domingo, 22 de janeiro de 2012

Novelo

Mais perto. É isso. Mais perto do meu medo. Mais perto do meu desejo. É que, em certas noites, o coração brinca de ser fogueira e acende o riso. Tudo é luz em histórias de um dia outro que já sinto hoje. Eu adivinho abraços, podia usar no meu cartão de visitas. Em silêncios, antecipo sua mão, onde vou caber inteira. Sei miudezas, coleciono pequenos acertos: o próximo carro é azul! É que, em certas noites, essa pequena brasa insiste em bater em meu peito. Um exagero! leques acelerados e uma certa recriminação no tom. Não há comportas para o meu sentir. Extravaso. Escapo, agora. Sou maior. E mais só. Ainda brilho, mas só no escuro. E me espanto, às vezes, como quem vive. Apontam. Sou eu? Sou. Nem ligo. A tal brasa, acesa, morna, no centro do peito. Tem querer bem de todo jeito. O meu é feito noite de São João. Tem fogueira e festa, na rua, no céu, no corpo. Mas me antecipo. Não preciso dizer tudo. Ou não agora. Não preciso, repito, como se fosse uma certeza e não uma inquietação. Eu vou muito rápido. Epa! E já pus os pés pelas mãos e, ele, um pé atrás. Eu só queria dizer que não aprendi a fazer nós. Mas me calo, não me interessa quem não põe a mão no fogo do peito. Estou cansada. Cansada de me perder nas esquinas de um corpo que ainda não visitei. Trocamos memórias como se fossem segredos. Colecionamos o outro. Insistimos em mensagens que não se complementam. Não há encaixe, não há felicidade. Sim, preciso de mapa. Se te percorrer, me acho – e no momento que escrevo sei que é mais uma das fantasias que usamos pra não latejar tanto. Tento me convencer, armando castelos de cartas, bilhetes, telegramas, mails e sinais de fumaça: um, dois, três...era uma vez: eu. Toda vez. Outra vez. A distância. Gosto das distâncias. De diminuí-las. De transformá-las. Gosto das distâncias, de sabê-las, de encontrá-las para, a seguir, perder-me em encontros. Gosto de encurtar as distâncias, modificar geografias. Gosto de pensar: aqui. Mais, gosto de pensar-te: aqui. Eu queria colocar em um bilhete curto todas as saudades que eu ainda vou sentir, todo o querer que ainda vai pulsar, todo adeus que eu ainda vou chorar. Como já não consigo, suspeito felicidades e aprendo a soletrar desejo com as letras do seu nome.

2 comentários:

Fred Caju disse...

Borboletas às vezes voam mais alto que o sol.

Pedra do Sertão disse...

Nossa, não quanta poesia no texto!

Parabéns,

Araceli

www.pedradosertao.blogspot.com

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