quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Meme dos Filmes #02 - Melhor Sequência Inicial e Final

E continuo o Meme dos Filmes, apresentado neste post aqui. Um aviso: meus posts podem ter spoilers. Ou não. Nunca sei direito o que se configuraria como spoiler na rememoração de um sentir. Na verdade, eu não me importo muito com os “o quê” e sim com os “como”. Pretendo não contar nada decisivo dos filmes, mas quem se melindra em saber sobre uma cena ou outra não deve ler.

Melhor Sequência Inicial e Melhor Sequência Final

Eu gosto de filmes. É assim: as luzes se apagam e acende uma alegria. Uma alegria que sabe-se ser intensa nos que já começam em arrebatamento. Como as sequências iniciais listadas pela Tina e pela Verônica. Escolher uma melhor sequência inicial não é fácil. Há alguns filmes que se tem vontade de ficar nos minutos primeiros e/ou a gente se pergunta de onde veio aquela idéia tão bem desenvolvida. Uma boa sequência inicial é, antes de tudo, a materialização da visão do diretor. Como a brilhante abertura de A Marca da Maldade, de Orson Welles registrada em quase toda discussão sobre melhores começos de filmes. Ou no meu querido The Godfather, o corajoso início com o monólogo de Bonasera : Eu acredito na América, a América fez minha fortuna..., tudo em sombras e depois o iluminado casamento da filha de Don Corleone, intercalado com reuniões do Padrinho, e assim já sabemos quem é quem nessa família e a personalidade de cada um.  Brilhante. Ou, ainda, para quem – como eu – gosta de westwern, como não se deixar enfeitiçar por 10 minutos de trilha de Enio Morricone, sem uma única fala, só closes nos rostos marcados de vários personagens e a apresentação de quem realmente conta, o feio: Tuco Benedicto Pacifico Juan-Maria Ramirez (Eli Wallach); o mau: conhecido como Angel Eyes (Lee Van Cleef); e o bom: o homem sem nome, apelidado de Blondie (Clint Eastwood).

 Mas eu escolho mesmo é Woody Allen e seu P&B no cativante Manhattan. Porque é belo e é divertido. A seqüência inicial é uma sucessão de imagens em preto-e-branco da cidade, onde o próprio Woody Allen, em seu personagem, dita os rascunhos do primeiro capítulo de seu livro. E se ouve, ah, que beleza! música do compositor George Gershwin (cujas músicas são usadas de trilha sonora ao longo de todo o filme). O que mais gosto nesta cena – e, de resto, no filme inteiro – é a generosidade de W. Allen em partilhar sua paixão por uma cidade inebriante e absorvente. O filme é uma viagem e a sensação que tenho, sempre, ao vê-lo, é que nem preciso chegar lá para sabê-la e senti-la mais do que já soube e senti com as imagens de W. Allen.


A sequência final é um tantinho mais complicada, um pouco pela tendência a confundir final preferido com melhor sequência final, outro tanto porque – a despeito da minha Pollyanice – parece mesmo que as melhores sequências finais pertencem àqueles filmes que deixam a gente com um travo na boca. E, assim, eu já ia colocando aqui as maravilhosas interpretações de Morgan Freeman, Kevin Spacey e - até - Brad Pitt na cena final do travoso Seven, mas não. Não mesmo, pensei, e os glamourosos finais dos musicais e suas sequências de magia e encanto? Ora, eu lembrei logo do maior musical de todos (ai, que risco dizer isso): The Band Wagon, mas achei que a cena final não tinha o ímpeto que eu queria. Aí, bom, sabe o guilty pleasure que acabou de sair da lista? Eis minha cena final, toda mundo na maior safadeza alegria: (juro que procurei pra incorporar mas não encontrei nenhum link disponível, se alguém souber me dá o endereço, please)

 Agora, se sequência inicial e final fossem do mesmo filme, nunca houve uma rima tão sentida, uma metáfora tão bem construída, uma sequência de luzes e sombras tão reveladoras como as cenas inicial e final de The Seachers.  Eu bem acho que se começa a vida assim, chegando em algum lugar em que parece que a festa já começou sem esperar por nós. Adoro o contraste escuro/claro que mostra bem a inadequação. E o mesmo contraste, em espelho, na cena final, a certeza de não haver lar que o espere, não existir pouso nem descanso, o passo firme e lento afastando-se do que se sonha ser a felicidade. É duro, é bom, dói.



Da Estrada Anil, Melhor Sequência Inicial e Melhor Sequência Final

Como eu disse ontem, a Rita é convidada a apresentar seus gostos aqui sempre que quiser. E hoje quis:


"Minha sequência inicial, vejam só, é mencionada no blog da Verônica como melhor sequência final (acabo de ver). Explico: a fala do protagonista de Beleza Americana que abre o filme é retomada no final. A Verônica destaca o desfecho e eu destaco o início. E destaco porque me lembro muito bem de que me arrumei na cadeira do cinema depois daquela tomada longa que nos apresenta ao bairro de Lester, curiosa e intuindo que adoraria aquilo ali. E assim foi. Não é, certamente, uma sequência grandiosa, mas é a que me veio à memória como sequência isca: um filme que me fisgou já no comecinho: Beleza Americana (e, Verônica, todo amor desse mundo por Kevin Spacey, toca aqui!). 

Minha sequência final é um major spoiler imperdoável. Assim como no primeio item do meme, o filme da vida, minha sequência favorita veio trazida por uma lembrança carregada nas emoções: não procurei uma; li o item e ela veio. Como já tinha vindo, na verdade, quando trocávamos e-mails bolando o meme. Penso "sequência" e imediatamente vejo a aliança rolando da mão de Bruce Willis. Vejo tudo se costurando em flashbacks que, de repente, são tão, tão cristalinos. A Aliança cai, rola e a gente vê a dor, a solidão e a saudade - e agora, neste exato momento, sou toda arrepio. E meus olhos se enchem d'água por amor a um dos filmes, para mim, mais deliciosos ever: O Sexto Sentido. Considero um filme meio mágico pelos efeitos que provoca em mim. Saí do cinema em estado de puro êxtase. Meu lado fantasioso, aquele onde a imaginação dá um chega pra lá na razão (um lado que adoro, aliás) se esbalda diante desse filme."

Memória do Meme:

UM MÊS, 31 FILMES

8 comentários:

Nicolau disse...

Palpites rápidos sobre o tema, sem querer definir nem as melhores nem minhas favoritas entre as aberturas e fechamentos. Só pra contribuir, enfim.
Aberturas:
- A cena do Poderoso Chefão é realmente genial.
- Um destaque recente: os primeiros 20 minutos de UP, desenho da Pixar, são de chorar de tão bonitos. Uma delicadeza pra contar a história do casal só com imagens, pra mostrar a solidão do velhinho. Dava pra acabar o filme ali - mas seria um desperdício, pq o resto tmabém é bem legal.
- Outra de faroeste à italiana, do Sergio Leone, é a abertura do Era uma vez no Oeste. Um baita tempo sem fala, uma 'trilha sonora' feita só com os sons ambientes se repetindo (mosca, goteira), e um confronto genial no fim. O cara conseguiu fazer o Charles Bronson parecer um bom ator, tem que dar crédito.

Cena finais:
- Rastros de Ódio realmente é animal.
- Ainda no velho oeste, Os Imperdoáveis, do Eastwood, com o próprio invadindo o bar. "Isso não tem nada a ver com merecer", diria Will Munny.

Tinha mais uma cena final na cabeça, mas ela sumiu, então é isso.
Belo post, valeu!

Anônimo disse...

O rapaz aí de cima citou a sequência de Up :coisa mais linda do mundo. Me lembro de estar num cinema cheio de crianças gritando e eu chorando.
Te juro q vou ver o poderoso chefão. O q esse filme tem,gente? minha mãe e meu ex amam loucamente.

Anônimo disse...

A cena a Rita citou me lembrou uma outra com aliança, aquela de match point.fiquei sem fôlego.

Sexto sentido é um filme q não da pra cansar de ver.depois da primeira vez acaba a surpresa, mas sobram detalhes pra Vc caçar e se sentir menos burra.rsrs. Juliana

Menina no Sotão disse...

Eu adorei o filme o sexto sentido e sua cena final é pra mim a mais surpreendente. Eu já esperava por aquele fim, mas mesmo assim, fiquei lá e percebi que somos distraídos mesmo, não tem jeito.
Mas eu tive que rir porque vc citou Woody Allen e eu escrevi sobre ele há pouco, mas é claro que não vou dizer o que eu escrevi. hehehehehe

bacio

Glauco disse...

Em termos de sequência final, acho a de Um Estranho no Ninho daquelas que você fica alguns minutos pregado na cadeira tentando retomar o fôlego. Um primor, com os atores só confirmando as brilhantes atuações que marcam todo o resto do filme.

Tina Lopes disse...

Ora ora também vou começar a trapacear e citar outros filmes pra só depois escolher uma cena, rá, suas danadas. Tenho uma implicância mortal com Beleza Americana, mas são todas ótimas escolhas. Bjks.

Verônica disse...

Tem tantas sequências iniciais bacanas: essa do Poderoso Chefão é bárbara, as da trilogia The Good, The Bad and The Ugly são fantásticas e como alguém disse aí em cima, o início de Up também me faz chorar.
A sequência final de Seven é memorável, bem como a de The unsual suspects, aliás, o Spacey está maravilhoso nesse (toca aqui, Rita o/).
Ando escolhendo pela lembrança mesmo, aquela que me vem primeiro à mente quando leio a categoria. Eu me lembrava da fala inicial de Beleza Americana, Rita, mas o que me marcou mesmo foi o saco de papel voando junto com as imagens intercaladas da memória do Lester e da reação das pessoas ao barulho do tiro, a leveza do papel contrasta tanto com o momento e me lembra do quanto tudo é indelével e de que "tudo que é sólido desmancha no ar".
Eu sou fissurada no Sexto Sentido, mesmo. a partir dele, virei stalker do Shyamalan, e embora ele tenha feito algumas bombas nos últimos anos, ainda o tenho em boa estima.

Anônimo disse...

por um acaso vcs lembram qual é o filme de desejo de matar que na cena final aparece a sombra de charles bronson num predio e logo em seguida sons de tiros, dando a entender q ele continuaria a ser um justiceiro das ruas ?

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