quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Meme dos Filmes #01 - O Filme da Minha Vida

Então, é isso, por esses dias o Borboletas ficará no escurinho, começo o meme dos filmes (saiba mais aqui). É certo que muitos filmes amados não estarão presentes na minha lista, mas conto com a memória da Tina, Rita, Niara, Renata / Renata e Verônica  e quem mais aparecer para embelezar meus hiatos. Os posts desse meme não tratam de verdades, de certezas, são posts de paixão e lembrança. 


Um aviso: meus posts podem ter spoilers. Ou não. Nunca sei direito o que se configuraria como spoiler na rememoração de um sentir. Na verdade, eu não me importo muito com os “o quê” e sim com os “como”. Pretendo não contar nada decisivo dos filmes, mas quem se melindra em saber sobre uma cena ou outra não deve ler.

  O Filme da Minha Vida
O filme da minha vida é – rufem os tambores – Nós que nos amávamos tanto. E nem é porque há lá uma Luciana, embora isso não seja pouco. Há muito do que se gostar em Nós que nos amávamos tanto: lindas metáforas visuais, uma trilha sonora sentida e pertinente, interpretações consistentes e diálogos que, ai ai, fazem a honra do melhor cinema. É um filme sobre paixão e, mais ainda, um filme apaixonado por História, pelos seus personagens, pelo próprio cinema.



O filme da minha vida é um filme repleto de lirismo, amizade e um olhar generoso – carinhoso, mas não condescendente - para os seus personagens. Fico feliz que assim seja, é um pouco do que acredito e quero pra mim.

É um filme sobre o tempo. Mas não só. Sobre o amor e suas formas várias. Mas não apenas. Sobre companheiros, sobre a guerra e suas consequências, sobre sonhos e projetos de mudança? Também. De forma simples: Gianni Perego (Vittorio Gassman), Antonio (Nino Manfredi) e Nicola Palumbo (Stefano Satta Flores), uma guerra que os une – a Segunda; uma mulher, 30 anos para tudo. Um burguês, um proletário e um intelectual e a vida que é sempre mais e menos do que se quer, se pede, se pode lidar.  

Bom, uma palavrinha sobre o diretor Etore Scola: gênio (eu disse que era uma palavrinha). O filme apresenta vários recursos interessantes como passagens em P&B, flashback, congelamento de imagem, personagem dirigir seu pensamento à câmera...nada gratuito, nada a mais, a técnica sempre a serviço da sensibilidade e da idéia. Nós que nos amávamos tanto é uma declaração de Scola sobre o que há de apaixonante na história, na política, na memória, no sentir. No cinema.

E as frases? Os diálogos? Ricos, intensos, um filme a se ouvir tanto quanto a se ver, um filme que trata quem o assiste como adulto, sem saídas fáceis, sem respostas prontas.


Ah, mas eu esqueci de dizer: ri-se. O filme tem cenas tão engraçadas de querer que a projeção pare até que a respiração se recomponha. E tem aqueles momentos mágicos, que fazem a gente amar o cinema, como quando Luciana pede a um deles que diga um segredo e ele diz: eu a amo. E tudo em volta fica imóvel. Não é isso amar?

Um filme sensível, um filme bonito, um filme divertido. O filme da minha vida. E não o seria, claro, se não tivesse uma frase perfeita: "É barato viver como queremos e gostamos porque se paga com algo que não existe: a felicidade! ”

Da Estrada Anil, O Filme da Minha Vida, by Rita

A Rita relutava em deixar-se levar, fiz-lhe uma proposta que ela não pôde recusar - no melhor estilo Corleone. Será, então, convidada, sempre que quiser. E hoje quis:

Eu me sinto um tiquinho desconfortável, como quem entra na sala de cinema depois que a luz já se apagou e o silêncio já se fez. Parece que sou intrusa, que vou atrapalhar. Fico com vergonha, de verdade. Então vou fazer assim: vou ser breve, sentar rapidinho e afundar um pouco na cadeira para não chamar muita atenção. E vou assistir. As dicas. Que a Lu vai dar aqui e que vou querer conferir uma a uma, bem sei. Só que ela é um doce e olha pro lado e me pergunta: o que você acha? O filme da minha vida. Alguém sabe responder a essa pergunta, o filme da vida? Meme difícil, viu. O filme da vida! Não sei. Então vou escolher o que  memória me traz agora e ela, minha memória, anda me puxando para a infância esses dias. E aí me vejo de pijamas, com um copo de leite morno na mão, no meio da sala escura, meu rosto iluminado pelo tubo gordo da TV da casa da minha mãe. Na tela eu via a saga de O'Hara, mas via também a magia de fazer aquilo parecer real. E eu pensava assim no outro dia, no café da manhã, com muito sono, querendo dormir mais: se E O Vento Levou tivesse mais três horas de duração, eu teria visto também. E porque eu  não sabia nada, quem eram os atores ou o diretor, se era tecnicamente bom ou sofrível, nada, nada, aquilo era uma paixão muito, muito verdadeira. 




5 comentários:

Tina Lopes disse...

Ai, vocês duas me matam. E o Vento Levou é filme de se ver com a mãe, né Rita? E Nós que Nos Amávamos Tanto - eu tenho em VHS - é tudo isso que você lindamente descreveu e mais um pouco, é emoção pura, toda emoção possível de se ter no cinema. Dele, tiro uma frase inesquecível e engraçadíssima, como o flagra final da piscina (pisc interno): "Éramos pobres, mas éramos felizes", diz Luciana, nostálgica, para completar: "como dizem os ricos".

Juliana disse...

Taí um meme que não posso fazer porque morreria de vergonha. Não sei nada de filmes de gente grande. Só vejo bobagens. Ainda não saí daquela de que cinema serve pra comer pipoca rir ou suspirar pelo moço bonito.

Vou ficar aqui atenta nas dicas e quem sae me arriscar. =)

Sardenta disse...

O meme começou hoje e eu já tô aqui anotando filme pra assistir. Ainda não vi o filme da tua vida, Lu. Mas, fiquei doidinha pra ver, deve ser uma delícia.

E o da Rita é lindimais, eu já fiz a cena clássica da O´hara "jamais passarei fome novamente" para dar aquela dramaticidade nessa vida monótona. Quem nunca?

Beijos!

Anônimo disse...

Esse filme também é o filme da minha vida... é o filme mais lindo a que assisti!! A trilha sonora é maravilhosa... até hoje, quando eu lembro desse filme, tenho a mesma sensação de quando eu o assisti pela primeira vez. Tudo é perfeito ali: o roteiro, a fotografia, a trilha sonora, os atores, o diretor... esse filme é de uma sensibilidade comovente!!

Renata Lins disse...

Só vi esse post agora! Com link e tudo...! Mas... esse é o tipo de pergunta a que não gosto de responder. "Nunca te vi, sempre te amei"? "Traídos pelo desejo"? "Para toda a vida" (Peter's friends)? Qual será "o" filme da minha vida? Casablanca? Ladrão de Casaca? ... ah, eu ia deixar alguém de fora... Pele de Asno do Jacques Demy é certamente o filme que eu mais vi na vida. O príncipe é "meu" príncipe. Maturidade? Onde?

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