sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dos Deslumbramentos V

No futuro do pretérito
é onde melhor se conjuga o desejo. 

Porque seria tão mais fácil ficar. Faço listas: seu peito largo, aquele abraço estreito e o jeito preciso de dizer - outra vez. Porque seria uma cama, uma certeza, um prazer: você em mim. Sua voz, eu soube antes, ela faz cócegas no corpo. Acende vontades. Porque você não esquece, olha translúcido e faz perguntas tão diretas que eu tenho medo de só responder verdades. Outra lista: um filme, um livro, uma gentileza, você me advinha. Seria tão mais fácil ficar: eu sei, o abraço rápido sabe, o suspiro curto sabe, só você não sabe e eu não digo – acho bonito um homem com um vazio. A mão é quente. Grande. Presente. Ela me segura e eu só penso em escorregar entre os dedos. Pele. Seria tão mais fácil ficar: o jeito certo de encaixar as pernas, a piada, os sonhos. As noites se fazem dia sem que a lua saia do céu da boca. E nunca falta vontade, assunto ou fôlego. Eu sei tudo no pretérito imperfeito: o quarto de hotel, as roupas amassadas, um cheiro e um gosto. Há desejos que se sabem melhor assim: como se fossem acontecer. Porque era tão mais fácil ficar, ela respirou, como quem se afoga. E fez do porque, pergunta. Escolheu o difícil. E doía. 


Nota 1.
Vou explicar uma coisa pra vocês: era uma vez uma máquina fotográfica. Na mesma vez, um adolescente. Perderam-se, pois claro. Um do outro e, juntos, conseguiram perder uma série de imagens já registradas e a possibilidade de ter boas fotos no resto do passeio. Assim, sendo, vamos todos contentar-nos com o que se segue, ok?







Nota 2. Call me deslumbrada, eu amo a Europa com seu cheirinho de mofo e leve decadência. Delícia. Sempre acho interessante a discrepância entre o que me encanta e o que querem me mostrar: natureza. Legal, claro, mas, olha, sinceramente, mar e pedras e belezuras naturais eu tenho de monte aqui. Gosto de grandes e velhas construções, pequenos azulejos quebrados, museus e coisas assim-assim.


Nota 3. E eu cheguei em casa. Na ponta da língua, feijoada e essas expressões arretadas tão nossas que tenho ciúme de usar em público. À noite, sabor de mar: caranguejos. Sim, é em risos meu viver.


12 comentários:

Niara de Oliveira disse...

Amei!!! Tô querendo um verbo no gerúndio, sabe?
Beijo!

Renata Lins disse...

Delícias, hein...(mas quer saber? O que eu queria mesmo agora é o caranguejo... inda bem que ainda me sobram dois casquinhos contrabandeados.) =)

Bárbara Lopes disse...

Quando fui pra Portugal, na volta descobrimos que o filme (sim, foi naquela era) não tinha rodado um milímetro. Gostei, porque posso inventar o que eu quiser de lembranças.

beijos

Juliana disse...

foto pra quê, se vc tem olhos e memória! =p

Danielle Martins disse...

Adoro esse seu lindo sorriso!!!
Beijinhos!!!

Juju Balangandan disse...

Felicidade sempre sai bem em foto

Juju Balangandan disse...

Felicidade sempre sai bem em foto

Allan Robert P. J. disse...

Por mais que eu goste de viajar, sinto necessidade de voltar.
:)

Rita disse...

Sou deslumbrada pelo Brasil também, sinto-me inteiramente à vontade para me deslumbrar com a Europa. A África que me aguarde, tem deslumbre guardado pra mais.

Amo ver sua alegria, sua fofa.

Beijos
Rita

Palavras Vagabundas disse...

Linda viagem! É minha próxima meta Portugal e Espanha!
Agora é curtir estar em casa e as lembranças.
beijos
Jussara

caso.me.esqueçam disse...

caralho, eu poderia estar em alguma dessas fotos. ai ai. mas dêstah! eu tenho planos! :D

Rafa disse...

É isso! Esta decadência requintada de anos que não é explícita, não destrói mas se vislumbra ou pressente aqui e ali. Tem coisa mais portugal que isso?

Bj

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