sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Meme dos Filmes #10 - Melhor Filme de Guerra

“Nada do que é humano me é estranho”, dizia o poeta Terêncio, repetia Marx e eu, aqui, faço coro. Não me é estranha a violência, nem a indiferença, a soberba, a coragem, a amizade, o respeito, a miséria, o sofrimento. É humano, eu sinto, eu sei. Mas nem tudo que entendo, aceito, pois claro, e o fato de gostar tanto de bons filmes de guerra como de bons filmes de outros gêneros não me faz mais favorável a legitimá-las nem mais desejosa que se repitam. O Meme dos Filmes (saiba mais neste post aqui) me pede o melhor filme de guerra e eu digo: de qual?

A Primeira
Nada de novo no front. Tem o rapazinho alemão. Aí ele escuta o blá-blá-blá dos adultos sobre a nobreza e dever patriótico e, pá, vai pras trincheiras. Daí ao horror de ver crianças como ele morrendo e a percepção da inutilidade e horror de tudo aquilo é uma questão de cenas. E que cenas. Velhinho, velhinho, mas um dos filmes que mais me impressionou. Uma impressão que tive quando vi é que é um filme muito respeitoso com o expectador, ele não é didático, ele não explica porque isso ou aquilo. Ele é e isso basta.

Feliz Natal. Esse filme é lindo. Mas, sabe, lindo mesmo? E o lance aconteceu mesmo: tá lá a guerra e todo mundo se matando. Daí é Natal e eles param tudo e vão beber vinho, conversar abobrinhas e mostrar fotografias e memórias. Tem aquelas cenas que fazem a gente lembrar porque que o ser humano vale a pena mesmo com toda bobice que faz. Sabe decência? Pois é, eu curto.

A Segunda
O mais longo dos dias. Eu sei que depois do Resgate do Soldado Ryan pode parecer sem graça falar da abordagem/desembarque no Dia D. Mas esse filme é bom, mesmo, mesmo. Ele conta o evento por várias óticas diferentes, inclusive da resistência francesa, dos para-quedistas que saltaram antes da invasão e dos homens que desciam na praia. E ainda tem o Henry Fonda e o meu querido John Wayne. Aviso que é um filme surpreendentemente pouco sanguíneo comparado à maior parte dos filmes de guerra.

Roma, Cidade Aberta. Esse é um filme não de herói, mas de mártir, o que já dá o tom.  Um filme sobre resistência, com aquele padre obstinado teimando em lutar contra os ocupantes nazistas de uma forma que – sempre que lembro – me faz ter vergonha da minha apatia – por menor que ela seja em certas épocas. É pouco, me diz esse filme.

Os Italianos Também fazem Guerra
Como eu não gosto da impressão de que só tem guerra se os americanos participarem, pensei em escolher algum fora do esquema e lembrei de Hotel Ruanda, mas acabei decidindo por Il Gattopardo porque, bom, tem a frase perfeita (tudo tem que mudar para que tudo permaneça o mesmo), tem os charmosíssimos Burt Lancaster e Alan Delon e versa sobre aristocracia e mudança de regime bem antes dos EUA poderem colocar o dedo.

A Guerra, O Filme

Mas a guerra que rendeu os melhores filmes, creio, foi a do Vietnã. Bom, pelo menos provocou o meu escolhido: Apocalypse Now. É um filme de guerra, há os acampamentos, o delicioso cheiro de napalm, a sequência do ataque de helicópteros à vila, tudo. Mas não é só. É um filme sobre o que as guerras fazem aos homens que as fazem. E isso é o que mais dói e o que mais gosto.

E os atores? Robert Duvall louquíssimo, o Denis Hooper não menos alucinado, Martin Sheen entre  ataque cardíaco e bebedeira em cena e o grande, maravilhoso, enorme, Brando. Uma das melhores sacadas desse filme é a forma como Coppola lida com o personagem de Brando. A cena em que ele – enfim! – aparece, é uma das melhores sequências já filmadas, ju-ro! O personagem sempre em sombras – dizem que porque Brando estava engordando, mas que importa? – ganha um aspecto mítico. E Brando se recusava a decorar as falas, então uma parte delas foi fruto do improviso. Brando balbuciava seus delírios e eles passavam a ser os delírios de Kurtz. A lentidão do filme é uma sacada genial, vai aumentando a tensão, a sensação de sufocamento em contraste com a amplitude dos espaços. É um filme pancada, mas também esteticamente muito bonito.

E embora eu deva confessar que curti o Robin Williams em seu micorofone desejando o seu Goooddd Morning, Vietnã!-, as palavras que sempre me chegam quando penso nos filmes de guerra e nas próprias que os inspiraram, chegam-me sempre, em voz de Brando: “o horror! O horror”

 Os participantes do Meme Dos Filmes
Tina – Pergunte ao Pixel 
Verônica - Will you do the fandango?
AndreV. – Lágrimas de Crocodilo
 Renata  Muitos e Duplos
Deise Luz – Sete Faces
Ludelfuego - Presbita e Emétrope
Peter – Câmera Antiga

Um comentário:

HG disse...

Saudades daqui...

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