quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Meme dos Filmes #08 - Filme Cebola (Update)

O Meme Dos Filmes (apresentado neste post aqui) continua, apesar de certas pessoas, né Tina, Hugo e André?, não respeitarem muito o tonta da comédia de ontem. Mas tá bom, hoje vamos tratar do Filme Cebola e acho que não tem muito como tergiversar, é aquele filme que faz soluçar, incha os olhos, deixa-nos com ar apatetado e revira todas as angústias, medos, tristezas que teimamos em deixar – pensamos – bem trancados. Aquele filme que faz a gente dizer, entre assoadas no nariz, ma-ma-ma e terminar a frase sem a “lógica” do começo. Antes da minha revelação, a lista dos participantes do meme, pra ninguém esquecer de passar lá e dar um pitaco nas escolhas alheias:


Tina – Pergunte ao Pixel 
Verônica - Will you do the fandango?
AndreV. – Lágrimas de Crocodilo
 Renata – Muitos e Duplos
Deise Luz – Sete Faces
Ludelfuego Presbita e Emétrope
Nicolau e Daniel -  A Horda


E hoje, pra minha alegria e pabice, o Futepoca (oh, yes) entrou no meme. Com logo 3, eu disse 3, provocações-cebolas. Vão lá ver, vão.

Filme Cebola
Eu choro muito na morte do Bambi. E quando a Melanie morre e o Reth vai embora. E quando o Sonny morre e Brando tem que beber um uísque. Choro sempre em Lado a Lado. E 7 homens e um destino exige uma porção de lenços mesmo. E choro em quase todos os filmes de esporte. Se eu fosse muito, muito honesta, ia dizer que o filme que mais me fez chorar foi I.A. – Inteligência Artificial. Nem é um filme tão bom, eu sei, e sei também que chorava mais pelas minhas questões relacionadas à maternidade e à frustrada tentativa de descobrir-me boa – humana - que a algum mérito do filme em si. Mas, né, tem o talento daquele menino lindo e a mão do Kubrick – até o Spilberg lembrar que dirigiu E.T. e fazer aquele epílogo ridículo. Mas me perco. Eu não vou dizer I.A. porque, bom, porque eu não quero. E nem sou tão honesta assim, já resolvi meu desejo de perfeição. Não vou dizer porque o que eu sentia passou, hoje vejo sem a mesma emoção (na época do lançamento eu vi sete vezes na mesma semana e sempre saía com as pálpebras vermelhas e inchadas).

Quando decidi que não ia ser I.A. ficou fácil, eu sabia que o meu Filme Cebola era de algum cineasta italiano. O cinema italiano - com as vivências familiares tão presentes, a emoção tão perto do sentimentalismo, a gentileza com os personagens mais esquisitos, cruéis ou tolos, a ênfase em situações tão cotidianas - me comove. Assim, inclinei-me por La Strada. Estava certo, certinho, é um filme lindo, com uma música que, por si só, já garante a comoção, um filme direto, limpo, com interpretações absurdamente tocantes. Eu não posso ver a imagem de Giulietta Masina sem ficar com um travo na garganta. Não posso mesmo. Mas o Anderson fez o post dele (no Facebook) antes de mim e disse o filme e a emoção de uma forma tal que me deixou sem letras. Disse ele:

“Ah, mas eu não choro em filme, que bobagem.” Chora não, né, negão? Eu só tenho uma palavra pra você: Gelsomina. Essa santa padroeira dos fabricantes de lencinhos saiu de A ESTRADA DA VIDA, de Federico Fellini, encarnada por Giulietta Masina. O pão que o diabo amassou seria uma lauta refeição para essa criatura que é vendida pela família no início do filme para (HAH! Olha só na mão de quem ela foi cair!) Anthony Quinn, o bruto que inspirou a brutalidade. Percorrendo a Itália num circo de duas pessoas, Gelsomina é tratada com a delicadeza que era peculiar a um personagem de Quinn. Claro que uma história dessas não pode terminar bem. E quando termina, Anthony Quinn...CHORA. Mano, Anthony Quinn chora! E você quer que eu fique impassível diante disso? Choro mesmo, tô nem aí.”

Desprovida da segunda escolha, sensatamente resolvi chutar o pau da barraca e dizer que meu Filme Cebola não é do cinema italiano, meu Filme Cebola é o próprio cinema italiano – se há alguma coisa que atravessa todo ele ( quando digo todo ele, leia-se: o que eu já vi, claro) é a capacidade de me levar às lágrimas, mesmo no que deveria ser uma comédia.

Porque quem consegue resistir quando em Umberto D.  o senhorzinho estende a mão pra pedir esmolas e aí desiste e faz de conta que está vendo se está chovendo? Ou como não sentir a angústia na cena final de Morte em Veneza e sentir – em nós mesmos – o anseio pelo que nos é mais distante? Ou como não sentir a ansiedade e a busca de Sophia Loren apartada de seu Marcello em Girassóis da Rússia, ai, gente, ela procurando de túmulo em túmulo? Ah, a cena final de Cinema Paradiso (que a Tina não gosta, ho, ho, entrego mesmo), todos os beijos que nos foram negados. E quando o pai dá aquel tapão no filho em Ladrões de Bicicleta? Ou qualquer outra cena desse filme, aliás? E o amor tão trágico (e o Alain Delon tão lindo) de Rocco e seus irmãos? E o sacrifício do padre em Roma, Cidade Aberta? E a amizade de Um Dia Muito Especial (que já falei aqui)? E, falando de amizade, Nós que nos amávamos tanto (que é o Filme da Minha Vida)? E, claro, claro, claro, toda a beleza dolorida dos filmes de Fellini, o vermelho na neve em Amarcord, os olhos tristes e esperançosos de Cabíria (e essa cena final ainda me parte o coração todas, todas as vezes)a natureza humana em seus pecadilhos no Ensaio de Orquestra.

E Ginger e Fred, ah, Ginger e Fred. Há muitos filmes bons sobre reencontro. Muitos filmes bons sobre envelhecer. Muitos filmes bons que citam outros filmes. Existem muitos filmes bons. E existe esse Ginger e Fred. Como não chorar por eles, por nós, pelo cinema...pela finitude de tudo, pelas épocas de ouro ainda mais douradas porque já não são? Como resistir a Marcello e Giulietta, num vai e vem de desejos que já não podem ser? Como não entregar-se àquela última dança com voracidade e como não chorar com as interrupções tão nossas? E a dignidade que eles revelam, tão simples, direta. Ai, a nostalgia. Mas uma saudade honesta, sem fantasias sobre o passado nem ilusões sobre os futuros. Um filme honesto e dolorido. Lirismo, sim, mas de uma forma madura e aquele amor doce e solitário de amar o que se faz. Filme Cebola, claro, em uma vasta plantação.

Ou talvez seja apenas Caetano Veloso e sua frase tão reta: "ah, puta de uma outra esquina".


[vocês vão perdoar a ausência de indicação dos diretores, eu não tenho uma memória tão boa assim e mesmo com o vexame de ontem (né, Nicolau e Tina?) eu prefiro escrever sem o auxílio do google]


Da Estrada Anil, Filme Cebola by Rita

Como chorona-mor, tenho nesse item uma tarefa dificílima - ainda bem que não tô fazendo o meme no blog, seria uma sequência de "não me lembro..."

Mas você me lembrou de Ladrões de Bicicleta. Nó na garganta. Mais recentemente, A Ilha do Medo, não pela quantidade de lágrimas, nenhuma, mas pela angústia no peito, um desespero que me levou a levantar do sofá e quaaase sair da sala. Mas "cebola" pede lágrimas... bom, senta aí. Choro com tudo, uma ceninha rápida, uma interpretação convincente que me emocione. Morte, adeus, decepção, descobertas, conquistas - o cinema tem aos montes, em doses generosas. Vico chorando, amiga. Um horror. O mais cebola? Não faço ideia. Sair da sala com olhos inchados é rotina pra mim. Sabe quando [SPOILER!!] a mãe solta o filho no despenhadeiro em Anjo Malvado? Nunca mais parei de chorar. Sabe Central do Brasil? Imagine. Enfim, sento e choro. 

5 comentários:

Rita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tina Lopes disse...

Ai, dona Lu chutou o balde! hahahahah citou inclusive o meu filme cebola, apesar de que, eu juro: eu-não-choro. Aliás, cinema já me fez soltar uma ou outra lagriminha sim, mas não conta como choro, é aquela emoçãozinha que às vezes nem é pelo filme, é por uma lembrança que passa rapidinho por uma cena e depois é esquecida. Cinema italiano é tudo, deixa a gente, ao mesmo tempo, com um riso bobo e um nó na garganta.

Juliana disse...

Esse meme me faz assumir a minha grande falha ( de caráter? kkkkk): não sou dos filmes. Fico ner- vo- sa! kkkkkkkkkkkkk

Não vi quase nenhum dos que vc citou( e os outros citam nos seus memes), mas dessas vez posso pelo menos opinar. Não revejo jamais Inteligência Artificial. Tenho muitos pés atrás com os filmes do Spielberg; tenho a impressão de que ele manipula o nosso lado mais piegas e parece que se supera em I.A. Não consigo esquecer do quanto morri de chorar quando aquele menino-robô encontra a maldita da fada azul. Cara!

Renata Lins disse...

viajei nesse post...muitas lembranças... e acho que os que mais me fazem chorar são italianos, também. Cinema Paradiso e a cena final (a do "meu" príncipe, que postei outro dia por conta de conversa com você). "Estamos todos bem", com Mastroianni - agora tá rolando uma versão americana que já sei que vai chapar e estragar a delicadeza do filme, então nem vou ver...

Hugo Avelar disse...

E a minha lista de filmes que tenho que ver aumenta a cada dia. Sou uma negação em cinema italiano, então esse seu post é ótimo, porque vou ver TODOS.

Adorei a chutada de balde.

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