sábado, 31 de dezembro de 2011

Esse e Aquele ou Quase Uma Retrospectiva

Passam. Chegam. 
E não só os anos. 


2011

A Lu me convidou pra uma retrospectiva no seu sótão. Disse ela: um livro, um filme, uma citação. Fiz. Talvez não com a atualidade desejável, mas com o sincero olhar de quem vê o tempo desfocado. Foi assim:

Eu e o calendário temos pouca intimidade. Conhecidos de elevador, apenas, um bom dia ou boa noite, e seguimos, cada um no seu ritmo. Assim, pouco sei do que acontece a cada dia, a cada mês, a cada ano. Já eu e o tempo temos intimidade, amigos de conversas na varanda, mãos dadas e cumplicidade. É ele que me traz mimos que me acompanham e sobre os quais não discuto procedência ou origem. O livro que tem me acompanhado, que anda na bolsa, que me convoca vez em quando ao mistério, é A Dor, de M. Duras. Não é seu melhor, não é o que mais gosto, mas é o que se faz necessário. Porque aprendo esperas. E mudanças. E a me aceitar em meus desejos, medos e desamores. Fez-me bem. Enquanto debruço-me pra ver luas que se revezam, escuto Maninha, com Miúcha e Chico sendo o que são: fraternos, doces, possíveis. É daquelas canções que doem no oco do peito, que salgam os olhos e secam a boca. Lembra a vulnerabilidade de cada um e a necessidade de encarar o passado. Tenho escutado ainda mais porque as coisas não correm como deveriam. Já se devia, no Brasil, ter aberto os arquivos da ditadura e feito valer o que é certo. Mas tarda. Quando os olhos deixam o céu e pedem enredo, encolho-me no sofá. Esse tem sido um tempo de Dvds, evitando os cinemas lotados de dublagens infanto-juvenis, revejo o que me agrada sempre. E sempre me agrada a suave beleza de The Band Wagon (A Roda da Fortuna), um filme que nunca perde a luz. Quando Astaire e Charise passeiam no parque, eu – que nunca consigo definir – sei o que é beleza. E respiro, com forças pra mais. Mais? Um dia, um ano, uma vida. Assim, sigo, meio Alice, com todo o País das Maravilhas como citação pro ano que vem. Mais leveza, cada vez mais leveza. E pra não esquecer, trago na cabeceira a citação de Oliverio Girondo: “Não me importa uma porra que as mulheres tenham os seios como magnólias ou como figos secos; uma pele de pêssego ou de lixa. Também é indiferente se amanhecem com um hálito afrodisíaco ou um hálito insecticida. Sou perfeitamente capaz de suportar um nariz que arrecadaria o primeiro prémio numa exposição de cenouras; mas, isso sim – e nisso sou irredutível –, não lhes perdoo, sob nenhum pretexto, que não saibam voar.”


2012

Que seja leve. E em cores. 

4 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

Não sei como anda minha intimidade com o calendário, mas tenho certeza que ele anda correndo de mim e cada vez mais rápido e eu indo devagaaar...
Se for leve e em cores com certeza será um belo ano.
bjs
Jussara

Danielle Martins disse...

Que seja leve minha linda borboleta, que seja leve...

Glória Maria Vieira disse...

Borboleta em meus olhos...
Feliz todos os anos que ainda estão por vir, porque você não poder, nem por um segundo, desbotar suas cores tão cheias de vida.

Saudade, viu?! Acho que estou de volta...

Menina no Sotão disse...

Oie, cheguei aqui. Tanta coisa para ler, mas vou fazer aos poucos porque hoje eu estou apenas voltando... rs
Cores? Eu quero apenas o vermelho, viu? rs Dos guarda chuva. Da paixão. Porque pra tudo é preciso paixão.

bacio

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