segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Querendo

Meu Tempo é Quando
Ele, menino ainda. Ela, já tanto. Ele, reserva. Ela, escândalo. Ele, pensamento e ela, um grito. Ele, a caminho. Ela, a própria estrada. Saboreavam as palavras conhecidas como se fossem novas: perto, quero, viagem, conhecer.. mais, mais, mais. Não era tempo, sabia-se. Porque eram deste tipo: de saber. Pensavam, sua seara é a das palavras. Ela dizia: não, não, não, em noites de querer tanto. Como se o dizer aquietasse o sangue. Ele? Ela brincava de não entender o que ele também não sabia que dizia. Era assim: quero e se perdia nela, por um pedaço de noite. Ela, rubor. Ele, velho tênis e calça desbotada. Não era agora. Claro que não era. E falavam do tempo, para que ele parasse de ser e deixasse os dois um tanto mais sozinhos. Ele, olhares distantes. Ela, olhares pra dentro. Mas, se havia o querer. E havia. E havia. Como se palavras fizessem carícias. E letras como línguas. Ele se pôs a caminho. Ela se dispôs. Ela não diga que não se assustou. Pois sim, quase corria. Mas era uma vez uma coragem e ela ficou. Ele, arisco. Ela, esquiva. Não era lugar. Mas havia o querer. E havia mão que encontrava outra. Não pode. Não deve. Mas havia o querer. E mãos que viravam bocas e também se sabiam. Queriam. E havia ainda o refúgio das palavras e eles faziam de conta que. Que não era nada. Que não era demais. Que não era querer. Que não era. Era uma vez. Uma vez não conta. E seguiram. Como se nada. Como se não tivesse existido a coragem. Mas as estradas ficaram mais largas. E os caminhos mais curtos. Ela, mais menina. Ele, mais um tanto. 

2 comentários:

Alice disse...

Que delícia de texto! Adorei o blog, seguindo.

Beijos

Menina no Sotão disse...

Pra variar eu adorei e deu uma vontade louca de tecer linhas minhas em cima das tuas. Deixa?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...