terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Biscate Social Club e Outras Veredas

Sabe aquela brincadeira com sabor de vontade que, de repente, fica real? Ou aquele convite inesperado que encontra eco no seu prévio pensar? Por estes dias andei me espalhando por aí. Chegou um convite, respondido com muito carinho, lá do sótão da menina Lu Guedes. E uma idéia coletivamente gestada se tornou material. É o Biscate Social Club, um blog bem humorado e acolhedor, que já tem página no Facebook e arroba no twitter (@BiscateSC). 


Então, um tiquinho de cada pra vocês aprenderem os caminhos...



O tempo, lá no Menina do Sótão: Eu e o calendário temos pouca intimidade. Conhecidos de elevador, apenas, um bom dia ouboa noite, e seguimos, cada um no seu ritmo. Assim, pouco sei do que acontece a cada dia, a cada mês, a cada ano. Já eu e o tempo temos intimidade, amigos de conversas na varanda, mãos dadas e cumplicidade. É ele que me traz mimos que me acompanham e sobre os quais não discuto procedência ou origem. O livro que tem me acompanhado, que anda na bolsa, que me convoca vez em quando ao mistério, é A Dor, de M. Duras. Não é seu melhor, não é o que mais gosto, mas é o que se faz necessário. Porque aprendo esperas. E mudanças. E a me aceitar em meus desejos, medos e desamores. Fez-me bem. Enquanto debruço-me pra ver luas que se revezam, escuto Maninha, com Miúcha e Chico sendo o que são: fraternos, doces, possíveis. É daquelas canções que doem no oco do peito, que salgam os olhos e secam a boca. (continua aqui)



Corpo, no Biscate Social Club: Um corpo. Meu corpo, já andei dizendo e não me esquivo. O corpo é meu, eu decido. Mas é ainda mais. O corpo sou eu. Nem devia esclarecer, mas me antecipo: meu corpo sou eu, mas eu não sou meu corpo. Melhor: não sou só meu corpo. Mas ele me é. Encontro nele aquela gargalhada longa no escuro do cinema: tá ali, risquinhos no cantinho do olho, feito arabescos. Encontro as longas conversas entremeadas de cerveja com os amigos queridos, aqui, na curva da barriga. Encontro o prazer da mamada segura do meu filho nos seios maiores que me deixou. Encontro a preocupação com as contas da casa, com o trabalho, com a saúde da família, aqui, nos fios brancos que dão diversidade aos cabelos. Encontro o gozo das mãos de homem que o reinventaram em contornos. Encontro as descobertas da infância, ali, no olhar encantado. As aventuras de sempre, os medos de nunca. O tempo se faz corpo. O corpo se faz quando. Um corpo se sabe mapa de indicações de futuro. (continua aqui)

Fácil, no Biscate Social Club: A gente aprende a rir baixinho, desviar os olhos, sentar de pernas juntas. A gente aprende a chegar tarde, sair cedo e não dar vexame. Aprende a ter vergonha. E, ainda mais, a ter vergonha até pelos outros. Vergonha alheia, dizem e assentimos, certinhas. Aprendemos que o ridículo nos desmerece, que a opinião do outro vale mais que prazer momentâneo, que o certo vem antes do bom. Aprendemos que ser difícil nos faz diferenciadas e desejáveis e que é melhor esperar a pessoa certa, a hora certa, o lugar certo. Que nunca parecem ser quando queremos, onde queremos e quando queremos. Pois eu não. Sou fácil. Riso fácil. Olho no olho. Pernas que abrem e fecham em passos largos em direção ao meu desejo. Chego cedo, chego antes, quero muito. Saio quando me apraz. Sou responsável pelo que faço e não uso régua alheia pra saber o que me cabe. Sou ridícula, uso estampa, chapéu, laço. Cada dia mais livre, cada dia mais fácil, cada dia mais eu: mais menina, mais ingênua, mais sabida, mais mulher da vida, de toda patente, mais suburbana, mais confiante, mais atriz, mais atrevida, mais parada-pregada-na-pedra-do-porto, mais gata, mais alegre, mais atenta, mais sirena, mais morena com olhos d’água, mais mais mais. Mais bandoleira. (continua aqui)

Uma Biscate Qualquer, no Biscate Social Club: Ela trepa. Ou não. Só se quiser, mas não sempre que quer, infelizmente. Uma biscate canta alto, lavando a louça, e baixinho, lavando a alma. Porque uma biscate faz essas coisas de quem vive: limpa a casa, cozinha e, vez ou outra, sente o oco no peito e lembra de chorar. Uma biscate trabalha até tarde, bebe com os amigos, resmunga no cinema. Biscate toma banhos demorados e faz caretas pro espelho. Uma biscate esquece futuros e vive as alegrias que se apresentam. Mas, vez ou outra, sonha dormir de conchinha.  Acorda meio melancólica, mas ri de si mesma e se sabe ótima companhia. Uma biscate paquera no metrô, só pra não esquecer como é. E dança a noite toda na balada de olhos fechados, sentindo a música brincar nas esquinas do corpo. Biscate tem filho e se preocupa com as notas do fim de ano. E viaja sozinha e não liga pra casa nem pra dar bom dia. Biscate passa a noite acordada, consolando a amiga no telefone. Aí, de manhã, faz maquiagem realçando as olheiras e se diverte com as teorias orgiásticas que explicam o rosto amassado. Biscate diz sim. E não. (continua aqui)

E os presentes?

É tão fácil. Escolha seu texto preferido do Borboletas, vá até a caixa de comentários deste post (aperte aqui) e diga qual é e porquê gosta dele. Daí escolhe se quer livro ou filme e voilá, espera o sorteio dia 05 de janeiro.

5 comentários:

Palavras Vagabundas disse...

Lu, gostei do nome do club, estou meio lentinha mas o club é para falar de sexo?
bjs
Jussara

sandro caldas disse...

Eu adorei o texto. Muito. Você, hoje, me bombardeou de linhas interessantes. E que ataque bom, viu?
Sejamos todas e todos livres, sempre!
Beijos, beijos, e mais beijos!

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Hoje minha visita é para agradecer
o presente que é para mim
a sua amizade,
e também desejar
um maravilhoso Natal,
onde possas encontrar nestes dias
ainda mais inspiração
para a alegria de ser feliz,
e para o milagre de fazer
quem passa por tua vida feliz.

Que o teu olhar seja a mais perfeita
luz do Natal a enfeitar o mundo.

Allan Robert P. J. disse...

Você e a Lu juntas? Isso vai render horas de leitura. :)

Feliz Ano Novo!

caso.me.esqueçam disse...

papai borboleta!

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