terça-feira, 9 de agosto de 2011

Quarto de Hotel

Porque há beleza, também,
em não me fazer tempestade.

Antarctica, né?

Duas noites. Alegria, alegria. Eu sempre me sei no seu sorrir. Eu sempre me escuto na sua voz. Eu sempre me entendo no barulhinho da latinha sendo aberta, da batucada na mesa, da tua respiração mais pesada que a minha. Que importa que você não seja o enfim? eu não quero escrever histórias, quero é comprar passagens. Quero é pegar estrada, quero é quarto sem vista pro mar, sem janela, sem porta, casa muito engraçada feita de cerveja, riso e suor. Quero é cama, pele e música. Quero é seu gosto de cigarro. E sua mão fazendo cócega no meu pé. Quero é você rindo das minhas perguntas e ensinado a mesma coisa vezes e vezes, como se o hábito de inventar desculpas pra ficar perto fosse um objeto antigo que tivéssemos prazer em guardar. Quero é acordar com tua perna pesando na minha, tua barba reescrevendo vontades no meu ombro, tua voz cantada trazendo um Nordeste que é tão meu e tão outro. Quero é fazer do quando, agoras. E fazer, de recifes, portos de ancoragem. Outra vez.

Sombra
Em inocente desinteresse, anuncio: relacionamentos começam onde terminam, em uma recusa de respirar. Amar tira o fôlego. Morrer também. Eu já não faço planos, eles é que me fazem, em juras de desenganos eternos enquanto duram. Eu gosto de mentir. De dizer: hoje, quando eu sei que é nunca. E dizer sempre, quando sei que é agora. Eu escolho a desesperança tatuada de gozos. Tudo acaba, tudo acaba, tudo acaba, enquanto repito isso, isso não cessa. Mas eu respiro e é, de novo, o novo. Não sei o que há no fim do percurso, no meio do labirinto, na margem da estrada, piso em estilhaços de vidro: o espelho que te prendia, e desconfio que isso tudo me leva tão longe quanto se possa estar de alguém, ou seja, bem dentro e bem fundo.

4 comentários:

Menina no Sotão disse...

Respirei fundo aqui e fui além, em meio as lembranças só minhas. Madrugada, silêncio, a música distante cantando outras ilusões e o meu pensamento vagueando ali entre as rugas do lençól frio. Voei para dentro de mim, onde vilas e suas esquinas caminham junto aos meus pés e me lembram que há uma só direção: o norte. E é pra lá que eu vou toda vez que me encontro num abraço. Se há fim, se termina, não quero saber, mas eu sempre me acabo quando me lanço nos olhos dele e recomeço quando nossas mãos se atam. ai ai ai
Viu só o que você fez?

Estou com saudades dos nossos diálogos. Por onde andas? Espero que esteja bem... bacio

Atitude do pensar disse...

Esse hotel que não tem janelas, portas, vista para o mar, também, não possui paredes.
Do querer contento-me com o cativar, daqui é tudo que preciso nesse momento.
A sombra lembra-me de quem sou, mais quereres, esperaras, vidas...
Não conhecia esse som, já fui obrigada a adicioná-lo por aqui.
Bj, Lu.

Maggie May disse...

eu embarquei em algo assim, sem janelas, só paredes e muros altos, e o nome tentação.
mas o que fazer se o agora e o talvez se transformaram no enfim!? rs

Allan Robert P. J. disse...

Enquanto viver, vou me apaixonar a cada dia, pra poder continuar vivo.

:)

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