sexta-feira, 9 de março de 2012

Longe


Está chegando meu aniversário e eu ainda estou aqui, longe dos olhos e abraços que me lembram quem eu sou, quem eu fui, quem eu posso ser. Sinto falta. Sinto muita falta. Falta de ter minhas frases completadas antes mesmo de eu saber o que ia dizer. Falta das piadas íntimas. Falta das conversas repetidas. Das mesmas histórias, dos medos de sempre, dos amores de ontem. Falta dos futuros em comum. Sinto falta daquela amiga que eu só via uma vez por ano e continuo vendo essa mesma vez, mas antes era como se. Como se a qualquer momento fôssemos nos ver e sabê-la colocava o meu mundo no lugar. Sinto falta da amiga de todo dia e daquela outra do dia todo. Sinto falta de casa. Do cheiro de café. Do colo. Do riso, sinto muita falta do eco de todas as nossas alegrias antigas. Sinto falta da porta da rua, de onde eu, menina, saltava sem rede para o amanhã. Sinto falta da menina que eu sabia ser. Sinto falta do beijo na calçada, da conversa no portão, das brincadeiras no quintal. De não ter medo do meu desejo. Sinto falta de aprender a ser eu. Sinto falta das vozes. De crianças outra correndo na rua. Da minha criança correndo na rua. Sinto falta do cheiro de menino. Do peso. Falta das pequenas diferenças. Do grande aconchego. Falta de saber os percursos da cidade em mim. Está chegando meu aniversário e eu estou aqui, longe de mim.


Curtas

Anda a menina, por aí, com um pequeno sol no peito.

Fui convocada para compor o rol de jurados da vara criminal daqui. Antevejo longas noites sem dormir.

Sábado passado estive em um mim mesma que há tempos não visitava e que me faz tão bem: visitei um assentamento.

O trabalho, esse semestre, só me dá alegria. O melhor são meus meninos (sim sou possessiva) do Projeto de Extensão.

E o filhote vai tão bem lá, que nem me permito sentir a falta que ele me faz.

Nada de vender a casa. Na verdade, nada da imobiliária vir tirar as fotos. Sinto-me cimentada.

Pra facilitar minha vida, perdi a tabelinha de senhas do banco. Nada de fazer transações pela internet. Aliás, única forma que eu faço. Tudo vai mal, canta Gal Costa na vitrola...

Tem coisa dolorida acontecendo com tanta gente que eu gosto que tem hora que a sensação é que me tiraram a pele.

E ainda tem a saudade. E a angústia. Não saber dói. Queria aquele exato dia em que eu me despedi. E não o faria. Não antes de garantir que fosse um até logo.

Preciso de mais estantes. Já quebrei a barreira do milhar e as pilhas não param de crescer.

Estou escrevendo no Futepoca, pelo menos uma vez por semana. Quem quiser me visitar, eu hoje estou aqui: Meninos, Eu Vi!

Ganhei HBO e Telecine por uns dias. Tenho me fartado de memórias.

Estou lendo Precisamos Falar Sobre o Kevin. E, pra equilibrar, relendo Ciranda de Pedra e O Segundo Diário Mínimo. Não, não me perguntem sobre minha noção de equilíbrio.

Amanhã, conhecerei a querida Niara com quem toco o Biscate Social Club. Isso é que eu chamo de presente de aniversário.

Quem quiser deixar beijo, abraço e votos de feliz aniversário a casa agradece. Sou assim, sutil.

5 comentários:

Juliana disse...

Gosto de quando vc deixa que a gente entreveja sua rotina.

Eu tô relendo pra ler o livro sobre o Kevin.

Adoro quem pede beijos de aniversário! Tem que pedir mesmo.

Gilson Junior disse...

Eu te amo tanto que quando leio um trem desses quero correr e te adular, te abraçar e cantar canção.

Se não serve como consolo ao menos alegra parcamente.

Luana disse...

lindos seus textos, como sempre

Allan Robert P. J. disse...

Então ficam os votos de dias felizes - Aniversário ou não - e muita comemoração.

[...vitrola?]

:)

Rafa disse...

Eu deixei os meus lá no caralivro. Eu ando num encantamento só com aquela nossa história geográfica. Queria que vc fosse virgem, engravidasse e seu pai te obrigasse a casar com o ditocujo...rs Bj

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