segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um Arco-Íris Dentro De Mim



“A piece of beauty is a joy for ever”
(Keats)

Eu sei, eu sei, aquelas pessoas sem noção que, de repente, passam a saltitar e cantar. Eu sei, eu sei, o escapismo. A incongruência da situação, interrompendo jantar e tudo, o espantoso laralá. Tem quem não gosta de musicais, eu entendo (mentira, entendo nada). O cinismo contemporâneo, a demanda por velocidade, o apuro estético dando lugar ao tecnicamente mirabolante, tudo isso parece relegar os musicais às estantes afastadas, às memórias com cheirinho de naftalina e nunca mais. E, entretanto. Pois é, entretanto. Eu amo os musicais. O musical é a tentativa última de comunicação: quando não se pode dizer na fala, diz-se com o corpo. O musical é a fé na mais absoluta inocência. O musical é a possibilidade de uma Pasárgada pessoal e intransferível. O musical é reverência à possibilidade de beleza, de graciosidade, é o último vestígio do charme e elegância. Depois, ladeira abaixo pra nossa civilização.

Duvidam? Pois vejam e me digam se não é poesia o que Minnelli faz com as cores e o que Cyd e Fred fazem com o corpo, aqui? Vejam e me digam se há rima melhor para encanto.

 


Porque eu amo os musicais? 
Quem responde é o Caio Fernando Abreu

“O fim do mundo era o silêncio e o vazio. Era a solidão absoluta. (...) Eu precisava dar um passo além do fim do mundo. Foi então que eu descobri o jeito de dar esse passo. A maneira de vencer o fim do mundo era enchê-lo de sons e de cores. Então uma canção brotou do fim de mim, e eu cantei: Eu sou assim eu tenho um arco-íris dentro de mim..” (Pode ser que seja só o leiteiro lá fora. In: Teatro completo. Porto Alegre: Sulina, 1997)


PS. Vamos combinar que essa é a prévia de sexo mais charmosa da história...

6 comentários:

Danielle Martins disse...

Adoro musicais, o encanto, a harmonia, o conjunto da obra... é como se o mundo realmente se enchesse de sons e cores.
Beijinhos!

Palavras Vagabundas disse...

Quando eu era menina (e via os musicais nas telas do cinema) eu queria viver dentro de um! Descer a escadaria e voar pelo salão nos braços do galã e com o vestido esvoaçante!
bjs
Jussara

Allan Robert P. J. disse...

Não gosto muito de musicais, mas toda regra tem a sua exceção.
Certa vea conclui que Ginger Rogers é melhor que Fred Astaire, pois ela fazia tudo o que ele fazia, mas de salto alto.

:)

Luciana Nepomuceno disse...

Allan (que saudade de você!),

ela também achava isso. Ao que ele retrucou (e eu com ele): eu faço até um cabide dançar (e fez, brilhantemente). Ela era uma grande dançarina, sim, mas não tinha a genialidade do Fred, da Cyd Charise e Eleanor Powell.

Joana Faria disse...

Adoro o Fred Astaire, mas amor mesmo de verdade é pelo Gene Kelly.

Menina no Sotão disse...

Carissima. EU AMO musicais e amo mais ainda o eterno Gene Kelly e sua magia. Um Deus. O Fred que me desculpe, mas ele não alcança a perfeição do Gene. Pode discordar, eu deixo e dou de ombros, viu?
bacio

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