Primeiro as Primeiras Coisas
Mas o que eu quero mesmo é dizer a coisa certa, chegar na hora exata, conhecer os atalhos. O que eu quero mesmo é a noite clara, a cama quente, a estrada larga. Quero mesmo mastigar com calma, ver no escuro, sorrir com os olhos. O que eu quero mesmo é aprender a andar pé ante pé, não sorver a vida em grandes goles nem contar as horas pra trás. O que eu quero mesmo é sentar de pernas cruzadas, falar baixinho e saber desenhar. Quero mesmo minha própria coleção de certezas e um baú de histórias. Quero é um relógio que me segure a mão e não me deixe chegar antes. É que me acostumo rápido demais com as alegrias.
Senso de Humor
E como a vida tem um senso de humor peculiar e não cansa de zombar da gente, eu, morena, mulata, negra (escolha a opção que preferir) fui apresentar um problema na pele observado com maior frequência em doentes de pele clara, especialmente nos tipos célticos da Europa setentrional. Ou seja, vamos rir, eu tenho o que é conhecido popularmente como "a maldição dos celtas." Celtas? Oi?
Pelo menos não é contagioso, então vocês podem continuar me abraçando, dando cafuné e manifestando outros comportamentos pele a pele.
Essa sou eu, em direção a mim mesma,
lendo todas as placas, mas sem nenhum senso de direção
Outras Considerações
Não é uma ameaça, uma provocação, uma demanda de elogios. É uma constatação. Não sou boa. Sou legal, gente fina, bem humorada, até razoavelmente interessante, mas boa, boa mesmo, na-na-ni-na-não. Também não sou má, não se assustem, apenas não sinto em mim aquela generosidade, benevolência, abnegação que costumo associar a pessoas efetivamente boas. Eu não sou.
Vejo o mundo com olhos de surpresa. Cada outra pessoa é um espanto. Mais e mais estrangeira, não há descanso possível. Racham-se espelhos e as semelhanças são fragmentos do impossível de um ser inteiro. Sem nenhuma essência, sou o que vou me fazendo: nem boa, nem má, eu.
E daí? Daí que não se deve esperar (nem mesmo eu devo) que eu me comporte como as pessoas boas se comportam. Eu não vou decidir por você só pra facilitar a sua vida. Eu não vou abrir mão do meu desejo. Eu não vou partir em silenciosa e elegante compostura. Não vou me recolher. Também não vou ficar além do meu querer. Não vou fazer mais barulho do que sempre. Não vou me estender como nunca. Eu sou a medida de todas as minhas coisas. Sou a justa medida.

6 comentários:
Em busca de si.
boa semana!
borboleta, tu eh inxirida, visse. historia eh essa de maldicao dos celtas? hahaha
Ser a medida das minhas coisas: busca de todo dia. Né?
E a pele, vai bem?
Bj
Rita
Maldição dos Celtas? Nunca ouvi falar. O nome pelo menos é poético.
"...lendo todas as placas, mas sem nenhum senso de direção" jura? Bem sei eu!
bjs
Jussara
Como sempre adorei... Minha cara!!!
Bjs bjs :)
www.umcantinhodepalavras.blogspot.com
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