em letras e linhas, já não existe. E eu gostava daquela Luciana. Gostava muito. Ela era um pouco mais espirituosa, sagaz e esperançosa do que a que costumo encontrar no espelho.  Eu costumava ter saudades dela e ir espiá-la. Fazer visitas, sei lá. Re-conhecer-me. Agora, já não posso. Ela/eu torno-me esgarça memória e, breve, serei vaga lembrança. Perdi-me. E isso nem é o que mais dói. Perdi as companhias. Os diálogos. Perdi mais um pouco de você, que se levou para tão longe, onde o dito não parece alcançar.


Vou sentindo as faltas. Morrer é assim?

Possível


Tenho que confessar, nesse feriado fui ao cinema e vi Fúria de Titãs 2. Gente, o filme é muito ruim. Não, estou sendo generosa, é péssimo. Bom, tem o Ralph Fiennes e o Liam Nesson, por isso dá pra ver sem tentar se matar. Vi em 3D o que mais uma vez me fez pensar: quem #%&*/@ inventou essa besteira? Nenhuma contribuição estética ou narrativa, só uma monte de pedras voando em nossa direção. Enfim. Depois da galhofa necessária, fiquei pensativa. Sim, sempre se pode tentar dar sentido ao sofrimento. Daí pensei que o filme não é de todo perdido. Ele faz uma bela síntese – ou eu assim quis entender – da transição de um mundo com deuses para um mundo sem eles. Os deuses, as divindades, as crenças, de uma forma ou de outra, organizam estética e eticamente as relações sociais. O certo e o errado, o bem e o mal, a noite e o dia. Tudo repartidinho e esclarecido. Sem a organização, o caos. E, olha, o caos não é um negócio bonito de se ver, menos ainda de se viver. Tudo poder é a barbárie e eu não estou dizendo isso no bom sentido. Mas, e daí? Agarrar-se a um modelo falido que aliena, discrimina e exclui porque sem ele não se chupa um chicabom, como diria o Nelson? Não, abram alas e soem as trombetas, diz o filme – e eu com ele – ou digo eu e finjo que é o filme: há uma ética a ser construída não a partir de referências externas mas decorrente da reflexão do homem e de suas limitações. Nossa fraqueza é nossa força. É o homem que pode dizer: opa, senhor caos, dê o pira que nós temos mais o que fazer. Pescar, por exemplo. E admitir: é um pesado fardo garantir isso, mais fácil esquivar-se e responsabilizar os deuses. Pesado mas necessário. E, olha, rende filmes melhores.


Quando o Dia tem Cheiro de Festa




Há pessoas que já chegam cantando "ô, abre alas que eu quero passar" e vão se instalando no banco da frente, na área VIP, no quarto com vista por mar. Tem gente que chega discreta, pega a cadeira vaga, brinca na pipoca e, lentamente, a gente vai tendo vontade de trazer pro centro da roda e aplaudir o samba. Hoje é aniversário da Anne. Eu juro que tentei lembrar quando ela se tornou tão importante e constante na minha vida e não sei narrar. Sei, claro, que foi depois do Blogueiras Feministas existir, sei que se aprofundou de alguma forma no Feministas na Cozinha, mas isso tudo não explica o imenso afeto que sinto aqui no peito e a vontade de passar tempos e tempos assim, ao seu lado, rindo, que nem na foto aí em cima. A Anne sabe cuidar, eu preciso contar isso pra vocês. Mas não só. Sabe rir junto, festejar, pensar, sentir o que incomoda, perguntar, apoiar. Ela é linda. Tem luz e calor. Hoje é aniversário da Anne e eu só queria estar pertinho pra abraçar e dizer uma centena de vezes: parabéns por você ser assim, disponível. Pra os outros, pra si mesma. Disponível pra aprender, pra amar, pra ser em relação. 


Feliz Aniversário, querida. Que seus desejos se tornem matéria e narrativa. Que haja doces surpresas. Que haja gente e carinho. Que seja em alegrias. Que seja esse dia, mas não só. Voc~e sabe, não sabe, o tanto que te quero bem?

4 comentários:

Danielle Martins disse...

O Olhos do coração continua funcionando... rs
Saudades de você!

Anne disse...

Oi amiga!
Que lindo, chorei.
Sei sim, o quanto gosta de mim. Eu também gosto muitissimo de você. Obrigada, obrigada. Senti o abraço aqui.
Beijinhos

castanhamecanica disse...

Saudações quem aqui posta e quem aqui visita.
É uma mensagem “ctrl V + ctrl C”, mas a causa é nobre.
Trata-se da divulgação de um serviço de prestação editorial independente e distribuição de e-books de poesia & afins. Para saber mais, visitem o sítio do projeto.

CASTANHA MECÂNICA - http://castanhamecanica.wordpress.com/

Que toda poesia seja livre!
Fred Caju

Rafa disse...

Menine, se "Fúrias de tintas" te fez refletir assim, se vc vir um Antonioni ou Bergman, a tese de doutorado tá pronta! ;)
Sobre a dor.. me calo. Pra fingir que ela não existe.
É covarde, mas é assim.

Saudade de tu

Bj

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...