quinta-feira, 8 de março de 2012

Metáfora Perfeita

Eu não sei é a mulher. Nem o que elas querem. Nem Freud, que foi o cara mais arretado que eu já li, tirou da cara o espanto. Devagarzinho, chegou-se a: mulher não é um coletivo indiscriminado a que se pode creditar um conjunto de pressupostos que expliquem sua existência ou desejo. Uma a Uma, disse Lacan, outro desses invocados psicanalistas. E nunca o ser, mas o querer único, o desejo individual, que qualifica o existir. Querer inscrito na cultura, mas dela interrogação. Querer fazer-se linguagem, mas não só. Indicação de finitude. Convocação. Não se nasce mulher, torna-se, soberba Simone, na mais simples enunciação, na mais complexa proposição. Uma a Uma. Essa uma.



Hoje, espalha-se por aí, é dia da mulher. E virão rosas. E receber rosas é a perfeita metáfora do que significa esse dia. Eu não tenho nada contra rosas, gosto até, mas o certo é que elas murcham brevemente depois de arrancadas. E esse dia da mulher, em rosas e eufóricos “parabéns por ser mulher” – como uma evidência biológica e não um vir a ser -  é assim: um efêmero oba-oba que se extingue no cotidiano dos salários diferentes para fazer a mesma atividade, nas jornadas duplas e triplas de trabalho, na regulação externa sobre o corpo feminino, na violência sistemática e institucionalizada contra a mulher, na naturalização das expectativas de comportamento, na redução da mulher à maternidade, na demanda de docilidade constante...um conjunto complexo de situações que implicam na necessidade de uma luta constante e não um arroubo romantizado sobre uma entidade coletiva indiscriminada.

Então, dão-nos rosas, como dizendo: aproveita que é só hoje. Pois eu digo: não, não me façam homenagens, não elogiem o que é um suposto em mim, não celebrem por mim e em meu nome. Pois eu digo Não. Não, desobrigada. Não quero ver meus sonhos, direitos e desejo em pétalas murchas, amanhã. 

Nenhuma Rosa hoje, a não ser essa:



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Obrigada pelo aprendizado diário SrtaBia, Iara, Thayz, Bárbara, Priscilla, Suely, Fabiana Nascimento, Francine, Eneida. Mariana, Verônica, Marília e todas as outras queridas com quem convivo virtual e pessoalmente. 

5 comentários:

Srta. Bia disse...

Sua linda! Você é uma pessoa muito especial na minha luta feminista para compreender melhor diversas coisas, especialmente a importância do sentir.

Katia disse...

MUITO OBRIGADA pelo seu post!
Estou roubando umas ideias suas para o meu FB, ok? Creditarei devidamente.

Rafa disse...

É isso tornar este dia, só este, doce e perfumado é trair-lhe o sentido real.

Bj

Maggie May disse...

faz tempo não visito os blogs, hoje vi o link no facebook e vim aqui te ler! Saudade do tempo em que esta borboleta voava no meu jardim! Beijo.

Dária disse...

Perfeito! Diga-se de passagem pus no face ontem o trecho sobre as flores, e ele já anda sendo compartilhado por aí ;)

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