quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um Piquenique pra Chamar de Meu

“A vida é como um sonho;
é o acordar que nos mata.”

Eu ando distraída pelo mundo. O “eu ando” não se refere a uma questão temporal, mas a um movimento permanente. Distraída é meu sobrenome secreto. Assim, tenho uma leve tendência à irreverência, sou um pouco como o Odilon, não pego bem a proposta e acabo em situações inusitadas. Esse preâmbulo é pra justificar meu desvario. Bom, eu estou no twitter (mal e porcamente, já que não sei usar a metade das ferramentas e nem entendo as gírias). Por lá, muita gente divertida, muita interação sagaz. Papo vai, papo vem, enxerida como sou, acabei me metendo numa conversa da Renata. Reparem, só porque tinha na frase clube (ou seja, ruma de gente) e leitura (ou seja, livros) já fui me oferecendo: quero brincar. Generosa, Renata topou e me incluiu. Só depois eu vi o tamanho do desassossego. É que as companhias são do mais alto gabarito. Não é leitura assim, como eu faço, só pra gozar mesmo. Não, é outro nível, metalinguagem, tradução, reconstrução e vários outros aspectos que eu nem sei nomear. Bom, quem mandou ser oferecida? Tá na chuva é pra se molhar. Isso tudo e não disse ainda de que se trata: ler Virgínia Woolf, mas especificamente Rumo ao Farol.

Fui direto pra minha prateleira, eu sabia que tinha um exemplar de Rumo ao Farol em uma tradução portuguesa herdada do meu orientador. Esqueci que, como muitos dos meus livros queridos, este anda na casa de alguém ainda mais querido que o livro. Em outra cidade. Com pouca previsão de volta num prazo curto. Comprei outro no sebo. Dei sorte e a tradução é brasileira.

Primeiro, um pouco de “eu e ela”. O certo é que não sei nada. Não sei quando foi que li meu primeiro VW nem sei qual foi. Foi, certamente, depois da minha primeira Clarice e antes do meu primeiro Faulkner. Não lembro minhas primeiras impressões, como me senti, nada. Sei de hoje. Basta ler o nome da lombada e já sinto um arrepio. Não importa se é nova leitura (comprei no mesmo sebo o antes apenas folheado na casa de amigos Um Teto Todo Seu) ou se é reencontro (quem vive sem reler Orlando de tempos em tempos?). Sei, também, que eu já a sabia em morte antes de conhecer-lhe as letras. A culpa é da Sylvia Plath, claro. Porque matou-se e colocou no meu olhar essa procura. VW foi, antes, pra mim sua história. E que dolorida que é.

O que eu devia dizer era só: entre eu e ela, a liberdade. Que sinto. Que perco. Que encontro. Que preciso.

Minhas credenciais pra participar do clube, assim, meio de longe: nunca estive em uma proposta tão sofisticada intelectualmente, não leio em inglês, não fiz curso de Letras, leio rápido e várias coisas ao mesmo tempo. Vou de um post por semana (espero).


O Clube, lá onde ele acontece: To The Lighthouse  
Os participantes: Renata Lins, Denise Bottman, Fabiano Camilo   
Chegando ao Farol, por um caminho ou por outro: euzinha e a Rita.



3 comentários:

Rita disse...

Agora imagine você o meu assombro ao procurar uma tradução da Dalloway pra indicar lá no blog, encontrar a Denise, por causa dela seguir a Renata e voltando na Denise para ler a Renata dar de cara com... você.

Gente!

Bj
Rita

Renata Lins disse...

Então, querida, eu e o Fabiano tb nos assustamos: porque nossa proposta inicial era modesta, apenas acompanhar e comentar os posts da Denise no "Passeio ao Farol". Só que ela se animou e nos convidou pra comentar no blog...! E aí? Dá pra recusar? Me lembra um pouco o dia em que fui fazer teste na piscina no trampolim dos 3m, quando a instrutora subiu atrás de mim e disse "agora abaixa...agora mergulha". Medo, vencer o medo: libertador como poucas coisas. Beijo grande, vamos seguindo no passeio... eu não achei o lá de casa e acabo de comprar outro pela Amazon. Por enquanto vou nas beiradas: Virgínia, outros livros, Bloomsbury, tradução. Viva sua chegada a nosso piquenique! (Rita, não se anima não? Vamos...?)

Menina no Sotão disse...

Eu adoro Virginia, mas odeio Mrs Dalloway. Só o li uma vez e foi no colégio há anos luz. Tudo porque o infeliz do livro não tem capítulos e eu odeio livros sem divisão de capítulos e sempre que o encontro na livraria eu torço o nariz pra ele.
Meu encontro com Virginia é de tempos em tempos. Sempre a encontro em algum lugar. O primeiro? Não faço idéia, sabe? Ou talvez faça... É claro que faço, mas agora me escapa porque olho para o diário dela ao lado do computador e só penso em 1919. Tanto que escrevi há pouco que "eu acho que só mesmo ela me entende". kkkkkkkkkkkkkk
bacio

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