quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Meme dos Filmes #20 - Melhor Comédia Romântica

O amor, ai, o amor. Vira, mexe, rebola e, quando vemos, é disso que estamos falando. Ou, pelo menos, os livros e filmes. O amor dá pano pra drama, digo, pra manga. Em suas várias facetas (de mãe, entre irmãos, entre amigos) ele nos comove. E, às vezes, nos faz rir. A comédia romântica é um gênero sempre em alta. Com mais ênfase ora na comédia (como já falei aqui mesmo nesse meme) ora no romance, elas permanecem.

Mas se você não gosta de comédia romântica, se acha chata a história de pessoas incompatíveis que acabam se apaixonando, já digo quem você pode xingar: Capra. E, se detestar mesmo, aproveita e coloca nas contra-preces o Gable e a Claudette Colbert. Aconteceu Naquela Noite (1934) é a referência de quase todos os filmes neste estilo. E tem um monte de babado em relação a esse filme. Como eu sei? Bom, é que eu sou doidinha por E o vento levou...daí, claro, arrasto maior asa pro Gable. E fui espiar os filmes que ele fez e tchãs, vi esse e fiquei louca. Porque é bom. Muito, muito bom. 



Mas, voltando ás fofocas, Gable trabalhava pra um estúdio (que eu não lembro qual, claro) e lá achavam que ele estava muito folgado. Daí, emprestaram o cara pra Columbia, pra trabalhar num filme de Capra (que não gostou nadinha porque tinha outro ator em mente). Era uma espécie de castigo pra Gable, porque era um daqueles filmes de baixo orçamento, sem nada de “especial” (ainda não se sabia que as comédias românticas seriam caixa certo, já que esse filme foi quem deu o pontapé no fenômeno). Gable, que não era moleza, chegou bêbado no primeiro dia de filmagem. Pra completar, ele e Colbert começaram a implicar um com o outro. Imagine, uma festa o making off desse filme, né? Mas – e que bom que tem um mas – eles tinham química, o roteiro era uma delicinha de falas inteligentes e ácidas, a cena da carona (ainda hoje copiada) foi um sucesso, sem falar que foi a primeira cena sexy masculina do cinema com Gable trocando de roupa, wow. Ah, e que linda a cena das muralhas de Jericó, né? No decorrer da filmagem, Gable começou a gostar do papel (e do diretor, ficaram grandes amigos). O estúdio nem investiu em divulgação, o começo de temporada foi bem fraco pro filme. E aí, a mágica. A história, de humor na medida certa, da moça rica e mimada que encontra um adversário à altura no jornalista encrenqueiro seduziu o imaginário e a propaganda boca-a-boca fez o resto. O filme virou história, só pra se ter uma idéia foi o primeiro filme a ganhar os cinco principais Oscars: melhor filme, direção, roteiro, ator e atriz). Olha, se você não viu, veja. É daqueles filmes que não envelhecem, que não perdem o encanto, sabe. E tem aqueles personagens que a gente não esquece de tão bem construídos, destaque para Gable que consegue ser durão, terno, cínico, gentil e convincente em todos os momentos.


O resuminho: a personagem da Claudette é uma herdeira doidinha pra casar com um cara que o pai dela considera caça-dotes. Ela, claro, foge. E, mais evidente ainda, perde o dinheiro e o rumo. Pra chegar em NY e encontrar o noivo tem que contar com a ajuda de um cínico jornalista que acabou de perder o emprego. O trato: ele a leva até lá e, em troca, ganha uma reportagem exclusiva. Ah, o caminho é cheio de incidentes, pedem carona, dormem em um celeiro, se desentendem, voltam ás boas, até que ela nem lembra mais que está indo em busca de outro cara e ele fica se perguntando se a matéria vale a pena. Tudo que a gente vê em zils comédias românticas por ano, mas tudo tão único e bem feito que se vê e revê esse filme sem cansar.


 Apesar de todo o amor que tenho por Aconteceu Naquela Noite, a minha comédia romântica, aquela que me leva do riso ao pranto e de novo ao riso com a facilidade de quem manipula um marionete, é Harry e Sally


Sim, Billy Crystal (no, talvez, único papel realmente bom) e Meg Ryan (a rainha das comédias românticas) naquele filme em que muitos clichês são explorados, mas muitos são solenemente ignorados e subvertidos. Eu nem sei dizer do que mais gosto: se das pequenas histórias que cruzam a história central e dão as matizes da concretude dos relacionamentos amorosos, se dos embates calorosos entre os dois protagonistas, se da narrativa não se preocupar em envelhecer os personagens e explicitar a dificuldade de ser par, se do fato de não ser a paixão instantânea (esse passe de mágica do cinema) o motor do relacionamento, mas os encontros, as conversas, a convivência que os faz descobrirem-se um para o outro....O ritmo de Harry e Sally não é o ritmo das comédias contemporâneas. Aliás, mesmo sendo do fim da década de 80 o filme se parece mais com as comédias dos anos 50 em que toda uma série de eventos precisam ocorrer pra que se construam as situações-chave da narrativa. Eu, particularmente, gosto muito dessa estrutura. É como se a aposta fosse: tá vendo tudo em comum que existe? É cenário. O que importa é a particularidade da história de cada um. Todo mundo já sabe que Harry e Sally vão ficar juntos desde a primeira vez que aparecem, o que importa é o como. Essa é a beleza, o charme e a singularidade desse filme (e de filmes com essa lógica). Meg Ryan fingindo orgasmo, Billy Cristal encontrando a ex esposa e o novo marido, a cena do encontro às escuras, os dois vendo Casablanca juntos, mas cada um em sua casa...uma série de situações que não me deixam, que sempre me tocam, que fazem desse filme um daqueles de maior estima. Alguma coisa acontece no meu coração quando Harry encontra Sally...

1. Melhor que eu, falou a Tina sobre Harry e Sally, vai lá espiar....

2. Se você quer ver Aconteceu Naquela Noite todinho, é fácil, é só apertar aqui e o youtube te mostra, com legenda e tudo....

3. Três sugestões de comédias românticas mais atuais e um tiquinho fora do padrão: Simplesmente Amor (2003, Inglaterra/EUA), Alguém Tem que Ceder e Medianeras (2011, Argentina).

4. Eu pensei em falar de um filme de Billy Wilder, mas como escolher um só? Fica aqui minha reverência.

6 comentários:

Renata Andrada disse...

Fiquei com vontade de ver o do Gable. Apesar (e você vai querer me matar) de achá-lo meio asquerosinho, rs...

Tina Lopes disse...

Clark Gable tirava a dentadura e corria atrás da Vivian Leigh banguela, no set de E O Vento Levou. hahahaah (detesto detesto detesto Simplesmente Amor, mas vou atrás desse que vc indicou).

Palavras Vagabundas disse...

Lu,
adoro "Aconteceu naquela noite", nem sei quantas vezes eu já vi. Tenho um dicionário de cinema que diz que a Clauddete Colbert também fez o filme obrigada, para cumprir o contrato, pois queria mudar de estúdio, ou seja, tinha tudo para dar errado! Deu tão certo que levaram o Oscar e o filme está sendo copiado até hoje. Gable sem a camisa foi um escandalo sem tamanho, mocinhas direitas foram proibidas de ver o filme, adoro!!!!
bjs
Jussara

Sheyla Xavier - DMulheres disse...

Luciana,
Adoroooooooooo filmes de amor, melosos e de cair lágrimas rsrsr Vou atrás de assistir esse agorinha...
Seus posts sempre maravilhosos!
bjokas
http://blogdmulheres.blogspot.com

Caminhante disse...

Eu nem saiba que havia uma primeira cena de carona. Pra mim, mulheres pediam carona com as pernas desde o início da criação.

Deise Luz disse...

Li dia desses sobre a dentadura do Clark Gable, hehe. Alguma coisa envolvendo a Grace Kelly...

Eu gosto de Alguém tem que ceder, de Medianeras ouvi falar super bem, mas não vi.

E, gente, preciso ver Harry e Sally! Só eu no mundo não vi.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...