sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Chupando Drops de Anis #01

"Vermelhos são seus beijos,
Quase que me queimam"

Sexta-feira é dia de cinema no Borboletas (você lembra? começamos neste post aqui). E dia de visita. Meus dois queridos convidados. Minha idéia era alternar os textos, mas pensei: porque, se posso ter tudo? Então, assim será: as crônicas do Manuel (a culpa das imagens e legendas é minha, a beleza do texto é dele) seguidas das indicações de textos do Sérgio. Muito mais divertido, não?

Onde é que se metem os narizes*,
 por Manuel S. Fonseca

De boca fechada já tinha havido muitos. A primeira vez que os amantes abriram a boca foi em “The Flesh and the Devil”. E não foi para falar, que o filme ainda era mudo. Primeiro, um cigarro passa da boca de Greta Garbo para a boca de John Gilbert. “És lindíssima” sussurra ele num elegante cartão escrito. “E tu… tu és tão novinho”, responde ela noutro cartão, por ser assim, por escrito, que os actores falavam no cinema mudo.

A Carne e o Diabo, Garbo - linda!

O cigarro já está na boca dele, as mãos aflitas à procura do fósforo que logo acendem. Não sabemos se é a labareda do fósforo, se a do ardor deles, que os ilumina como lua alguma iluminou amantes. Ofuscada, Garbo sopra e apaga a ardente cabecinha do fósforo como quem pede um beijo. Sabe-se lá que lábios, se os dele, se os dela, se abriram primeiro! Sabemos só que foi a primeira vez que num filme americano se beijou à francesa.

Há beijos escritos, beijos pintados. E míticos: o de Pigmaleão insuflou vida em Galateia. Em contos de fadas, o beijo de uma mulher faz de um sapo um príncipe. Rodin aprisionou em mármore frio e nu o beijo infernal que Dante lhe inspirou. Em “Romeu e Julieta”, cantou-o Shakespeare, como quem reza, fazendo dos lábios “dois peregrinos ruborizados” onde talvez “blushing” seja tanto o rubor como a calorosa vergonha que o precede.

Mas foi no cinema que os lábios peregrinos encontraram o seu santuário. O cinema beija melhor do que a literatura, até mesmo do que o luxo da pintura de Klimt. O movimento, luz e sombras do cinema oferecem tudo ao beijo. Fazem-no ingénuo e carnal, romântico e canalha,mignon e descarado.

Pensando que inventara o beijo, o cinema fez-lhe até a pedagogia. Em “For Whom the Bell Tolls”, a loura e sueca Ingrid Bergman, na cena em que mais celestes lhe vi os olhos, é uma improvável espanhola, uma improvável camponesa e a mais improvável Maria. Apaixonou-se por Gary Cooper, americano e combatente na Guerra Civil ao lado dos republicanos. Quer, mas não sabe como beijá-lo: “Onde é que se metem os narizes. Sempre me intrigou para onde é que vão os narizes,” diz, a escaldar de coqueterie. Senhor de um nariz que não se mete onde não é chamado, Cooper roça os lábios pelos lábios dela. “Afinal não se atravessam no caminho, pois não,” e já é ela que o beija, uma, duas vezes. À americana.

À americana, Hawks mostra em “To Have and Have Not”, as vantagens do trabalho de equipa. Bacall beija um impávido Bogart para lhe provar o sabor. Deve ter gostado porque o cântaro volta à fonte e já não me lembro se é logo, ou à terceira que o lento Bogart dá ordens à boca dele para reagir à dela: “É ainda melhor quando tu ajudas!

À americana ou à francesa, boca mais fechada ou aberta, são precisos dois para o beijo. Nem mesmo tu, ó orgulhosa e fresca boca de Keira Knightley, beijas sozinha.

Keira Knightley, fazendo bico...

 *Texto de Manuel S. Fonseca, publicado no Expresso em 22/10/2011


Passeando no 50 Anos de Filmes

Além da boca beijável, Keira tem talento. E carisma. Anda frequentando o site do Sérgio com frequência. Está lá, menina, com 10 aninhos, com Dylan Thomas, nos filmes ditos “de época”, numa co-produção Canadá-Itália-Japão, em um delicioso natalino...pra vocês terem o gostinho e a curiosidade, no 50 Anos de Filmes se encontra:


Mentiras Inocentes / Innocent Lies / Les Péchés Mortels. Anotação em 2009: Apesar da abertura que promete – Charles Trenet cantando Que Reste-t-il de Nos Amours, belíssima paisagem de uma cidadezinha francesa à beira-mar, em 1938, às vésperas da Segunda Guerra -, este filme é uma tremenda, gigantesca, absurda porcaria. Mas tem duas coisas interessantes: Gabrielle Anwar, esplendorosa, filmada por um diretor voyeur e taradão, e Keira Knightley ainda garotinha, aos dez anos de idade. Só por causa das duas me dou ao trabalho de falar sobre o filme, embora com bastante preguiça. (Continua aqui)

Amor Extremo / The Edge of Love. Anotação em 2010: A maior qualidade deste Amor Extremo é a beleza das duas jovens atrizes, Keira Knightley e Sienna Miller. As duas estão deslumbrantes, o diretor tinha plena consciência disso e encheu o filme de belos close-ups dos rostos delas. Há outras qualidades. É um daqueles filmes em que todos os detalhes são muito bem cuidados, um artesanato de primeira. (continua aqui)

A Duquesa / The Duchess. Anotação em 2009: Uma jovem mulher da nobreza, bela, atraente, simpática, elegante, amada por todo o povo inglês – mas não pelo marido. Claro, já vimos este filme antes, e foi na vida real, nos jornais, nas revistas, na TV.(...) E agora temos essa história de outra jovem nobre bela, atraente, simpática, elegante, amada por todo o povo inglês, menos pelo próprio marido. Viveu no século XVIII (nasceu em 1757, morreu em 1806), e que, como Diana, também se chamava Spencer. É, na verdade, uma antepassada de Diana, Georgiana Spencer, duquesa de Devonshire. (leia todo aqui)

Paixão Proibida / Silk. Anotação em 2009: O diretor canadense (da parte francófona) François Girard tinha à sua disposição, nesta co-produção Canadá-Itália-Japão, a beleza de Keira Knightley. Usou bem pouco dela. Não há (não posso jurar, mas acho que não há) sequer um close-up de Keira Knightley durante o filme inteiro. Curiosamente, há vários close-ups de Michael Pitt, que interpreta Hervé, o marido de Hélène, a personagem de Keira. Keira é uma atriz talentosa. Michael Pitt, de quem eu não me lembrava, ou que eu não nunca tinha visto, ao menos neste filme aqui está expressivo como uma casca de banana: atravessa décadas e milhares de quilômetros sempre com a mesma cara. (continua aqui)

Simplesmente Amor / Love Actually. Anotação em 2008: Este aqui é um dos melhores filmes que já foram feitos na história. É para se rever sempre que a gente se sentir triste, angustiado, desesperançado, achando que a humanidade é uma invenção que não deu certo.(...) É um filme inteligente, feito para maiores de idades. É  absolutamente cheio de simpatia pelas pessoas, com aquele olhar com que, no auge do flower power, do faça amor não faça guerra, Donovan pedia para que as pessoas enxergassem os outros seres humanos, seus pequenos erros, falhas, defeitos, imprecisões, dúvidas – be not to hard for life is short and nothing is given to men. (leia post completo aqui)


4 comentários:

Ana Rita Profirio disse...

Olá Lu! Adorei seu espaço! Tem tudo a ver comigo! Amo o filme simplesmente amor.Sou crafter e faço almofadas se quiser conhecer o meu cantinho será bem vida!
Um Abraço! òtimo final de semana!

Por que você faz poema? disse...

A boca da Knightley é mesmo demais,
principalmente em "Amor Extremo".

Palavras Vagabundas disse...

Falar dos beijos em uma delícia de texto, que lindo. Concordo inteiramente com o autor se beija melhor no cinema que na literatura. Em literatura se roubam beijos, no cinema os vemos serem roubados.
bjs
Jussara

Juliana disse...

Simplesmente Amor é como um ombro amigo. Sou apaixonada!

Eu acho a keira magra demais. fico nervosa com a magreza dela e esqueço da beleza.

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