domingo, 18 de dezembro de 2011

Lado Esquerdo

No oco do peito, o labirinto. Lá, meu coração é minotauro. Faminto, sozinho, estranho. No seu ritmo monótono, repete os quereres: decepções, sofrimentos, gozos, angústia. Meu minotauro desconhece linguagens outras, entre o tum-tum usual, ressoa um sim-sim vadio e ansioso. Arranha as paredes, desenhando o impossível. Viver em outro peito, talvez.

Aprendi um nome para não gritar o meu: tsunami. Acho bonito dizer: devastado. É meu coração, impróprio para futuros mas de uma beleza de morte. Venta, você sente? Embaraça cabelos, olhos, mãos. Embaraça trajetos, mistura desejos, confunde as certezas. Venta e chove, sangra, talvez, mas isso são poesias pra dizer um só sim: sozinha.

Eu já naveguei em mim mesma. Dos afluentes menores até desaguar no mar de lágrimas a serem choradas, já me sei: voracidade. Dói. Em mim. Sempre em mim até quando é em outro que sangra. Porque a lâmina que corta é meu anseio. Gosto de pensar que dói mais aí do que aqui, mas também isso é literatura. Não há balança para o sofrer. Espalho miolo de pão ansiando que descubras o caminho. Mas eu sei dos pássaros que devoram olhos na madrugada. As pessoas não mudam: elas são sempre incompletas. Eu não mudo: sou em falta e não cesso de querer o que não está.

Coração vagabundo. Como Chaplin, talvez. De bengala e chapéu côco, indicando um tempo que nem foi e não mais pode ser. Um intervalo. Meu coração é anacrônico. De sorriso doce, meio perdido, generoso e um pouco tolo. Digno, perdido, ansioso. Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim.



E quem quer ganhar presente?

É tão fácil. Escolha seu texto preferido do Borboletas, vá até a caixa de comentários deste post (aperte aqui) e diga qual é e porquê gosta dele. Daí escolhe se quer livro ou filme e voilá, espera o sorteio dia 05 de janeiro.

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