sábado, 19 de novembro de 2011

Meme dos Filmes #17 - Brasileirão

Eu tenho visto um bocado de filmes brasileiros novos. Alguns, interessantes, outros uma boa porcaria. Vou logo arrumando inimizade e dizendo que o Tropa de Elite não me entra. Entretanto nenhum desses filmes aparece no meu juízo quando penso assim: Brasileirão. Eu pensei mesmo foi em Bye, Bye Brasil - mas nem preciso dizer nada, a Tina disse mais e melhor.

Daí matutei: qual, então? E pensei em três filmes que me comovem. Não são necessariamente bons filmes. Um deles é até um filme bem ruinzinho e com certeza não entra na lista de mais ninguém. Mas me encantam e cinema, pra mim, é também esse olhar aprisionado. Dois deles são dirigidos pelo Cacá Diegues (que também é o responsável pelo já mencionado Bye, bye, Brasil). O outro eu não faço idéia de quem dirigiu, mas sei bem demais quem fez a trilha e quem o estreou. O terceiro é o filme da minha infância.

São eles: Veja Esta Canção, Quando o Carnaval Chegar Os Saltimbancos Trapalhões. Pode rir, eu sei. Quem no mundo cita o Didi quando vai falar de bom cinema? Não dá, né. Mas eu sempre amei o circo, sempre amei musicais e – desde que me lembro – sempre considerei que “Mas agora o meu dia-a-dia, é no meio da gataria, pela rua virando lata, eu sou mais eu, mais gata, numa louca serenata” uma proposta de vida bem animadora. Além disso, nesse filme, o Didi tem um ar tão vagabundo chapliniano...

Quando o Carnaval Chegar, ah, eu amo tudo nesse filme, o ar mambembe, os romances, a interpretação canastrona do Chico, a incrível introspecção de Nara, o ar teatral de Bethania, o Pitanga sempre esperando a grande chance que é mais uma desilusão. É um filme cheio de graça, terno e com um ar de promessa. Gosto dos conflitos, das dificuldades, da beleza de sofrer e de querer não mais doer. Tudo, tudo, gosto tudo, mas nada como e tanto quanto Nara Leão, tão desamparada, cantando Soneto. Quando o Carnaval Chegar é – além de um linda metáfora vida/carnaval - uma espécie de ancestral de Bye, bye, Brasil, com o ônibus multicolorido fazendo festa onde chega.


Veja Esta Canção? Olha, coincidência (né?) tem música do Chico Buarque. É um filme interessante, quatro mininarrativas baseadas em canções de compositores brasileiros de referência: Drão – do Gil, Pisada de elefante – Jorge Ben, Você é linda – Caetano e Samba do Grande Amor – do já referido Chico. Cada episódio tem um “sotaque” diferente, indo da comédia leve à tragédia e técnicas de direção e desenvolvimento do enredo diferentes. Do naturalismo ao surreal, do realismo ao teatral, as quatro narrativas formam um mosaico diversificado e atraente. É um filme que mostra a completa penúria em que o cinema se encontrava na época de sua realização, o final do último episódio é meio tosco não em idéia apenas (mas é um tiquinho), mas principalmente em recursos técnicos. 

O primeiro episódio – Drão - conta com Pedro Cardoso e Débora Bloch e se alguém não acha engraçado ele com aquela caixa de som e suas teorias filosóficas sobre o mundo rodando e encontrar o seu amor... nem sei, viu. 

O segundo – Você é Linda - trata da vivência de adolescentes que vivem na rua e, sim, tem a denúncia social, mas não é o foco. É um olhar generoso sobre as possibilidades de encontro, cuidado, afeto. É triste, mas daquela tristeza que não imobiliza, que cutuca, que pergunta. 

Pisada de Elefante é sensual, trágico, meio Carmem. Um episódio muito bem desenvolvido com personagens bem estruturados, sem caricaturas, mas com peculiaridades que os definem em pouco tempo. 

E o último, ah, o episódio com Fernando Montenegro fazendo sexo (coloco isso aqui pra causar, né) é pura poesia. A metáfora com o bolo é de uma limpidez e de um humor ímpar. Dá gosto ver o Fernando Torres se empanturrar de bolo, ah, dá. É uma linda história de amor, aliás, de amores. Puxa, o cara ama uma voz e faz peregrinação de porta em porta até encontrar A mulher.


(trecho final do episódio Drão, delicinha)


Veja esta canção é um filme que tem muitos méritos, e o menor não é a empolgação, prazer e leveza que seu diretor lhe empresta. Mais não seja, é também responsável pelos contatos que viabilizaram que Cacá tocasse o projeto “Cinco Vezes Favela, agora por eles mesmos”.

Também participando do Meme dos Filmes (saiba mais neste post aqui):
Tina – Pergunte ao Pixel 
Verônica - Will you do the fandango?
AndreV. – Lágrimas de Crocodilo
 Renata – Muitos e Duplos
Deise Luz – Sete Faces
Ludelfuego - Presbita e Emétrope
Peter – Câmera Antiga

3 comentários:

Tina Lopes disse...

Saltimbancos é uma graça, mas ao contrário de você, não sou muito chegada em circo e acho que o melhor dos Trapalhões é a versão do Auto da Compadecida. Veja Esta Canção eu vi no cinema, adoro o último. Carnaval, não assisti, mas pelo que você mostrou deve ser beeem legal. Bjk

Tina Lopes disse...

Ah, sim, pegando na mãozinha e entrando pro clube, detesto os dois Tropa de Elite, acho nojentos e fascistas, sim, além de chatos com aquele off eterno na falta de roteiro.

Palavras Vagabundas disse...

Lu,
acho o Didi super válido em um meme de cinema, ele mais que tem seus méritos.
O filme brasileiro que mais gostei dos últimos tempos é "Os dois filhos de Francisco", porque? Bem é quase uma tese de mestrado, rs
Esse filme fez o que Atlântida e outras produtoras fizeram no passado, dois cantores de sucesso, uma história de superação, um roteiro enxuto e atores mais que adquados que acreditam no que fazem, sucesso garantido com o povo indo ao cinema. Não adianta tanto papo cabeça e ter 200 mil espectadores num universo possível de 40 milhões. Cineastas brasileiros precisam primeiro conquistar público depois vir com papo cabeça, não gosto de Tropa de Elite (apesar de conhecer mais da metade da equipe do filme) mas a de se reconhecer que estão conquistando público. Enfim... horas de papo.
bjs
Jussara

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