sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Meme dos Filmes #23 - Melhor DR

Se esse Meme fosse ano passado, eu escolheria um filme meio bobinho, mas que tem cenas ótimas, com Michelle Pfeiffer e o meio canastrão Bruce Willis, pra ser o representante na categoria Melhor DR. Escolheria A História de Nós Dois especialmente pela ótima fala final da personagem de Pfeiffer que compara uma relação a uma cidade. Gosto muito dessa metáfora e gosto mais ainda ao lembrar de todas as Romas que já foram (e que é a metáfora do Freud para o inconsciente).

Veja cena aqui. Há uma história aqui, e histórias não acontecem do dia para a noite. Na Mesopotâmia ou na Tróia antiga há cidades construídas sobre outras cidades, mas eu não quero construir outra cidade. Gosto dessa. (...) Isso diz muito sobree um caráter. E no fim não é isso que importa? O que a pessoa é? Porque aquela garota de capacete ainda está aqui “bee boo bee boo”. Eu nem sabia que ela existia até conhecer você. E tenho medo que, se me deixar, talvez eu nunca mais a veja. Mesmo tendo dito que você a tirou de mim. Não é um paradoxo? Não chegamos ao paradoxo essencial? Dar e tomar, empurrar e puxar, yin e yang, os bons e os maus momentos. Dickens disse bem. Jack Sprat. Ele não podia comer gordura. A esposa, carne magra. Mas isso não se aplica aqui, não é? O que estou tentando dizer é, vamos a Chow Fun’s porque eu te amo!

Melhor DR

Mas, que linda é a vida, o tempo, as viagens, a Juliette Binoche e os diretores de nome esquisito. Essa miscelânea agiu e mudou a minha escolha. Minha DR favorita não acontece em um filme. Minha DR favorita é um filme inteiro: Cópia Fiel. Cópia Fiel é daqueles filmes que nos roubam todas as palavras elogiosas, mas a gente teimosamente segue tentando. É complexo, sutil e bem estruturado. É, também, leve. É um filme que, mais que narrar uma história, convida o expectador a fabular junto. É cativante acompanhar o trajeto do casal pela bela Toscana. É comovente ver Juliette e seu brinco enorme, seu batom tão vermelho, seu cansaço na escada da igreja, sua tentativa de fazer dar certo. O quê? O viver, talvez. É um personagem vulnerável, mas insistente em ser feliz. É belo, é tocante e me arde em reconhecimentos.



Cópia Fiel tem sutilezas que devem ser ainda mais apreciadas por pessoas com mais contato com línguas estrangeiras que beijos sexys (minha única convivência). É fantástico como se joga com o conhecimento/desconhecimento do discurso do outro, a passagem de inglês/francês/italiano nas várias cenas de interação do casal acentuam as dúvidas sobre o relacionamento do mesmo. Saber a “verdade” não é importante. O filme enfatiza repetições e reflexos, na narrativa, mas especialmente nas imagens. Que linda que é a sequência de fotos na igreja, pelo vidro vemos vários casais antigos e, no recorte da porta, como numa moldura, o novo casal. No meio, eles, nossa pergunta ambulante.


O filme nos convida ao riso, mas não a gargalhada solta e sim o humor de quem sabe que a vida é mais que preto e branco e que é preciso saber rir de si mesmo. Mas é uma grande DR, dizia eu. 15 anos de relacionamento colocados em questão. 15 anos de um relacionamento que talvez nem tenha sido, mas que importa? Importa é que se sabe dos vazios, das esperas, das angústias, dos desencontros. Importa é que se sabe das esperanças. Das rotinas. Do conforto de se saber no outro. Importa é poder descansar um tantinho no ombro do outro. Importa é poder voltar, mesmo onde nunca se foi.

O filme é de uma execução brilhante, a forma bem escolhida, o tom e o ritmo certos, o silencioso desenlace, tudo.  Os diálogos são saborosos, o final é intrigante, a direção é inteligente e os atores, especialmente Juliette, inebriam os sentidos. Um filme que é uma longa DR, mas que é, também, um alento no cinema feito por aí. E se mais não fosse, tem a cena de Juliette descalçando as sandálias. Olha, sério, chorei.

E uma das coisas mais lindas é pensar na incrível mistura necessária pra tanto brilho: diretor iraniano, paisagem italiana, atriz francesa, ator britânico. Um filme enraizado na beleza.

3 comentários:

Tina Lopes disse...

Ai, sou louca pela Juliette, me arrependi de não tê-la citado no Melhor Atriz. Enfim. O da Michelle Pfeiffer eu só comecei a ver mas descurti. E sabe que eu não continuo filme até o fim, quando não me pega. Vou tentar achar esse no vídeo (sou dessas, vintage).

sandro caldas disse...

Sua escolha de DR foi primorosa! Adoro esse filme e mal lembrava dele!
Beijos!

Hugo Avelar disse...

Foi uma pena eu ter demorado pra entender (sou lerdo e tava lerdo no dia). Quero ver de novo.

Escolhemos igual! =D

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