sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Problema é Nosso - Fim da Violência Contra a Mulher

Hoje, 25 de novembro é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. É o dia do assassinato das irmãs Mirabal, vítimas da ditadura na República Dominicana. Pauta de sempre e pauta de todos, a violência contra a mulher não pode ser avaliada só em quantos e sim, também, em seus modos, da piadinha grosseira e sexista ao assassinato, a sociedade vitimiza duplamente a mulher quando legitima discursivamente tais atos, culpabilizando as mulheres. 

O Blogueiras Feministas convocou para uma Blogagem Coletiva e os posts serão divulgados com a tag#FimdaViolênciaContraMulher. Além da militância online, manifestações na rua, rádios, debates e palestras ocorrerão em vários municípios brasileiros. Destaque para o flashmob com batucada que acontecerá em Porto Alegre, a partir das 11h, no Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público.

Femicídio, a gente vê por aqui

E aí eu te pergunto: você sabe o que é femicídio? Sabe, né? É o assassinato sexista de mulheres. Isso: é quando uma mulher é morta exatamente por isso: por ser mulher. É revelador e perturbador saber que as mulheres entre 15 a 44 anos têm uma maior probabilidade de serem mutiladas ou assassinadas por homens do que morrerem de câncer, malária, acidentes de trânsito ou em decorrência de guerra, todas as causas somadas. Os meios são vários: tiros, facadas, foices, machados, chaves de roda, todos esses meios foram utilizados para assassinar mais de 4,5 mil mulheres em 2010, em todo o Brasil.


Dizemos femicídio para apontar o caráter sexista deste tipo de crime, desmistificando a aparente neutralidade presente em termos como homicídio e assassinato. É preciso evidenciar que se trata de um fenômeno inerente ao processo histórico de subordinação das mulheres no contexto das relações sociais.

O femicídio ocorre quando e porque a sociedade não garante a segurança das mulheres ou cria um ambiente no qual as vidas das mulheres não estão seguras nas suas comunidades. Ele ocorre quando e porquê o Estado não cumpre suas tarefas legais da maneira adequada. Não há inocentes em relação ao que ocorre em nossa sociedade. As mulheres são mortas porque um discurso de posse, de poder e de ódio é sustentado por elementos diversos da cultura, das piadinhas sexistas às reportagens enviesadas que tendem a culpabilizar a mulher pela violência que lhes acontece.

A insegurança do cotidiano das mulheres é evidente quando se reflete que a violência contra as mulheres é cometida tanto por pessoas conhecidas da vítima como maridos, namorados e diversos familiares como por desconhecidas (estupradores, assassinos, grupos criminosos). O ponto comum é a naturalização das relações desiguais de poder entre homens e mulheres. Esta desigualdade imputa às mulheres um lugar de vulnerabilidade e cria obstáculos ao pleno exercício do direito à vida, à integridade pessoal e à liberdade.

É preciso romper o silêncio: o femicídio não é uma questão privada e não é culpa da vítima. A impunidade é elemento mantenedor da situação e é contra ela que se deve lutar. É preciso reconstruir o discurso sobre o feminino. É preciso avançar na eliminação das desigualdades sociais presentes nas relações de gênero. É preciso ressignificar a sexualidade, a liberdade, a autonomia feminina. Tudo isso é processo e leva tempo. E enquanto esse tempo não chega, é preciso não calar. #FimDaViolênciaContraMulher deve ser mais que uma bandeira e uma tag, precisa ser uma postura ética, um compromisso e uma reflexão.



E mais...
Aqui, organizo os textos que o Borboletas já recebeu sobre o tema:

Meu Corpo. Meu Prazer. Eu Decido. Guest Post, by Ultra: O problema é essa idéia ridícula de que se você (mulher) diz não é porque tá querendo dizer sim. Ai é duro, viu. Como é que faz? Como é que faz se os homens acham que tem direito de pegar na sua perna? Se acham que podem te puxar pelo braço com força, pra mostrar virilidade? Alguém me avisa quando eu tiver direito sobre meu próprio corpo, por favor. Quando eu puder manter uma certa distância civilizada e não tiver que ser obrigada a ter contato físico se não me agrada, porque, sério, só falar não tá adiantando. Falar, eu falo, mas por causa daquele sorriso no começo da noite, eu sou taxada de, como é mesmo S.? Sonsa.. é isso. (leia mais aqui)


Humana, Demasiadamente Humana - Postagem Coletiva/ Caso UNESP:  Não sei se há alguém que ainda desconheça a notícia de que alunos universitários agrediram colegas com uma (expressão inominável que você quiser) competição intitulada "rodeio de gordas".  Se você não leu a notícia ainda , leia aqui. Quando li, fiquei um momento paralisada. Nada em mim reagia. Eu não conseguia aceitar que isto não era ficção, que realmente um homem "montava" nas costas de uma mulher enquanto outros homens gritavam: pula, gorda bandida. E não uma vez, veementemente repreendida e repudiada. Não. Muitas vezes. E piora! Os "organizadores" tinham uma comunidade no orkut (já retirada do ar) pra planejar as ações futuras. (leia mais aqui)



 Fim da Violência Contra a Mulher - Dia 1: Violência Doméstica de Gênero, Évio Gianni - Esta postagem é para minha moça, que já namora a um bom tempo, e nunca teve problemas, mas apesar de eu já ter dito infinitas vezes o que vou escrever aqui, vou deixar registrado porque quero alertá-la e protegê-la. Estava revisando umas leituras para uma apresentação e... aqui estou escrevendo. A coisa mais importante que eu considero que tem de ficar muito clara sobre violência doméstica contra a mulher (detalhe é que existe violência doméstica contra homens, mas quero abordar só contra a mulher nesse momento) é que ela não começa na tapa, ou no murro, ou na surra. Nunca começa assim, NUNCA! (leia mais aqui)



Fim da Violência Contra a Mulher - Dia 2: Entre Amigas, por Teresa Font - Encosto-me à parede, extenuada. Escadas e mais escadas. “Que diabo, morri de uma hemoptise.” É ela quem me abre a porta. Virgínia. Está na mesma, magríssima, os enormes olhos trágicos, embrulhada naquelas roupas de lã informes. Recordações. Fico comovida, disfarço com uma graça. -Esperava encontrar-te encharcada. -Passaram muitos anos, Katherine. Entra. Dá-me o teu casaco. (leia mais aqui)


Fim da Violência Contra a Mulher - Dia 3: Um pouco de tudo é quase nada: a violência contra a mulher começa antes do primeiro tabefe, por Liana Nobre - Meu post começa do inocente dia que aceitei o convite da borboleta (que esconde uma pimenta atrás de suas asas, mas depois escrevo um tratado sobre isso) para escrever na semana pelo #fimdaviolenciacontraamulher. Bonito isso, e aceito (bobamente). (leia mais aqui)


Fim da Violência Contra a Mulher - Dia 4: A mesma mão, by Gui - Estamos entrando na segunda década do século XXI (pra mim, a segunda década só começa no 11) e é incontestável a quantidade de direitos que as mulheres conseguiram. Hoje encontramos mulheres empresárias bem sucedidas, mães solteiras que não são mais, necessariamente, vistas como as grandes filhas da puta da estória, criando filhos também bem sucedidos. (leia mais aqui)


Fim da Violência Contra a Mulher - Dia 5: Ontem, Hoje e Amanhã, por Joana Vasconcelos - “Ora, menina, bate no que é dele!” Foi há uns trinta anos que pela primeira vez ouvi isto. Domingo, manhã cedo, no adro da igreja da aldeia das minhas férias. Não era incomum surgir uma mulher com a cara inchada, o olho raiado de sangue, o lábio rebentado. Causa de espanto só mesmo o meu espanto, diante de tal visão e da resignação da própria e das demais - “ai, o meu homem ontem bateu-me tanto”, “o meu também fica ruim quando bebe”. O meu “então e deixa que ele lhe faça isso?” fê-las rir, nervosas: “e o que há-de ela fazer?” Seguiu-se o remate, lapidar: “bate no que é dele”. Variante do deplorável “quanto mais me bates, mais gostas de mim”. Era outro tempo, outro contexto, feito de atraso, miséria e alcoolismo. Ou será que não?  (leia mais aqui)


Fim da Violência Contra a Mulher - Dia 6: Reagir Gera Violência, by Turmalina - Vemos esse tipo de violência desde os tempos mais primitivos. E me parece que nos dias modernos e na sociedade mais civilizada em que vivemos, as notícias de agressões contra as mulheres mostram cada vez mais violência por parte do agressor. Antigamente as mulheres ficavam presas em casa, eram chantageadas e eram obrigadas à praticar sexo sem vontade e muito menos consentimento. Era ruim pacas, não? Claro que sim. Mas hoje, que a grande maioria adquiriu o direito de ir e vir, as agressões parece que ficaram mais pesadas e os óbitos, infelizmente, mais freqüentes. (leia mais aqui)


Fim da Violência Contra a Mulher - Dia 7: Do que estou falando? Vou tentar começar de novo. A violência tem várias nuances. Uma delas, que geralmente costuma distorcer e desviar o foco do tema violência contra a mulher, é que a violência é demasiado humana, está em vários aspectos da vida em sociedade, nos relacionamentos íntimos e nos vínculos institucionais, exercida por homens sobre homens, mulheres sobre mulheres, mulheres sobre homens, adultos sobre crianças ou sobre idosos... O fato de ser assim tão nossa não nos obriga a aceitá-la ou naturalizá-la. Mas é preciso reconhecê-la pra agir sobre. Mas o que quero discutir aqui é que a violência de gênero parece estar profundamente entrelaçada ao preconceito. (leia mais aqui)

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