quarta-feira, 27 de julho de 2011

Eu amava os Beatles e os Rolling Stones, por Jussara

Eu sempre quis a Jussara por aqui. Faz tempo que lhe quero bem e que espero seu comentário como quem aguarda a visita de uma pessoa querida: na maior expectativa. Não é pra me gabar, mas preciso dizer que seu abraço é tão generoso e acolhedor quanto seu blog dá a entender. Vagabundeamos juntas e foi tão fácil e bom que eu fiquei me perguntando porque a vida não é sempre assim: em alegrias e confortos. É fácil pra mim querer bem à Jussara, difícil mesmo é morarmos tão longe. As borboletas é que tem sorte, vão poder pousar em suas letras, agora, sempre que quiserem, em vermelha alegria.

E agora pensar na Jussara tem trilha sonora: My Favorite Things,...


Eu amava os Beatles e os Rolling Stones, por Jussara


Um dia você acorda se olha no espelho e meio sonada diz: Oi, mãe! Mãe???!! Sim, mãe. Você tem 55 anos e esta a cara da sua mãe! Não sou ela, temos histórias de vidas completamente diferentes, eu me formei numa universidade (ela fez o normal), não casei mas tive filhos, trabalhei fora 35 anos (meu Deus, eu sou aposentada!) e, infelizmente para mim, ela já se foi.

Meia idade, o que é isso? Não sei responder só sei que nas estatísticas eu estou nela. Vejo fotos de minha avó com essa mesma idade, uma senhorinha de tailleur escuro e cabelos brancos, definitivamente estou muito longe desse figurino, vejo fotos de minha mãe e lá está ela sorridente mas já com ares senhoril e vestida conservadoramente (correndo olhar meu armário!). Mudou o mundo, mudei eu e estamos no século XXI.

Meninos eu vi! Eu vi nascer a minissaia e usei as mais curtas do hemisfério sul, tenho fotos para provar ( vocês não vão ver), vi o fim da Guerra do Vietnã, aquela que os americanos insistem em dizer que ganharam, hahaha... vi o começo e o fim da ditadura militar no Brasil, completamente velhice dizer que se lembra do dia do golpe! Vi o fim de um século e o começo de outro, vi e vivi as grandes transformações da sociedade, isso não é vantagem nenhuma para quem já viveu meio século (chocada de escrever isso).

Tudo muito bem, tudo muito legal só tem um problema, eu não me sinto velha, velhinha, com meia idade, a caminho de ser idosa e não me vejo nem perto de uma bengala. Na minha cabeça ainda tenho 20 anos, mentira vinte anos é muito chato, acho 28 muito melhor: você já é adulto, deixou as chatices de adolescente para trás, já é formada, tem experiência e no meu caso já era mãe, muito melhor 28. Acabei de fazer as contas e estou entre os 28 e 30 anos, pelo menos para o INSS (aquele que finge que me paga uma aposentadoria decente), para eles a minha expectativa de vida com saúde (se Deus quiser!) é entre 80 e 85 anos. Então eu tenho uns bons 25 anos ou mais pela frente. Oba!!!!! Acho que dá até para me aposentar outra vez!

Então aos 28/30 anos com todos os deveres cumpridos, casei (cof, cof... juntei mesmo, um juntado que durou 30 anos), fui mãe, sou avó, paguei impostos, comprei uma casa, trabalhei, fui boa moça, fui puta, fui abestalhada, fui sábia, magoei, fui magoada, fui passada pra trás, puxei uns tapetes (todos necessários e merecidos, oi?) e agora? Agora, não sei! O que sei é que a meia-idade (detesto melhor idade, argh!) tem muitas vantagens, vejamos: não menstruo mais (coisa boa, vocês vão experimentar), tenho saúde, não preciso provar mais nada para mais senhor ninguém, tenho liberdade de ir e vir na hora que eu quiser (lembrem-se já sou aposentada, hihihi), não preciso mais ser antenada (coitadinha vive no século passado), posso me fazer de surda (é melhor que ouvir besteira), posso dizer o que eu quiser (tá ficando gagá) e não tenho mais nenhuma paciência para discussão que não leva a lugar nenhum.  Há desvantagens: não dá mais para usar minissaia (não dou para Suzana Vieira), os biquínis ficaram um pouquinho maiores, a pele já não é luzidia e translúcida (isso saiu de romances do século XIX) nada que uns creminhos não ajudem, canso mais rápido (já vai longe quando dançava a noite inteira e ia trabalhar após um banho),  tem que pintar o cabelo a cada 15 dias (saco!).

Não tive crise dos 50 anos (se tive alguma foi aos 40), fiz minha primeira tatuagem justamente para comemorar a data, já pensei na segunda que será ainda esse ano, a terceira ainda estou decidindo. Estou á procura do que fazer nos próximos anos, isso não é bem verdade, afinal tenho 28/30 anos e muitos projetos. Vou realizar todos? Não sei, mas isso importa? Para mim, não. Basta que eles existam e que eu morra (aos 80/85) tentando.

O titulo é bem vintage (nome chic pra coisa velha), eu continuo amando os Rolling Stones e infelizmente não sobraram muitos Beatles para amar, mas os LPs (velha!) estão aí para continuar me lembrando o que era amá-los! Esse texto era para ser algo bem reflexivo e meio deprê sobre como estacionar na meia-idade, mas sou do tempo do sexo, drogas e rock roll, do faça amor não faça guerra, do flower power, sem lenço nem documento então não dá para ser deprê, não quero mais refletir sobre nada só quero ir por aí sem nada nos bolsos (os impostos já levaram tudo) ou nas mãos (não consigo carregar mais peso), quero aproveitar tudo que minha juventude prometeu mas não tive tempo de curtir, agora eu posso e vou, afinal só tenho 28/30 anos.

18 comentários:

Pandora disse...

Tirou onda!!! Com direito até a expressão do século XIX, adoro \o/

Fico pensando ao ler a Jussara que daqui a 50 anos vou ser eu a dizer que vi o século XX morrer e o século XXI nascer... e o que vai ocorrer nesse século de meu Deus eu não sei, mas que sempre acho ótimo ler as palavras da Jussara eu acho!

Pandora disse...

Ah, realmente é um saco ter 20 anos, parece que vc tem obrigação de dar certo o tempo todo, e se alguém tiver a ideia de te classificar como intelegente então vc está lascada pra valer porque tem que da certo em dobro para cuidar daqueles que não são tachados como inteligentes!!!

Luciana Nepomuceno disse...

Jussara, querida, que entre os planos estejam vários encontros comigo. Apesar de mais velha (enquanto você tem 28 eu tenho uns 42) ainda dou um caldo. Sei que não tenho senso de direção, mas não é uma delícia ouvir que se é uma mulher perdida?

Luciana Nepomuceno disse...

Jussara, querida, que entre os planos estejam vários encontros comigo. Apesar de mais velha (enquanto você tem 28 eu tenho uns 42) ainda dou um caldo. Sei que não tenho senso de direção, mas não é uma delícia ouvir que se é uma mulher perdida?

Dona Lô disse...

Gente, amei isso! Uma lição e tanto prá quem vive achando que seu tempo acabou...
Valeu, Jussara!

Maggie May disse...

o melhor ou o pior de envelhecer é isso, sentir-se jovem por dentro, porque nada muda, ainda sonhamos e queremos com antes...

Glorinha L de Lion disse...

Oi Luciana, muito prazer, vim a convite da amiga Jussara e ó: tô de queixo caído...quase tudo o que ela conta aqui eu tb vivi (embora tenha uns dois anos menos...rsrs)não me lembro do dia do golpe, mas me lembro da ditadura. Usei minissaia e cabelo black power mesmo sendo loura e tendo cachos em vez de cabelo afro, fui meio hiponga...fiz Comunicação na UFRJ em 1978...quer coisa mais hiponga que isso? Casei de rosa, pra contestar, aos vinte anos...idade chata pra krai...falando nisso, estou com 26, tá Ju? Dois a menos que vc, não falei? Amei esse post! Beijos,

Palavras Vagabundas disse...

Lu,
fiquei super feliz e amei a trilha sonora! Nós fazemos uma dupla e tanto você perdida e eu gosto de falar e não presto atenção, conclusão vamos por aí... e sabe-se lá Deus a onde vamos parar!
Encontros teremos muitos, aqui, acolá, lá ...estou a espera de setembro.
bjs
Jussara

Macá disse...

Luciana
A Jussara já tinha me falado sobre você e foi muito bom vir aqui.
Amei o blog, a trilha sonora e o texto delicioso da Jussara. Não concordo muito quando ela diz que não tem mais paciência para discussão. Isso só se ela nascer em outra família em outra vida, porque nessa..... conheço bem rsrsrsrsrs
Eu, como ela, vi tudo isso também e uma coisa que eu tenho saudades: usar mini-saias. Mas hoje tenho "senso de noção" rsrsrsrs e deixo para a garotada. Como disse a Jussara, ser Suzana Vieira, nem pensar.
Também não tive crises, espero que elas não apareçam e me sinto realmente muito jovem para sonhar e tentar realizar ainda vários projetos.
um beijo pra você, muito prazer e um beijo e parabéns para a Jussara pelo lindo texto.

VaneZa disse...

Eu pensei que aos 30 eu iria estar diferente, mais madura... mais EQUILIBRADA... mas não... eu continuo a mesma destrambelhada de sempre... eu não mudei... não sei se isso é bom ou ruim... "só sei que é assim".

Atualmente imagino que aos 40 eu vá estar no ponto (no pnto de que, meu Deus!)... afinal... dizem que a tal da vida começa aos 40... mas eu não queria esperar até lá para começar a viver... e sempre que eu te leio eu sinto o sangue ferver nas minhas veias... como se vida existisse aqui, mesmo eu teimando em achar que não.

Você sabe que eu gosto muito de ti, né, Jussara? Eu sei que vc me tem como uma filha virtual (opa! Sinto cheiro de inveja no ar rs) e eu lhe tenho como uma mãe... e como costumo dizer... é sempre muito bom te ler.

BeijoZzz

Lúcia Soares disse...

Ótimo o texto da Jussara. Parabéns por tê-la convidado, Luciana.
Muito bom estar aqui.
Pena que não conheci seu bog enquanto tinha o meu, mas se voltar, sigo vc, com certeza. Adorei aqui.

Cissa Branco disse...

Luciana,

Sou fanzoca da Jussara, seus posts me instigam, divertem e esclarecem. Depois desse texto fico me remoendo de vontade de escrever e viver tão bem quanto ela, fora a lição de vida e grandeza de alma, o texto é pura paixão, delicioso de ler.
Grandes beijos

Daniel Brazil disse...

Esta é a Jussara! Um beijo, prima.

BrasilViu disse...

Honestamente, o texto da Jussara não me surpreende, me encanta, mas não surpreende.

Esperava justamente isso, sinceridade,clareza e emoções na medida certa.

Ela sempre foi assim.

Embora tenha cometido uma mentirinha que a Macá identificou muito bem.......

"Não tenho mais paciência para discussões inuteis.............."

Na família BrasilXavier, isso é regra, e só os de fora entendem como inutil o que para nós é assunto de estado.

Aliás vou prestar mais atenção nesse detalhe, será que essa menina está tão rebelde que renega suas raízes?

Eu, como primeiro varão, farei as devidas investigações.

Caso fique constatado será imediatamente relatado ao meu pai e a minha mãe.

Via Mesa Branca.

kkkkkkkkkkkkkk

Brincadeiras a parte, o texto está lindo.

Adorei.

Bjs
Hugo

Fernanda de Francisco disse...

Oh mãe,

assim você decepciona sua netinha que vê nas histórinhas vovó de coque branco, xale e bengala.

Mas, pensando bem, nem eu vi minha vó assim.

Quero estar com 50 sendo jovem como você. Hoje com 33 me sinto com 24, acho que essa é minha idade preferida. Risos.

Luciana, adorei seu blog!

Beijos Fê

Pentacúspide disse...

gostei muito dessa descrição de alguém que viveu sem medo, não vive atolado na nostalgia, sente que ainda deve viver, e ainda está a pedir por mais para viver. quando for grande quero ser como tu.

Luana disse...

Lu, licença, mas esse comentário vai pra Jussara. =)
Ju, li seu texto e pensei taaaanto na minha mãe. Ela tem a sua idade e fala das mesmas coisas... Le tanto quanto você e eh por causa dela que eu também comecei a ler muito cedo.
Ela fala com tanta paixão de tudo que ela viveu ate agora e de tanta coisa que ela ainda quer fazer que me da mais e mais vontade de chegar na idade dela (sua) com o mesmo gás.
Lindo o texto! lindo!

Sandra Portugal disse...

Conheci Jussara essa semana e se já era sua fã, agora sou muito mais ainda!!!
Esse texto é espetacular e expressa muito bem a fase que eu tb estou!
Tenha um dia perfeito!
bj Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com.br//

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