quarta-feira, 4 de abril de 2012

Da Cintura...



Diz a Jufinaflor que gosta dos posts em que entrevê minha rotina e, assim, um pouquinho mais de  mim (nhoim, sua linda). Assim, esse post é pra ela.

Tem umas coisas esquisitas na minha casa. Por exemplo? tenho uma cama de casal, mas é no quarto de visitas. No meu quarto, colchão no chão.

Hoje resolvi me mimar: foi sushi e banheira.

Preciso comprar um anel novo para o gás.

Tenho ímãs na geladeira. Sou dessas.

Já contei aqui que trabalho não me define, que não está na lista das 15 coisas mais importantes da minha vida, nem mesmo se eu juntar família num balaio só, assim como amigos, livros e outras coisas assim? Pois é. Trabalho não é central na definição de quem sou nem é fundamental pra minha alegria. Se eu ganhasse na mega sena, por exemplo, garanto que não trabalharia mais e não sentiria falta. Mas. Sim, tem um mas. Mesmo com essa convicção de que eu sou mais eu sem trabalhar, gosto muito do que faço. Ser professora universitária em uma Universidade Federal em crescimento é muito, muito bom. A flexibilidade de horário, a possibilidade de abrir novos rumos de pesquisa, a disponibilidade para a extensão, tudo isso me dá prazer. Mas o que gosto mesmo e mais é da sala de aula. Eu nunca planejei ser professora. Desde bem nova suspeitava que o sistema educacional, se não estava falido, estava bem perto. E, ainda assim. Vocês não podem imaginar como é quando um aluno faz uma pergunta absolutamente pertinente. Que alegria! Quando trazem um olhar novo sobre uma questão, quando dão saltos teóricos, quando relacionam conceitos, quando dão um exemplo adequando, quando brilha um olho...ah, gente, eu adoro. É uma delícia aula com turma pequena, disciplina eletiva, deixar os interesses construírem as abordagens e produzirem conhecimento. Eu tenho apreciado este semestre, muito. Mesmo cansativo, uma disciplina a mais, o projeto de extensão e ainda esse lance da vara criminal, nada tira o prazer de preparar uma aula pensando no que pode agradar, de interagir com os alunos, de ler os trabalhos, de espiar pra onde vagam os pensamentos.


Da Cintura Pra Baixo



Essa sou eu, adiando o post sobre a viagem. O certo é que cheguei. Estou em casa, embora às vezes uma estrada qualquer, sem saber direito onde estou e onde é o norte, muitas vezes me pareça mais eu mesma que qualquer lugar onde desfaço a mala. Mas, enfim. Cheguei.

Antes? Foi assim: surreal. Se duvidam, é só pensar, quem já comprou um vôo que não existe? Isso aí: dia inteiro no Galeão, sozinha, vendo o tempo passar, porque a banda já tinha ido pra beira-mar curtir sol faz tempo. Eu, serelepe e faceira, pensando que ia embarcar imediatamente, logo fiquei sabendo: chá de cadeira. Chama o Kafka. Além disso, duas unhas quebradas. Não, não é vaidade. Doeu pra caramba. Sabe quando rasga a unha até a pele? Foi assim. Mas tive boa companhia. Amigo virtual pegou na mão e ficou. Amei.

Antes do antes? A alegria. Os encontros. Tem um ditado francês assim: “a gratidão é o coração da memória”. Meu mapa de viagem é feito de abraços e sorrisos. Meu percurso é em pessoas. Foi uma linda viagem. Generosos olhos, braços e palavras me acolheram. Obrigada.

Não sei como agradecer – e ainda bem que ele me adivinha – toda a cumplicidade, colchão partilhado, comidinhas e chamegos que o Lemuel me oferece. A absoluta convicção de amar é assim, eu sei.

Um obrigada em risos e afeto pela forma suave e decidida que a linda Bárbara euteamoparacaraleo Lopes tem de se fazer presente. Sampa é esse lugar de encanto porque ela está lá.

O obrigada da certeza: ter a Iara mais perto, mais tempo, foi como eu pensava. Não, foi melhor. Aquela amiga que a gente conta tudo menos por querer dizer e mais para ouvir depois.

Gratidão pelo calor no peito e riso n’alma que a amizade da Renata Lima me causa. São muitos os quilômetros que percorremos para um abraço, mas vale cada um, bem sei.

A ternura imensa de saber a Cláudia Gavenas, essa mulher-menina com olhos desbravadores e coração de leoa: forte, intenso, belo.

Tenho muito a agradecer: a beleza de saber o noivo-ogro Gilson, os sorrisos feministas na pizza da Marília, a companhia empolgada e empolgante da Barbara Manoela no show do Chico, as novidades cúmplices do Paulo, a gentileza do Fernando, até o desencontro gentil com meu querido Mario.

De Sampa a Curitiba onde fui me instalar de mala, cuia e riso no cantinho do Anderson. Esse amigo que se fez de distâncias e mudanças e que sabe fazer meu sono mais manso. Nessa cidade de frios, os mais lindos cuidados. A constância da Anne, o calor da Xênia, a cumplicidade da Thayz. As surpresas: a Caminhante em presença muito mais doce do que eu supunha, a Tina excepcionalmente delicada, tão envolvente e leve, a rápida e querida Cris, o companheiríssimo Anderson Galdino. Preciso dizer: um querido. E que, agora, é oficialmente meu fornecedor. Se rolar uma crise de abstinência, já sabem a quem culpar.

E, último pouso, Floripa. No calor daquela família de filme de Capra com direito a crianças lindas, espertas e amorosas. Com noite nordestina, barzinho em casarão histórico e um passeio por pertinho da água que fez batucada no peito. E conversê, segredinhos, planos, letras, muitas letras.

Meu peito cigano se expande em risos. Já tem vontade de partir outra vez. Fazer, da estrada, casa.



Minha estrada, meu caminho, me responda de repente
Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente?
Tanta gente, tão ligeira, que eu até perdi a conta
Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor que a dor não conta
Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro
Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
Se meu destino é ter um rumo só, choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó
Se esse rumo assim foi feito, sem aprumo e sem destino
Saio fora desse leito, desafio e desafino
Mudo a sorte do meu canto, mudo o Norte dessa estrada
Em meu povo não há santo, não há força, não há forte
Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto
Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá
Caminhando, procurando
Na certeza de encontrar


  

5 comentários:

Caminhante disse...

Foufa, não fala assim! Foi um prazer ter tua presença luminosa aqui com a gente. A Caravana Borboleta deixou saudade em todos os lugares que passou,tenha certeza =)

Juliana disse...

ah, gente, que lindeza! Adorei a Caravana Borboleta.

Menina no Sotão disse...

As vezes as palavras causam sorrisos. Outras vezes causam silêncio. Gosto muito da frase francesa que citou "a gratidão é o coração da memória" está em um livro que li há pouco. Mas essa frase não tem espaço em mim hoje. Somente o silêncio tem.
É sempre bom viajar, encontrar-se. Perder-se. Saber-se. Estar onde o coração pede e determina ou simplesmente não estar em lugar nenhum, mesmo estando... Que bom que São Paulo é uma cidade com seus encantos, muitos não a enxergam assim.

Fernando Amaral disse...

Uma crônica de viagem repleta de encantamentos borboletais! Viva!

Rita disse...

Honra.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...